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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Garçom, um pouco de justiça, por favor!


Um dia você acorda e está tudo bem. Respira bem, come com prazer, dorme com tranqüilidade, estuda, trabalha e se aventura a frequentar ambientes que deveriam te distrair. No outro você está sentindo o gosto amargo do sangue na boca, perdendo o sono, a capacidade de se concentrar e com medo de colocar o pé para fora de casa.
Vivemos em uma sociedade onde a vontade individual prevalece, onde regras são quebradas e injustiças são sacramentadas como exemplos.
Não sei quanto a vocês, mas eu já estou farta de tanta injustiça. Basta colocar o pé ou o nariz para fora das grades que nos prendem em nossas próprias casas, para sentir o cheiro podre da impunidade.
Semana passada, presenciei algo que me deixou enjoada e trêmula, sentindo medo e impotência, presenciei minha vida e a vida de muitas outras pessoas na mão de um indivíduo sem bom senso ou diria ainda, sem senso algum.
Sábado à noite, em um bar de classe média, na companhia de alguns amigos, rodeada por casais, crianças e algumas famílias. De repente um empurra empurra, um homem sangrando, com uma arma na mão. Outra discussão, mesas jogadas no chão, pessoas gritando, mulheres chorando e meu coração na boca. Debandada em busca de uma saída, já que a principal estava impedida, saltos quebrados e correria. Acabamos saindo aos pulos pela grade lateral, com medo de levar um tiro ou acabar atingido no meio daquela confusão. A sensação de alívio de ter saído dali bem, só não foi maior que o medo que senti.
Sair para colocar a conversa em dia, conhecer gente nova ou simplesmente distrair-se se tornou uma audácia de grande risco.
Presenciei há pouco tempo, nas páginas dos jornais dois casos de jovens que saíram para se divertir, abandonando um pouco a rotina do trabalho e estudos, tentando encontrar algum momento de distração e retornaram para casa carregados, onde ainda encontram-se sob os cuidados dos pais, reaprendendo a falar, a andar e a viver.
Qual o crime que cometeram? Livre arbítrio. Um deles havia negado um copo de bebida, o outro havia estendido um sorriso para uma garota que sem placa de identificação retornou o olhar, mas era comprometida.
A barbaridade dos atos me deixou assustada, contudo, a argumentação de estar em uma cidade grande, me permitiu erroneamente banalizar os atos e transpor a manchete do jornal, sem relembrá-la no dia seguinte.
No entanto, quando soube de caso semelhante na pequena cidade, onde muitos dormem de janelas abertas e onde os galos cantam ao alvorecer, senti vontade de chorar.
Impotente, foi assim que me senti. Sem forças, sem voz, sem coragem. Apenas com um impulso súbito de ver a vítima, olhar nos seus olhos, lhe dar um abraço e rir do que nunca teve graça, numa fuga majestosa da impunidade.
Sinto-me revoltada e gostaria de saber quem de vocês já se sentiu injustiçado alguma vez, quem já se sentiu traído ou invadido em sua honra?
Pode ser um insulto ou uma coação no trânsito, a traição de um relacionamento ou um ato de violência e covardia que te obrigou a abdicar do ato de defender-se e expressar-se. Pode ser um empurrão no jogo de futebol, uma surra na saída de um bar ou quiçá uma acusação mentirosa. O ato em si não importa, mas sim a sensação que nos provoca.
Revolta. Impotência. Injustiça. São sentimentos que só surgem quando provocados e para serem sanados necessitam do posicionamento de outros, sejam eles representantes da lei, donos de estabelecimentos, pais de filhos sem caráter, educadores ou simplesmente testemunhas de atos improcedentes.
O fato é que somos constantemente vitimizados e revitimizados ao não termos um retorno justo do dano sofrido. E aqui não falo de dinheiro ou reposição de bens materiais, falo da restituição da liberdade e da qualidade de vida.
Para tanto, creio que bem antes da mudança de nossas leis e formas de punição será preciso reconstruir o conceito de humanidade, incluindo-se seus valores morais e éticos, pois deles dependem nossa existência e deles brotam a possibilidade de um mundo mais justo e equânime.
Até lá que se deem voz aos injustiçados e calem-se os covardes, pois meu bradar já proclama um basta: chega de impunidade!

2 comentários:

Marly disse...

Oie!!!

Interessante sua cronica.
Mexe com o que vivemos no cotidiano todos os dias.

Penso q não é reclamando a toa que mudaremos o modo do mundo.

Devemos é clamar por um mundo melhor.
Comecemos com os mais próximos de nós.

bjus no seu coração.

Alexandre disse...

Esse tipo de atitude sei que è mto comum em cidades gdes, ja passei mta raiva e medo tb qdo morava em Sao Paulo, e pelo q sei infelismente essa violencia esta avançando rapidamente nas cidades`pequenas. Levo alguns anos ja fora de Brasil e confesso q faz mto tempo q ñ sinto medo, raiva sim, pq esse tipo de noticias de violencia e q o Brasil è um pais de injustiças chegam quase q a diario por aqui, o q è uma pena, e por isso me da raiva. Q o rio bai sediar as olimpiadas, 3 paginas do jornal, agora q os traficantes derrubaram um helicoptero da polica, manchete de primeria pagina. E assim è a imagem do nosso paìs para mta gente aqui, um pais corrupto, violento e onde a justiça ñ prevalece e nunca prevalecera...espero q isso um dia mude e entao possa dizer com orgulho, com mais orgulho, Patria amada Brasil...