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sábado, 13 de dezembro de 2008

Boca Santa



Sempre gostei de plantas, de olhar para suas folhagens, tocá-las, sentir o perfume de suas flores, a textura de cada pétala, mas confesso que nunca fui detentora de muito conhecimento sobre elas.
Sempre tivemos plantas em casa, folhagens como samambaias, babosa e espada-de-são-jorge; floríferas como margaridas, hortênsias, azaléias e onze-horas; além das suculentas flor-de-maio e calonchoê. Minha mãe sempre foi uma amante de violetas e rosas, cresci a vendo cultivar dezenas de vasos e mudas, uma de cada cor, de cada espécie. Aprendi os segredos de seu cultivo e a respeitar o ciclo de cada planta que crescia em nosso jardim.
Meu pai era o responsável por tirar as ervas daninhas, adubar o jardim e podar as plantas. Minha mãe escolhia o local do plantio, reproduzia as mudas e fazia os arranjos que enfeitavam a casa. Eu só observava e morria de dó todas as vezes que via as roseiras podadas, e minha irmã, bem, esta nunca foi muito ligada às plantas.
Mas de todas as plantas que existiam em casa, uma em especial me deixa grandes recordações. Ela sempre esteve na frente de casa, é um misto de bananeira com arranjo artificial, pois suas flores parecem ser de mentira de tão belas e coloridas, costumava chamá-la de: a flor do pica-pau, mas hoje descobri que a Strelitzia reginae, pode ser popularmente chamada de Ave-do-paraíso, você já deve tê-la visto, uma folhagem verde exuberante que protege as flores alaranjadas com toque de lilás e bordô, um primor.
Hoje minha mãe já não cultiva violetas, deixou esse hobby de lado para dedicar-se a planos mais sublimes que lhe tomam muito tempo, me lembro, contudo, que um dos motivos que a fez deixar o cultivo foi o fato de ter perdido grande parte de suas plantas com uma praga muito conhecida e popularmente chamada de mau-olhado, quebranto ou ainda boca santa.O jardim continuou mas a coleção de violetas se foi.
Eu cresci, me mudei de casa e mantive o amor pelas plantas. Quando fui morar em Franca/SP para cursar minha faculdade levei uma samambaia e uma violeta para me fazerem companhia. A violeta não se adaptou muito ao pequeno apartamento, morreu em menos de um mês, mas a samambaia por incrível que pareça adorou o ambiente, tanto que tinha que fazer podas freqüentes, pois ela começou a tomar mais espaço do que devia. Passou comigo os quatro anos da faculdade e ganhou o nome de Cazé.
Além da Cazé tinha uma coleção de mini cactos, uma ótima escolha para quem vive em apartamento, entre eles tinha um preferido, o ganhei de minha avó e o plantei em um vaso bem colorido trazido por um amigo maravilhoso que vive em Barcelona. Ainda hoje, não sei de que espécie esse cacto é, mas continua cada dia mais lindo, agora na casa dos meus pais.
As plantas no apartamento representavam companhia e eram um amuleto contra a inveja de visitas indesejáveis, como dizia minha mãe: “antes nelas do que em você”. Por via das dúvidas , melhor tê-las, visto que algumas vezes tive que dar atenção redobrada a Cazé que era quem mais sofria com a praga do mau-olhado.
Hoje, em outra cidade, em outro apartamento, ainda tenho plantas, ou pelo menos tento tê-las. Há pouco mais de seis meses comprei uma pimenteira, carregada, linda, linda. Ela ia bem, até eu sair de férias, foi quando tive que delegar as minhas colegas de república a função de colocá-la no sol, e aguá-la.
Até hoje não sei direito o que aconteceu, sei que quando voltei das férias, a pimenteira ainda estava lá, só que duas vezes maior que seu tamanho natural e com umas pimentas gigantes.
- Cadê a minha pimenteira?
- Na cozinha, você não viu?
- Vi a irmã mais velha dela, ela não.
- Xi, ela percebeu.
- E vocês achavam que eu não ia perceber que esta não é a minha pimenteira?
- Olha, nós tentamos achar uma igualzinha, mas não tinham vasos menores, então, trouxemos esta mesmo.
- Ok, mas e a minha, onde está?
- Estávamos tentando reanimá-la, mas a faxineira veio e jogou fora. Quando chegamos e perguntamos pela planta ela disse que estava morta e que ela tinha jogado no lixo. O jeito foi tentar substituí-la, mas não deu muito certo não é?
Rimos a noite toda dessa situação, acolhi a nova integrante da casa e proibi as meninas de sequer chegar perto dela, só assim poderia garantir sua integridade física.
Ainda hoje, elas culpam a faxineira que vivia elogiando a planta, mas acho que a culpa foi minha que esqueci de falar que além de colocar no sol, era preciso tirar a planta de lá às vezes. E se a culpa não foi minha e nem delas, pode ter sido mesmo daquela praga popular: o mau-olhado, que provavelmente partiu dos olhos arregalados da faxineira que não perdia a oportunidade de colher umas pimentinhas e dizer:
- Mas que beleza de pimenteira hein?!
Essa é a típica boca santa,ou melhor, Dona Cida, nossa faxineira.

3 comentários:

Taline Libanio disse...

Em homenagem as queridas Day e Aline, com quem tenho o prazer de conviver...Amo vocês!

ana flávia disse...

vou denunciar vc pra sociedade protetora das plantas por maus tratos... já comece a aguardar que logo logo vai receber uma visita domiciliar...

xande, me ajude para que isso vire algo internacional??? rs

Alexandre disse...

Claro que sim Aninha, estou contigo nessa denuncia, como pode minha irmazinha matou uma violeta em seu apartamento novo, fica cortando a samambaia e fez desaparecer a pimenteira. Ja denunciei pra SPPIE ( sociedade protetora das plantas indefesas europeia) e ñ se preocupe q logo logo ira receber a visita de uma assistente social...hahaha
E tb denunciarei sua faxineira por ter a "boca santa".
E por um acaso vc ainda tem o vaso amore?
Com planta ou sem planta amo vc...e mais!!!