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domingo, 21 de junho de 2009

Supermercado é isso!


- Ah mãe! Aqui é o supermercado! Eu não quero ficar aqui! Você me enganou!
Foi essa a fala que ouvi logo que entrava no dito recinto, palavras vindas da boca de um garoto loiro, de seus 5 anos, que enquanto verbalizava sua vontade se jogava no chão e se debatia, fazendo a famosa e engraçada “birra”.
Nunca imaginei ouvir isso da boca de uma criança, lembro que quando era criança adorava ir ao supermercado com minha mãe, claro que tinha dias, principalmente nas “compras de mês”, que tinha vontade de voltar para casa depois de ter andado por todas as fileiras e, já estar com as pernas doendo naquela fila imensa. Mas no geral, gostava de ir às compras, e olha que naquela época nem existiam hipermercados, mas a parte de doces e guloseimas já me bastava.
Foi por isso que me impressionei com a atitude do garoto, que parecia ter sido levado para a cadeira de dentista ao invés de uma doceria. Talvez porque ele soubesse bem as estranhezas daquele lugar, e mais ainda, talvez por já ter presenciado muitas vezes as reações adversas que aquele lugar provoca nas pessoas. Eu já havia presenciado tais cenas, mas nada como hoje.
Segunda-feira, dia repleto de obrigações, cobranças, readaptação à rotina e aquela vontade de chegar logo em casa, tomar um banho longo e dormir, contudo, é o dia em que você, depois de ter adiado o final de semana inteiro, já não pode mais deixar faltar o detergente na pia e o arroz na despensa, então, no final da tarde você ainda precisa ir ao supermercado.
Como outras dezenas de pessoas que ali estavam, perambulei por algumas prateleiras com uma cestinha na mão e a lista de compras na outra, pois, tinha lido em uma revista que a melhor maneira de se fazer economia é levar a lista feita nas compras, assim, você consome só o que está realmente precisando. Tudo bem que o quindim não estava na lista, mas me fez lembrar o real motivo do porque gostava de ir às compras e não resisti a saboreá-lo.
Mas enfim, compras feitas, hora do caixa. Fila à vista, claro. Dirigi-me ao caixa rápido, onde uma placa bem visível indicava: no máximo 10 volumes. Mas creio que além de mim, poucas pessoas respeitam placas, em todos os guichês, bem mais de 10 produtos e aquela morosidade. Mas quem espera sempre alcança e comigo não seria diferente,
Na minha frente uma senhora que decidiu, não sei por que motivo, comprar uma coleira, justamente hoje. Pode ser que o cachorro dela tenha fugido no final de semana ou ainda que ela o tivesse comprado bem no domingo e precisava urgente daquela coleira, o real motivo não sei, mas sei que ela me atrasou uns longos 15 minutos.
A tal coleira, vermelha de couro, estava sem o código de barras. Ao se deparar com o produto, o caixa, um rapaz de uns 20 anos aproximadamente, corou, deu uma respirada funda e acionou um botão que fez uma luz se acender bem em cima da sua cabeça. Não, ele não teve uma idéia brilhante, estava no aguardo do fiscal para indicar-lhe o preço. Aliás, deixo aqui uma crítica construtiva aos donos de supermercado, não é a primeira vez que me deparo com uma situação desta, acho que todos os caixas deveriam ter uma listagem com os códigos, especialmente destes produtos quase esquecidos nas prateleiras, que acabam por ter a cola da etiqueta vencida e ficam sem os preços.
Mas enfim, não bastasse a espera, ainda tive que ficar escutando um senhor, bem atrás de mim na fila, dizendo o tempo inteiro em alto e bom som:
- A mulher foi buscar o preço na fábrica?!
Eu olhei para ele, dei um leve sorriso e me virei. Enfim ela chegou e eu pude passar minhas compras. Nove produtos, quase cinqüenta reais, a sensação de estar sendo assaltada e logo “Murphy” reaparece:
- Senhora, o sistema caiu, gostaria de pagar em dinheiro?
- Sinto muito rapaz, só trouxe o cartão, vou ter que aguardar ou desistir da compra.
O caixa por um instante perde a cor e em seguida começa a ruborizar-se do pescoço até a ponto das orelhas.
- Vou solicitar a máquina adicional senhora, só um instante.
Perdido por perdido, decidi esperar, contudo, nem todo mundo estava com a paciência divina naquela segunda-feira, especialmente o senhor atrás de mim na fila, que quando percebeu o que havia acontecido iniciou a cena mais patética que já vi.
- Mas este supermercado é uma bosta! (Queridos leitores, perdoem o termo, mas utilizar um sinônimo ou palavra equivalente seria perder a riqueza daquele surto). Que porcaria! Vocês não servem para nada!
Gritou, gritou e repetiu as frases por umas três vezes pelo menos, até que no ápice da sua loucura, abriu os braços deixando cair todos os produtos que levava, sapateou em cima dos pacotes e saiu, tão vermelho quanto o caixa, que agora já havia corado até a testa.
Senti-me no filme “Um dia de fúria” e logo em seguida no seriado “Chaves”, vendo o seu Madruga pisotear o chapéu. Fiquei constrangida, mas não tanto quanto o rapaz do caixa. Agachei-me, recolhi alguns produtos que ainda estavam inteiros, passei meu cartão na nova máquina que acabava de chegar, ao mesmo tempo em que a moça da limpeza se aproximava, e fui para casa.
Cheguei com aquela sensação de estranhamento, sem definição de sentimentos. Esquisita apenas. Fui tirando os produtos da sacola e logo me lembrei do garoto na entrada do supermercado. Agora entendo o porquê da “birra” daquele garoto.
Estamos propícios a enlouquecer dia e noite, rodeados pelo caos, pelo estresse da rotina, do trabalho, do marasmo. Não culpo aquele homem, mas a partir de hoje me policio, evito as filas de supermercado, entro neste local com a mesma angústia do garoto loiro, de 5 anos, afinal, qualquer pessoa é capaz de enlouquecer, mesmo com as melhores e mais inocentes intenções.

Um comentário:

Willi disse...

Incrível o texto! Como medida de precaução vou chamar sempre uma amiga para me acompanhar, alguém tem que conter minhas loucuras.