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sábado, 17 de janeiro de 2009

Um quarto de século...



Foi ouvindo o som dos pássaros e um galo cantando bem longe, que ela abriu os olhos e observou o relógio. Ainda era cedo. Sem coragem para levantar-se, espreguiçou-se demoradamente e deu um longo suspiro.
Olhou para o criado-mudo e encontrou um embrulho colorido, deu um sorriso e não teve tempo de abri-lo, a porta se abriu e ela escutou um agradável bom dia.
Junto com a saudação ganhou um beijo e um forte abraço materno. Sua mãe abriu a janela, que lhe mostrava o dia azul e a apressava para levantar-se. Com muito custo saiu da cama, olhou pela janela e sorriu. Que dia lindo, pensou.
Ainda de pijama foi até a cozinha e sentiu o cheiro de bolo no forno. Em cima da mesa uma vasilha com recheio. Ela provou, que delícia! Foi até o quintal, brincou com o cachorro e avistou a irmã molhando as plantas. Guerra de água, alguns safanões, abraço fraterno e gosto de acolhida.
Tomou um longo banho, escolheu uma roupa fresca e bem colorida, chinelos nos pés e um cheiro de lar. Observou seu pai pela janela, um rádio de pilhas tocando música caipira e ele abanando a churrasqueira. Abraço paterno e risadas sem fim. Foi assim que passei muitos aniversários da minha infância.
Hoje, distante da minha família, o dia não começou de forma tão agradável. Acordei atrasada, com o despertador tocando uma música latina, bem diferente do som dos pássaros. Não tive o abraço materno e o desejo de bom dia veio por telefone, de forma breve. Não tinha cheiro de bolo no forno, nem fumaça invadindo a casa.
No ônibus as pessoas não sabiam meu nome e muito menos que era meu aniversário, no trabalho alguns cumprimentos e um desejo de ser feriado. O abraço fraterno chegou via SEDEX, em embalagem colorida e números digitais.
O céu está azul, mas o dia sem graça. Nem mesmo as comemorações iniciadas no final de semana e os abraços e ligações dos novos amigos conseguiram trazer de volta aquela sensação da infância.
A nostalgia de aniversários anteriores me entristece um pouco, mas, não me deixa desgostar desta data, pois para mim o ano inicia-se realmente após a comemoração do meu aniversário. É nesta data que faço o balanço do ano anterior, que retomo alguns planos e excluo outros. É neste dia que sei com quem posso contar a vida toda, esteja longe ou perto. É aqui que inicio mais um recomeçar.
E como gostaria de recomeçar com a família, amigos de infância e novos amigos reunidos. Como seria bom se fosse mesmo feriado e pudesse estar mais próxima dos meus, mas não é. E o dia passou arrastado, sem muitas novidades ou transformações.
Um quarto de século, vinte e cinco anos de vida e nada de novo, senão a saudade da velha rotina. Nada de emocionante ou surpreendente, nada, até que...
Ela entrou tímida na sala onde eu trabalhava, com um sorriso no rosto, pouco mais de um metro de altura, cabelos e olhos pretos, toda vestida de cor-de-rosa. Trazia um copo de água nas mãos, puxou uma cadeira na minha frente e sentou-se:
- Oi!
- Oi, você está sozinha aqui?
- Sim, estou trabalhando um pouco e você?
Ela aponta para os presentes em cima da mesa e diz:
- Eu estou esperando minha mãe, ela está ali do lado. O que é isso?
- Alguns presentes.
- De quem são?
- São meus.
- E por que você ganhou presentes? O Natal já passou.
- É que hoje é o meu aniversário.
- Ah é?! Parabéns! Quantos anos você está fazendo?
- Vinte e cinco.
- Nossa! Eu ainda tenho sete!
- E quando você faz aniversário?
- Só em setembro, ainda está longe.
- É, mas logo chega.
Olho para a porta e a mãe da garotinha a esperava dizendo:
- Pare de atrapalhar a moça! Vamos embora.
Nós duas sorrimos e ela despediu-se, antes, contudo, lhe perguntei:
- Qual seu nome?
- Taline e o seu?
- Também!
Ela sorriu, soltou das mãos da mãe, me abraçou e colocou o copo, já vazio, junto dos outros presentes.
- Para você!
- Obrigada! É um ótimo presente, muito útil!
Ela sorriu, deu um aceno de mãos e saiu da sala.
Nos olhos daquela criança e naquele abraço senti a sensação daquela acolhida da infância. Na cumplicidade de nomes iguais e tão raros. Na esperança de que um dia ela completasse seus vinte e cinco anos e eu voltasse aos meus sete anos de idade, nem que fosse só por alguns minutos. Foi assim que terminei meu dia de trabalho, com um quarto de século nos ombros e uma esperança infinita de dias melhores.

6 comentários:

ana flávia disse...

amigaaaa... fala a verdade, seu final de semana foi bem melhor que terça-feira, né? rs
adoreiiii... =D

viu, e o que tinha no sedex?

bjuuu!

Anônimo disse...

curiosa coincidência

Anônimo disse...

Nos últimos três anos eu esqueci o níver de meu pai - numa frase mágica em 2007 ele disse: - Não se preocupe vc veio em sonho e me parabenizou - , rs!
Acho que não temos essa cultura, eu, por exemplo, que já fiz uns 300 anos já, tenho tentado fazer que nem o bifes e esquecer o meu próprio, rs!
Parabéns moça! Vc mereçe, é linda, inteligente, perspicaz, simpática e arrebata meu coração!
Gostaria de te ver, mas acho que a distancia nos distancia!!!
bjobjobjobjo - ahhh, naum precisa publicar o comentário c naum quiser tá????
mais bjo e tchau!!!

Paula Leão disse...

Bom também senti que meu niver foi assim... Engraçado, que ria com meu irmão ao falar dos meus, também 1/4 de século... Eita vida! Mas que bom, pois depois do balanço recomeçamos, e re muitas coisas! rs bjo Taline

Taline Libanio disse...

Aos comentários..rs.

Ana, minha querida...realmente o final de semana foi muito melhor..rs, e o que tinha no sedex é segredinho...depois te mostro..rs. bjos!

Ao anônimo diria que costumo não acreditar em coincidências, mas que está foi uma simples e bela junção de destinos foi...Obrigada pelo comentário! bjo!

Ao anônimo diria que esquecer datas significa que existem pessoas e acontecimentos que merecem ser lembrados, e isso não é ruim. Muito sensível seu pai, linda frase! Mas não acho que deveria esquecer seu aniversário, é parte de sua identidade, de sua reconstrução diária, do seu viver, mesmo que pareça chato depois de 300 anos..rs.
Obrigada pelo comentário e pelos elogios, me deixou curiosa!rs.
Diria ainda, que a distância mais longa é colocada pelas barreiras invisíveis que nós próprios criamos, para todas as outras já foram criadas soluções... Carpe diem! bjos!

Querida,Xuxu! Obrigada pelo comentário..recomeçar é uma palavra que faz parte do meu dia-a-dia, re todas as coisas pra ti tbm!! bjão!

Marly disse...

Interessante...

Não percebemos como o tempo passa e as vezes é cruel.
Saudades que tenho dos meus 25 anos.
Farei meio seculo este ano.
Olhando pra traz vemos a importancia de detalhes para o futuro.
Feliz aniversário atrasado.
bjus