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sábado, 3 de janeiro de 2009

Cadê o espírito natalino?


O Natal passou. O tão esperado Ano novo já chegou, as árvores de natal perderam seus presentes, as casas suas decorações, as crianças a expectativa pela noite de natal, os meses ganharam novas promessas, as pessoas novos rótulos e eu ainda não encontrei o espírito natalino.
Creio que o seu Natal deve ter sido como o de muitos anos anteriores, e diria, inclusive, que em todas as casas é possível notar alguma semelhança, pois me parece que essa data foi criada para acontecer da mesma forma em todas as casas, em todo o mundo, com “pequenas” exceções religiosas, culturais e socioeconômicas. Foi criada para que se parecesse com um “comercial de margarina”.
Uma mesa farta, com um belo peru, fios de ovos, cerejas, mesa de frutas, vinho, champanhe, cerveja, frutas secas e amêndoas. Uma árvore de natal com pisca-piscas, vários pacotes de embrulho no chão, o especial da Xuxa na TV, as crianças jogando na sala, outras dormindo no sofá, os pais, tios e tias bebendo um pouco a mais, os jovens bebendo escondido e apresentando seus novos namorados para a família, as avós felizes ao ver a família reunida, amigo secreto, sorrisos, satisfação, decepção, lágrimas, saudades de quem não está presente, uma oração, um discurso, muitas piadas, sono, final da bebida, restos de pernil, luzes apagadas, um vento leve que entra pela sala e apaga a última luz: Feliz Natal. É isso.
No dia seguinte, o Natal continua, mas já não tem mais graça, os preparativos agora estão voltados para o Ano novo. As comemorações continuam, as comilanças e bebedeiras também, mas a união, as gargalhadas e a vontade de rever alguém que mora longe já passou. Os assuntos já não são mais novidades, a ressaca física e moral impede outras piadas, as crianças brincam isoladas com seus novos brinquedos, os jovens discutem por algo que aconteceu na noite anterior, as velhas mágoas ressurgem com o apagar da última luz, despediu-se o espírito de natal.
E com o Ano novo não é diferente. Festas em clubes, chácaras, amigos e família reunida, roupas brancas, fogos de artifício, champanhe, promessas, simpatias, desejos, esperança e quando se acorda tudo continua igual. Você não perdeu peso, nem arrumou um namorado, não enriqueceu, nem arrumou um emprego novo e então você se acomoda e deixa as metas do dia primeiro para o mês de fevereiro e assim vai...
Confesso que tinha certeza de que meu Natal seria assim, como um falsete para as brigas, mágoas, rancores e dúvidas. Talvez por ter que trabalhar até as 12h00 da véspera de Natal e chegar em casa praticamente com o Papai-noel, talvez por que há algum tempo já tenha desacreditado de algumas coisas, talvez por que desde que me mudei desta cidade já não fazemos mais árvore de natal, nem colocamos guirlandas nas portas, já que isso era feito por mim.
E realmente, meu Natal foi comum, como de muitos outros anos. Família reunida na casa da avó, tios e primos, amigos, muita comida e bebida, um champanhe que não abria por nada deste mundo e que rendeu as gargalhadas mais gostosas da noite. Fotos e histórias antigas, recordações, lembranças, abraços, família. Cheiro de aconchego, de acolhida, gosto de carinho e satisfação.
Foi assim meu Natal, típico e atípico, com situações comuns, como meu tio declarando seu amor por nós depois de muitas cervejas e contando a mesma história por quatro vezes seguidas, e atípico por desta vez não ter um peru enfeitado na mesa, nem árvore de natal, mas por ter sido a noite mais prazerosa em família dos últimos anos. Confesso que não parecia Natal, e que se eu não tivesse pedido a champanhe talvez nem um brinde teríamos feito em homenagem a esta noite, e realmente não seria preciso.
O olhar, as risadas, as piadas e lembranças de outros natais permitiram que esta noite tivesse um brilho diferente. E arriscaria até dizer que havia encontrado o espírito natalino neste momento, não fosse pelo fato de nele não acreditar.
As promessas para o Ano novo ainda não consegui enumerar, preferi não pensar nisso, afinal, mais preocupante do que o que provavelmente eu não irei cumprir, é a busca pelo espírito natalino. E quando digo que dele já desacreditei, não quero dizer que não acredito mais no Natal, e sim que me decepciono quando vejo no que ele se transformou.
A essência do Natal, a união da família e amigos para lembrar o nascimento do menino Jesus há tempos perdeu seu significado, hoje é representado pelos presentes, pela comida e bebida em excesso, pelos compromissos de trabalho que nos impedem de entrar no “clima” desta data festiva.
O espírito de natal para mim nada mais é do que harmonia, paz, solidariedade, caridade e isso quando acontece apenas em uma noite festiva não me parece sincero, deveria acontecer constantemente, em cada bom-dia, em cada sorriso, em cada afago e na vontade de estar perto dos que amamos diariamente e não só nesta ou naquela data.
Infelizmente não tenho visto o espírito natalino, nem aqui, nem acolá, talvez por estar buscando nos lugares errados, talvez por já não acreditar tanto na humanidade, o fato é que essa reflexão não pertence ao Natal. Pertence a você e a mim em cada minuto de nossas vidas.
Sugiro que se junte a mim nesta busca, procure nos cantos da sala, embaixo das escadas e cadeiras, dentro das gavetas e armários, nos potes de açúcar da cozinha, e principalmente dentro de você, tente encontrá-lo ai, no seu peito, na sua razão, nos seus atos.
E caso você o encontre, me avise, ficarei imensamente feliz em reencontrá-lo em épocas distantes do Natal. Até lá, deixo a esperança de dias melhores, para mim e para vocês... Felizes semanas, meses e anos novos!

3 comentários:

Taline Libanio disse...

Em homenagem a minha família maravilhosa...Que me ampara, me fortalece e me incentiva em todos os momentos...Obrigada...Amo vocês!

Tio disse...

Tambem amamos voce, e sempre vamos continuar incentivando, apoiando, reclamando, puxando a orelha quando for preciso, enfim somos assim né?
Não me lembro ao certo(já estava thiu-thiu-thiu) mas acho que contei mais vezes aquela historia, he, he, he.
Abraços e Beijos.

Anônimo disse...

Legal é passar o natal na minha casa Tá, com minha mãe com cara mais marrenta possível, pra ver se todo mundo vai embora logo.

Bju querida Drica