Fechada para balanço...Preciso reorganizar meu caos.
Em breve retorno com novidades!! Aguarde! Enquanto isso...Entre e fique a vontade, este blog é mais seu do que meu!! ;)
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 24 de dezembro de 2011
Previsões para um Ano Bom...
Creio que muitos de vocês já
perceberam meu interesse por prever o futuro e minha insistência em conseguir
tal proeza, seja através de uma cartomante, por intuição, leitura do horóscopo
diário ou interpretação de sonhos. O fato é que sempre fico com aquela vontade
de saber o que está por vir, afinal tem dias em que por mais que eu ande, a
vida continua parada.
Hoje mesmo, no meu décimo segundo
dia de férias sinto-me entediada. E olha que desses doze dias, cinco passei a
bordo de um navio maravilhoso em um Cruzeiro em família. Mas é sempre assim,
quando estava viajando pensava que aquilo deveria durar para sempre, mas um dia
antes, quando cheguei em casa e dormi por doze horas na minha primeira noite de
férias, pensei que aquilo também poderia durar para sempre...
A verdade é que estamos sempre em
busca de transformação. Mudamos o humor, a vontade, o gosto, a coragem, tudo o
que antes era certeza vira talvez e o talvez acaba muitas vezes por virar
realidade, e é sobre isso que quero falar hoje.
Minha curiosidade somada à
vontade de desvendar o futuro, me fez consultar um astrólogo no meio deste ano.
Depois de não ter tido sucesso com a cartomante achei que seria uma boa
tentativa. Foram quase duas horas de consulta, passando pelo meu passado,
presente e o que mais almejava: o futuro.
Pedi a ele que priorizasse a
leitura das minhas ambições profissionais e sentimentais e confesso que não
acreditei quando escutei que o ano de 2012 seria meu ano de transformação. O
ano em que, segundo ele, eu teria mudanças no campo profissional, onde teria
possibilidade de realizar um grande sonho e, como se não bastasse, o ano em que
poderia conhecer um companheiro para toda a vida.
Ah! Era tudo o que queria ouvir...
Será que finalmente aos vinte e oito anos teria a honra de parar minha busca e
aquietar esse coração que já anda extremamente desacreditado? Ri disso tudo ao
contar as previsões para minha mãe. Ri mais ainda quando ele me disse que
firmaria um compromisso no mês de setembro e que faria uma viagem internacional
ainda neste ano.
Pense bem, em julho eu jamais
imaginaria fazer uma viagem internacional, muito menos firmar compromisso com
ninguém, afinal havia rompido um namoro recentemente e tudo que queria era paz.
Mas hoje, deitada no meu quarto,
olhando para o céu azul, pensando no quanto estou entediada e no que espero de
2012 me lembrei de todas essas previsões e qual não foi minha surpresa quando
as vi praticamente integralmente concretizadas?!
Realmente firmei um compromisso
em setembro, no dia dezoito mais precisamente, e no mesmo mês agendei uma
viagem, pasmem, para o Uruguai e Argentina, com uma amiga para o final de
dezembro.
E agora me pergunto: foi a
previsão que me impulsionou a fazer isso tudo em tão pouco tempo? Ou foi o
tempo que me movimentou até essa previsão?
Não sei dizer...Só sei que estou
realizada. Feliz por ter me movimentado. Por ter arriscado e por ter a
possibilidade de ter mais histórias para contar.
Minha viagem se dará logo depois
do Natal, passarei a virada do ano em terra estrangeira, pela primeira vez
longe da minha família, mas na ânsia de trazer sonhos realizados e novas
ambições para 2012 que agora mais do que nunca, creio será meu ano de
transformação.
Não sei o que me reserva o ano
que se aproxima, muito menos esta viagem e nem mesmo o dia de amanhã, mas tenho
a certeza de que vale a pena sonhar, e mais ainda prever o futuro,
especialmente se essa previsão é feita por nós, por nossos desejos, por nossas
vontades, pois esse é o caminho mais curto para transformar a possibilidade em realidade.
O que espero de 2012? Viver o
presente que hoje é meu futuro de maneira plena. Acreditar que um passo pode
desencadear uma longa jornada. Desejo ainda dias de tédio, pois percebi que
essa sensação não é nada mais do que um momento para meu descanso,para um
respiro, para que eu possa olhar para traz e ver meu futuro concretizado e
olhar para frente em busca de novos presentes, cada dia mais previsíveis.
Chega de tanta surpresa. Viver o
hoje cabe apenas a nós e a mais ninguém e que venha 2012, cheinho de boas
previsões e de muita, muita transformação!
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Já chegou o Natal...?
Acabo de escutar uma música bem típica para este período do ano, corro até a cozinha e de lá avisto o caminhão da coca-cola passando na avenida principal da cidade, todo iluminado, espalhando aquele clima de: “Já chegou o Natal...”.
É claro que hoje em dia não é mais só um caminhão, é uma caravana, e além da música e das inúmeras lâmpadas, agora traz também um urso polar jogando balas para as pessoas na rua e ajudantes de papai-noel dando tchauzinho. Ah...Essa modernidade, vive estragando tudo mesmo. Mas enfim, o que realmente me chamou a atenção foi a sensação que a música tocada por aquele caminhão enorme e todo iluminado me provocou.
Havia sido tomada por esta sensação há uns três dias, quando a iluminação natalina foi espalhada por toda a extensão da rua onde moro. Da vista da minha janela posso observar muitos anjinhos, sinos e o papai-noel, iluminados, coloridos, um convite a caminhar pela noite afora que já não é mais tão silenciosa nesta época do ano.
Não sou muito fã deste período do ano, claro que sempre é bom reunir a família, amigos, trocar presentes, mas sempre existe uma tristeza velada nestes dias para mim. Conheço pessoas que adoram o Natal e o comemoram com todas as possibilidades: ceia, fogos de artifício, luzes natalinas, enfeites, árvores enormes, presentes, peru e champanhe.
Quanto a mim, estar com minha família basta. O resto é acessório, complemento que deixa a data mais atrativa, agradável, mas não a torna mais ou menos importante.
O que realmente têm me incomodado nesses últimos dias é no que o Natal se tornou. Tenho observado um consumismo exacerbado nesta época do ano. Hoje quase fui atropelada duas vezes na rua de casa, não por carros, mas por pessoas. Malucas, alvoroçadas, ansiosas e carregadas de sacolas.
E olha que esta é a primeira semana de comércio noturno e de promoções de final de ano, fico imaginando como será a véspera de Natal... Na certa uma guerra civil oculta, não anunciada, irá se apresentar. A busca pelos melhores presentes, pelos maiores descontos, pelas principais marcas, torna o consumidor um verdadeiro soldado. E realmente é preciso andar com escolta ou armadura nestes dias, pois pisão no pé e sacolada na cabeça não irão faltar.
Utilizar a calçada sem empurra empurra ou achar um lugar para estacionar torna-se moeda de troca nesta época do ano. O difícil mesmo é manter o foco. As lojas iluminadas, com vendedores fantasiados são tão atrativas que impedem os clientes de chegar até o final da rua, lá na praça central onde um coral infantil expressa o verdadeiro significado deste período.
O presépio em tamanho natural não é tão atrativo quanto a casa do papai-noel que concentra filas de crianças em sua porta. O menino Jesus não é tão divertido quanto as balas e o presentinho distribuído pelo bom velhinho. E é assim que o ciclo se repete... Quando adultos essas crianças provavelmente irão priorizar as lojas ao episódio cultural e priorizarão as balas da casa do papai-noel ao presépio (se é que ele ainda vai existir) nos dias de Natal.
Ultimamente comemoramos tudo, mas raramente sabemos o porquê. A festa por si já é suficiente. Não importa o motivo, nem os convidados, o importante é festejar. E quando não se tem um motivo ou quando ele existe, mas não é importante as coisas ficam meio que sem sentido, não acha?
A verdade é que o final de ano é meu final de linha, sempre. É quando estou dando meus últimos suspiros e implorando por descanso, por férias e acho que devido a isso me sinto mais sensível e fico muito mais intolerante neste período.
E é por essas e outras que ainda abro a janela para ver o caminhão da coca-cola passar e avistar os anjinho de luz aqui de cima, tentando manter a todo custo o sentido que o Natal tem para mim deste a infância, tentando não ser engolida pelo consumo selvagem, pois lá embaixo, longe da altura dos doze andares nem tudo é tão bonito quanto parece, nem tão seguro...
sábado, 3 de dezembro de 2011
Procura-se...
Procura-se alguém disponível para
meus dias de riso e tempestade.
Procura-se alguém que seja alto o
suficiente para levantar minha autoestima em dias sensíveis.
Procura-se alguém forte o
bastante para levantar meu ego nos dias em que a frustração me perseguir.
Procura-se alguém que tenha belos
olhos para me mostrar o quanto a vida pode ser maravilhosa mesmo em dias nebulosos.
Procura-se alguém que saiba
sorrir e me faça gargalhar com seu ponto de vista.
Procura-se alguém que saiba me
olhar nos olhos e me ouvir quando o assunto é sério.
Procura-se alguém que tenha
sabedoria para entender que não podemos ter tudo o que desejamos, mas podemos
lutar para que esses desejos não desmanchem no ar.
Procura-se alguém que não tenha
medo do trabalho e que não se envergonhe do que faz, nem do que eu faço.
Procura-se alguém que consiga
perguntar como foi meu dia e esteja atento com a resposta, seja ela positiva ou
não.
Procura-se alguém que não tenha
vergonha de chorar quando se sente triste e que possa me fazer chorar de
alegria às vezes.
Procura-se alguém que esteja
disposto a me carregar no colo em dias de pés cansados depois de um longo baile.
Procura-se alguém que goste de
fazer cafuné e não se canse da minha voz rouca.
Procura-se alguém que queira me
aconchegar em seus braços até pegar no sono e me acordar com um beijo sincero
de bom dia.
Procura-se alguém que não tenha
medo de se apaixonar e consiga fazer de cada momento algo bom para se lembrar.
Procura-se alguém que goste de
viajar e não tenha medo de dirigir.
Procura-se alguém que goste de
andar de mãos dadas e tomar sorvete no final da tarde de domingo.
Procura-se alguém que goste de
conversar e respeite a diversidade de opiniões.
Procura-se alguém que me aceite e
não me obrigue a mudar meu jeito de ser, estar e viver.
Procura-se alguém que não se
importe com minhas roupas coloridas, alguém que prefira as cores ao branco e
preto e que não se canse de se surpreender ao ver um arco-íris.
Procura-se alguém que goste de
observar o pôr-do-sol e me presentei com a lua em dias de céu estrelado.
Procura-se alguém que não tema
fazer planos, mas que não deixe de viver o hoje com medo deles nunca se
realizarem.
Procura-se alguém que pense em
ter uma família e que entenda que isso significa compartilhar sonhos, vitórias
e perdas.
Procura-se alguém que respeite o
amor que tenho pela minha família e esteja disposto a conhecê-la, passando pela
sabatina de perguntas de tios e avós sem se sentir acuado ou com vontade de
fugir para outro país.
Procura-se alguém que me olhe com
admiração e que se orgulhe ao falar de mim para os melhores amigos.
Procura-se alguém que goste da
minha companhia e nunca me trate com indiferença.
Procura-se alguém que respeite
meus medos, inclusive os mais ridículos e que não faça disso uma piada.
Procura-se alguém para que eu
possa chamar de meu.
Procura-se alguém para...amar.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Por favor?!
A cada dia que passa descubro que tenho uma lista incontável de dificuldades, ou melhor dizendo, de “desafios” para serem superados. Tenho me deparado constantemente com alguns deles e por vezes me pergunto se foram criados por mim, pelos outros, para realmente serem superados ou simplesmente ignorados.
Contudo, como tudo que nos incomoda, esses desafios não são facilmente esquecidos ou colocados de lado, envolvem emoções fortes, por vezes orgulhosas que nos impedem de simplesmente esquecê-los.
Entre as incontáveis dificuldades existe uma que tem me enfrentado com uma constante irritante nas últimas semanas: odeio pedir favor. Tenho uma dificuldade surreal de solicitar algo para minha facilidade que poderá provocar em alguém alguma dificuldade.
Geralmente penso cinco mil vezes antes de pedir algum favor para alguém e quando o faço fico com aquela sensação de “devedora” por incontáveis dias. Na verdade nunca me senti no direito de influenciar a vida de quem quer que seja. Pedir algo para alguém requer uma relação de intimidade que por vezes não é recíproca e é nesse momento que encontramos algo que me parece pior que pedir um favor: tê-lo negado.
Vivo rodeada de pessoas que me dizem o tempo todo: se precisar é só chamar! Qualquer coisa me ligue! Conte sempre comigo! Mas tenho percebido que tanta disponibilidade não existe sempre, nem o tempo todo.
Claro que não tenho a ingênua pretensão de acreditar que as pessoas terão de deixar seu mundo para me atender, muito menos que meu interesse seja maior ou mais importante que qualquer afazer de qualquer pessoa, mas quem me conhece sabe que não sou de pedir favor e quando o faço é porque realmente estou precisando.
Ao contrário da minha dificuldade em pedir, não me importo de realizar um favor. Sinto-me bem quando posso facilitar a vida de alguém mesmo que isso complique um pouquinho meu dia. Creio, inclusive, que o segredo para superar este desafio, encontra-se justamente aqui...
Ninguém é obrigado a sair do trilho por ninguém, muito menos para facilitar a vida de outrem. Mas existem algumas coisas que são passiveis de realização e não são feitas por simples questão de prioridade e outras que não são realizadas pela simples falta de vontade.
Prioridade e vontade. Esses conceitos, tão presentes em nossos dias é que fazem com que a cada vez que precise pedir um favor pense antes cinco mil vezes, pois me lembro sempre que a minha prioridade nunca será a prioridade do outro e por consequência, provavelmente minha vontade dificilmente será compatível com a de outra pessoa, especialmente quando se trata de pedir um favor.
Para que alguém mude sua rotina para te fazer um favor é preciso que você seja parte da história da vida dessa pessoa; seja prioridade na vida dela ou nela provoque a vontade de fazer algo que te fará bem. Por vezes nada disso acontece e o favor fica ali, por fazer e é aqui que entra algo ainda mais relevante do que a realização de um favor: a importância que se dá ao pedido.
E é isso que quero destacar, para que ninguém tenha medo de me negar um favor depois deste texto. Já que ninguém é obrigado a sair da rotina por ninguém e cada um tem seus motivos, vontades e prioridades, gostaria apenas de lembrar que existem mil maneiras de dizer não, mas algumas pessoas escolhem sempre a pior delas o que torna o pedido de favor algo bem mais constrangedor do que deveria ser.
Gentileza, gera gentileza. Dedicar atenção a um pedido de ajuda, mesmo que não possa satisfazê-lo pode ser bem mais importante do que jurar gratidão a vida toda, ou afirmar sempre que possível: conte comigo!
Recebi alguns “nãos” nas últimas semanas, entre eles alguns que realmente me surpreenderam, não pela negativa em si, mas pelo discurso anterior de cumplicidade e pela indiferença dedicada ao pedido naquele momento.
Confesso que me decepcionei com algumas posturas nos últimos dias, mas por ainda acreditar nas pessoas é que resolvi tocar nesse assunto, para inclusive tentar entender onde se inicia o não em um pedido de favor. Afinal, não conheço muita gente que goste de depender dos outros para qualquer coisa que seja e pedir um favor não deve ser um incomodo apenas para mim.
Não é agradável pedir ajuda, pois temos que nos expor ao indicar nosso problema e a forma de solucioná-lo, sem contar que sempre corrermos o risco de embaralhar a vida de alguém que também pode estar em um dia de sufoco, mesmo que já tenha te oferecido apoio.
Então, fica a dica, antes de negar ajuda pense se realmente não é possível dispensar alguns minutos do seu tempo para prestar um favor ou no mínimo justificar-se de forma educada caso não seja possível atendê-lo. Tudo que fazemos com amor e sinceridade, mesmo que seja dizer um não, soa mais gentil, facilitando o dia de quem já não acordou com o pé direito.
A verdade é que as pessoas que realmente se importam nem nos esperam pedir um favor, geralmente se oferecem para cruzar o estado se for preciso para nos socorrer e são nessas horas de sufoco, quando somos acolhidos, muitas vezes por quem menos esperamos, que percebemos que nenhum por favor supera o alívio de um muito obrigado.
sábado, 12 de novembro de 2011
Voz pra que te quero...
Estou sem trabalhar há dois dias. Seria um ótimo motivo para comemorar não fosse o motivo que me levou a este súbito afastamento do trabalho. Estou afônica. Logo eu que adoro falar, que não consigo ficar nem meia hora sem falar, aqui estou segurando a língua para recuperar a voz o mais rápido possível.
Só agora consigo perceber o quanto falar é importante para mim. Tudo se torna bem mais complicado quando não posso falar. Comprar os remédios na farmácia, pagar o almoço, atender ao telefone, tudo se tornou um suplício.
De acordo com o médico provavelmente terei que retomar minhas sessões de fonoterapia. Só de pensar em voltar para este compromisso me arrepio. Não consigo me acostumar a tratar algo que para mim não é visível. Quando se quebra um braço e precisa de fisioterapia, percebe-se bem o movimento para a reabilitação, com a voz é algo bem diferente, apesar de perceber os resultados, não consigo vê-los durante as sessões. E isso me incomoda tanto quanto este repouso.
Repouso vocal. Foi isso que o médico me exigiu quando sai do consultório depois de diagnosticado uma laringite que segundo ele já é crônica. Dois dias de atestado em casa, sem falar, tomando muito líquido e contendo a ansiedade.
Apesar de morar sozinha há um bom tempo, não consigo me acostumar muito com a ideia de ficar sozinha por tempo demais. Quando estou na minha rotina, saio de casa às sete da manhã e volto perto das oito da noite, então ficar por cerca de três ou quatro horas sozinha em casa antes de dormir não é sacrifício algum.
Mas ontem e hoje as quarenta e oito horas dos dias pareceram umas oitenta. Não só pelo fato de estar sozinha, mas principalmente por não poder falar. Pensava em ligar para minha família ou para alguma amiga, mas e o repouso vocal?! Foi bem aqui que percebi que bem mais do que viver dias de simples descanso para minha voz estava inscrita em um verdadeiro retiro espiritual.
Aproveitei para colocar o sono em dia, terminei um livro que estava pelo seu um terço, iniciei outro, escrevi dois textos, arrumei meu guarda-roupa e o armário da cozinha. Assisti a dois filmes, pincelei alguns capítulos das novelas, olhei pela janela no pôr-do-sol, lavei o aquário do cágado e deixei-o zanzar pela casa, mas ainda assim o tempo não passou.
Nesses dias em que me enclausurei descobri que muito do que achava que me incomodava não faz mais sentido. Percebi que algumas pessoas que pareciam importantes não chegaram a este nível ainda e outras que pouco se fazem presentes, ganharam um espaço bem maior do que eu imaginava no meu pensamento.
Dias de repouso servem para acalmar o espírito, a mente, o físico e descobrir que por vezes é realmente melhor calar do que correr o risco de se pronunciar em vão. Descobri que o meu querer, a minha vontade não se enquadra na prioridade das outras pessoas, mesmo que eu esteja doente, sozinha e sem poder falar.
Pensei em receber visitas ou fazê-las nesses dois dias, mas que cabimento teria se não poderia falar? Fala que eu te escuto – seria o máximo que poderia dizer. A verdade é que não sei se existe alguém nesse mundo que se contente apenas com a minha presença.
Quando penso nisso, só consigo lembrar-me da minha mãe, que por inúmeras vezes me deixou ficar ao seu lado, deitada de papo para o ar, sem precisar falar uma palavra, sem fazer uma pergunta, apenas me permitindo ali ficar, me fazendo cafuné até me ver cochilar.
Foram nesses dois dias que percebi o que realmente importa e mais do que isso quem realmente se importa. Foram dias de silêncio com o mundo e de diálogo com o meu caos, com meus medos e percepções. Dias de repouso para serem guardados e lembrados sempre que se perceba novamente a falta de voz...
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Água com açúcar...
Assisti a uma comédia romântica
nessa semana daquelas bem docinhas, estilo água com açúcar, marcas registradas
da sessão da tarde e que são infalíveis para deixar qualquer mulher totalmente
desiludida quando chegam ao fim.
Um filme daquele tipo em que você
fica atento a cada detalhe e se pergunta a cada minuto: Será que isso existe na vida real? Aquele filme onde a mulher
linda, inteligente, bem sucedida está totalmente livre, à espera do príncipe
encantado, mesmo sendo a atriz mais linda de hollywood, o que no filme não parece nenhum absurdo pois no final
ela encontra um cara lindo, rico, romântico e totalmente louco por ela.
Toda vez que assisto a esses
filmes fico deprimida. Sempre fico me perguntando: Mas será que na vida real existe um amor assim?! Será que isso
realmente é possível ou provável? E sempre, fatidicamente, inevitavelmente
eu me envolvo nos meus sonhos de um grande amor e desligo a televisão
resmungando algo que reproduz minha sensação de descrença: Ah! Quanta bobagem!
E sempre foi assim, mesmo quando
estava namorando, apaixonada, envolvida, sempre me senti assim no final desses
filmes. É algo que sempre me cutucou. Não sei muito bem por que, mas é certo
que essas histórias de amor perfeitas demais sempre me incomodaram. Na vida
real nada é assim tão simples, nenhuma história se desenha em cento e vinte
minutos e dificilmente um homem lindo e sensível como aqueles dos filmes
tropeçará em você e te carregará para o altar.
Sem contar que a maioria dos protagonistas
destes filmes tem um histórico de muitas mulheres ou de uma decepção amorosa em
sua vida antes de encontrar a mocinha perfeita e se apaixonar perdidamente. Mas
cá entre nós, você já conheceu algum homem real que decidiu deixar de ser
mulherengo ou voltou a confiar em uma mulher depois de uma decepção para viver
um grande amor?! Parece piada não?!
Provavelmente alguns leitores do
sexo masculino que acompanham esta coluna poderão me tachar de feminista ou
generalista, mas a verdade é que eu nunca conheci um cidadão desse tipo. Quando
algum homem resolve assumir um compromisso ou é porque nunca se decepcionou
antes, ou porque sempre preferiu viver a dois, assumindo todos os riscos de uma
relação e esse segundo tipo de homem geralmente é muito romântico, mas carente.
Os homens que realmente buscam
uma união estável, uma família e que acreditam mesmo no amor dificilmente vão
aparecer na sua vida, pois já estão comprometidos ou não vão te seduzir tão
facilmente, sabe por quê? Porque até esses homens raros tem defeitos,
geralmente muitos, como todos nós e isso acaba com todo e qualquer conto de
fadas.
Se os filmes de hollywood tivessem continuação
provavelmente não durariam muito mais do que dois ou três capítulos. Uma hora
ou outra a essência humana iria se sobrepor e quando começássemos a nos
identificar com os personagens da telona provavelmente perderíamos o interesse
pelo enredo dos filmes, pois o que nos chama atenção é justamente o que não nos
é familiar, aquilo que temos como modelo, como ideal, mesmo com a certeza de
que nunca sairá do imaginário.
O fato minha gente é que romances
perfeitos não existem pelo simples fato de que as pessoas perfeitas também não!
Todos nós, homens e mulheres estamos muito mais sujeitos a errar do que a acertar
e geralmente temos a péssima mania de dar valor maior para os defeitos do que
para as qualidades dos que nos rodeiam. É mais ou menos assim: Ele te levou
para jantar no aniversário de namoro, te fez um elogio quando colocou um
vestido novo e te fez um chá quando estava morrendo de cólica, mas tudo bem
isso não é mais do que a obrigação dele. Agora se o santo homem te deixa
esperando quinze minutos, fala um ou dois palavrões enquanto assiste o futebol
ou solta um arroto na mesa, pronto! Ele não é mais o homem dos seus sonhos...
O príncipe vira sapo com tanta
facilidade... E digo isso porque comigo também é assim. No começo do namoro, no
período de conquista é tudo uma maravilha, todas as qualidades e encantos são
colocados na mesa, que fase mais gostosa, mas a realidade, aquela capaz de
sustentar uma união pela “vida toda”, não demora muito para aparecer e quando
surge, traz todos os medos, os receios, os defeitos e, sobretudo a essência
daquela pessoa encantadora que você acabou de conhecer.
Vivemos procurando a pessoa certa
e geralmente esquecemos que nem nós nos suportamos todos os dias, que audácia é
essa de acreditar que alguém tem que nos aceitar do jeitinho que somos e mais
que isso, se moldar aos nossos desejos só para que um conto de fadas vire
realidade?!
Quando assumimos o desejo de
viver a dois, acatamos o risco de ceder e receber muito de nós e um pouco do
outro e vice-versa, em um ciclo que permite o equilíbrio entre o que temos de
melhor e pior. E é por isso que não suporto essas comédias água com açúcar...
Nesses filmes não existem riscos, não existem defeitos, nem receios. A vida não
é assim, por mais leve que se escolha levá-la, sempre terão obstáculos capazes
de nos tirar o eixo por vezes e por outras de nos fazer desacreditar de tudo,
até mesmo do amor.
Eu ainda não cheguei a este
ponto, confesso inclusive que tenho me apresentado a este sentimento de forma
mais cautelosa ultimamente, e tem sido bom. No dia a dia os defeitos não
parecem monstros de filmes de terror e as qualidades assumem um gosto bem mais
saboroso do que simples água com açúcar, o que vale é a nossa vontade de viver
o certo, mesmo que ainda não tenhamos toda a certeza do mundo ou que ainda exista
aquele medinho de que se esteja vivendo o certo com a pessoa errada.
“É louco, é pouco
De ego e de vaidade
A gente fica cego
E não consegue ver
De ego e de vaidade
A gente fica cego
E não consegue ver
O óbvio, o todo
O que é de verdade
E num minuto
A gente põe tudo a perder
O que é de verdade
E num minuto
A gente põe tudo a perder
Eu
sei que, eu não sei de nada
Eu não entendo nada
Do que eu sinto por você
Eu não entendo nada
Do que eu sinto por você
Será que eu fiz a coisa certa
Com a pessoa errada
Como é que a gente vai saber?”
Com a pessoa errada
Como é que a gente vai saber?”
(A pessoa errada - Paulo Ricardo)
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