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sábado, 11 de outubro de 2008

Velha é a mãe!


Depois de uma semana inteira de sol, calor escaldante, que deixou a segunda terrível e arrastou a semana num cansaço daqueles, o final de semana chegou. Enfim sábado! E só porque é sábado chegou uma frente fria, choveu e todos os programas foram literalmente por água abaixo.
Restou-nos o shopping, que em dias chuvosos torna-se badaladíssimo. Que lugar chato, um monte de gente olhando vitrines, algumas fazendo compras, fila no cinema, fila para o almoço, fila para o sorvete, fila para pagar, fila para sair. È, melhor voltar logo para casa.
Entro no ônibus na companhia de uma amiga, conseguimos dois lugares, nos acomodamos e no ponto seguinte o ônibus é abarrotado pela presença de adolescentes. Um monte deles! Entram com umas sacolas de papelão enormes e tiram folhetos, garrafas de água e pipoca de dentro delas. Então me lembro de ter visto um anúncio dias antes de uma feira de profissões em um colégio ali perto. Estavam voltando da feira de profissões, alvoroçados, entrando como uns loucos no ônibus para conquistar seu lugar, batendo com as sacolas na cabeça de todos que estavam sentados inclusive na minha. Penso que se eles tiverem a mesma garra para encarar o vestibular que tiveram para marcar território na condução estarão na lista dos aprovados com certeza.
Começam então as conversas paralelas. Um grupo de garotos fala das meninas aqui, outras meninas falam mal dos meninos ali, riem alto e o tempo todo de coisas que para mim simplesmente não faziam sentido nenhum. Que saudade dessa época, os primeiros amores, as primeiras amizades verdadeiras, as primeiras decepções, as primeiras conquistas, eita tempinho bom.
Mas voltando ao ônibus, uma garota começa uma conversa com um grupo de meninos que estava ao seu lado:
- Vocês estavam na feira?
- Sim, e você?
- Também, vocês já decidiram para que curso irão prestar o vestibular?
- Ah não, nós vamos nos formar só no ano que vem.
- Sério? Achei que já estavam no terceiro ano.
- Por quê? Você já está no terceiro?
- Sim, por quê? Não parece?
- Na verdade achei que você já tinha terminado.
Nesse momento os meninos quase caem de tanto que riem e a garota sem sentir-se intimidada diz:
- Mas quantos anos você acha que eu tenho? Dezoito?
- Na verdade achei que era mais.
- Mais quantos? Vinte e quatro? Tenho cara de velha?
Ai meu coração! Nessa hora tive vontade de levantar e dizer, velha é a mãe! Mas olhei para o lado, minha amiga se encolhia no assento de tanto rir e eu pensando, ninguém merece!
Então, comecei a pensar no quanto essa questão de idade é relativa. Quando tinha meus dez anos nem pensava no que seria do meu futuro, mas como adorava pentear minhas bonecas, achava que com dezoito anos seria uma cabeleireira famosa. Aos dezoito prestes a iniciar a faculdade imaginava que quando tivesse vinte e seis estaria casada e feliz. Aos vinte e quatro estou feliz, mas solteira e penso que aos trinta quem sabe consiga planejar um casamento. E é assim mesmo, para uma criança ter vinte ou cinqüenta anos é a mesma coisa, mas para os adultos um ano a mais faz muita diferença.
Lembro-me de um dia que perguntei para uma criança que atendo quantos anos ela achava que eu tinha e sem pensar muito ela respondeu: trinta e nove. Caramba! Então, eu disse: quase, um pouco menos e ela arriscou: dezoito? Peguei-a no colo e sorri, é quase isso, um pouco mais.
Claro que não foi muito agradável ser considerada velha aos vinte e quatro anos, mas acredito que a idade está no dia-a-dia. O que você já viu, as experiências que teve, as coisas que conquistou e as que perdeu, os começos e os desencontros, as pessoas que conheceu e aquelas que esqueceu, o pôr-do-sol e o luar que presenciou, tudo isso é que constrói sua história e sua idade.
Nossas rugas e cabelos brancos são criados por nós, com o sofrimento antecipado sem necessidade, com o stress nosso de cada dia, com as tempestades em copo d’água, com as briguinhas e intolerâncias.
Ser jovem e feliz depende única e exclusivamente de nós. Acredito que devemos ser como as crianças que não se importam com o tempo, ou com os problemas que para elas sempre tem soluções.
Sorrir mais e preocupar-se menos é ingrediente essencial para o elixir da longa existência, e isso repito em voz alta para que eu ouça também. Aproveitemos intensamente nossos dias, sejam eles de chuva ou de sol, com certeza, valerá à pena!

5 comentários:

dinloc disse...

Adorei!!!
Vc está cada vez melhor, Ta!

Tb acho muitas das rugas que passamos a ter são marcas da forma como lidamos com nossos conflitos. No dia-a-dia é difícil lembrar q a felicidade não é a ausência de conflito e sim a habilidade que temos pra lidar com ele. O jeito buscar sorrir mais. Cadê minha cerveja? uahuahauhah


beijoos

t adoro

Anônimo disse...

Oi Tá! Simplesmente, sensacional! achei incrível o fato da criança não saber diferencias as idades, principalmente naquela parte que o " pouco menos" pra ela é "dezoito!" um grande abraço
Fernanda Passos MG

Tio Dê disse...

Olá Taline...muito boa crônica

Acredito que quando referenciamos a idade, o tempo se torna muito relativo, pois quando admiramos a maravilha de uma estrela numa noite escura de inverno, não podemos nos esquecer que esta talvez já tenha morrido a milhões de anos-luz... então, o que seria vinte e quatro anos terrestre?
ABRaço

Taline Libanio disse...

Pois é meus queridos...o que nos resta é sorrir, por mais que doa, por mais que nos estabaquemos em tantas situações, o que nos resta é sorrir! Sorrir, sem nos importar com quanto tempo dura vinte e quatro anos ou com quanto tempo dura um "pouco mais" ou um "pouco menos", o fato é que devemos fazer cada segundo durar o tempo suficiente para que tenha valido a pena, para que tenha ao menos nos deixado algo de bom!

Obrigada pelos comentários!

Bjinhos!!

PS. Dé..sua cerveja tá aqui ou em qlqr bar que tenha espaço para horas de uma ótima conversa..rsrs

Paulo disse...

Não ligo para a idade. Para ser sincero quando te vi não imaginei que tinha 25 anos. Para mim voce fazia faculdade so fiquei sabendo que era mais velha quando disse que trabalhava. Pra mim voce tem uma aparencia jovem e linda! Não importa quantos anos voce tenha, ainda vou te amar, independente de sua idade ou cabelos brancos!
Te amo!