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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dia das Meninas Esporte Clube


Há pouco mais de um mês, aderi à idéia de uma amiga e me filiei ao “Dia das Meninas Esporte Clube”. Não, não é um clube de campo, nem um clube aonde você vai se exercitar fisicamente, ou fazer pique-nique com a família nos feriados. Na verdade até aproxima-se um pouco disso, mas não é assim um Clube, é só um Clube.
Com certeza na sua época de infância já deve ter participado deste tipo de Clube, clubinhos fechados, onde só entravam meninos ou meninas e onde existiam várias regras: Aqui você pode falar palavrão, soltar pum e comer todo o chocolate que aguentar. Aqui você não pode estudar, olhar para a irmã do próximo e entrar se não tiver a senha.
Ah! A senha. Maldita senha que mudava toda semana, se faltasse a um encontro que fosse tinha que pagar um mico daqueles para conseguir a nova senha, isso quando ela não era o resultado de algum jogo de lógica, que você, simplesmente, não entendia.
Mas enfim, o “Dias das Meninas Esporte Clube”, ao qual chamamos carinhosamente de “Dia das Meninas”, surgiu da reunião de poucas, mas verdadeiras amigas que devido à rotina estressante e enlouquecedora do dia-a-dia não tinham tempo nem de pegar o telefone e dizer: oi amiga, estou viva. E isso não é exagero, ficávamos tanto tempo sem nos ver que uma das meninas que era morena ficou loira, a outra que era solteira casou-se e nós nem ficamos sabendo das peculiaridades dessa nova rotina.
Certo dia, conseguimos finalmente nos reunir e decretamos oficialmente o “Dia das Meninas Esporte Clube”, restrito às mulheres, que são amigas fiéis e leais e a quem você pode contar tudo, eu disse tudo. Não há segredos no “Dia das Meninas”, não há proibições ou censuras. É o dia reservado para a mais deliciosa e verdadeira fofoca.
É o momento que temos para falar bem ou mal dos namorados, maridos, pretendentes e daquele moço bonito que você esbarrou na fila do pão e que provavelmente nunca mais verá, mas que mexeu profundamente com você. Vale falar dos ex-namorados, dos colegas de trabalho, dos chefes, do síndico e da vizinhança, sem contar dos planos para as férias ou simplesmente para o próximo final de semana. É um espaço reservado para terapias em grupo, para discutir relações de afeto e amizade, ouvir conselhos, críticas, sugestões, elogios e, sobretudo, para tomar decisões.
Decisões. Esta é uma palavra chave do “Dia das Meninas”. Conversando com suas amigas, você descobre que sempre é hora de fazer escolhas e tomar decisões, decisões a seu favor e contra coisas e pessoas que te irritam profundamente. É hora de decidir-se sobre o fim de um relacionamento, ou sobre a possibilidade de entregar-se a um novo amor. É hora de criar coragem e pedir demissão do seu trabalho, ou quem sabe um belo aumento, ou ainda, fazer as malas e sumir para bem longe por alguns dias. E como é fácil tomar essas decisões quando se está em ótima companhia, como é fácil decidir-se quando você ao mesmo tempo em que leva puxões de orelha, também ganha colo.
O objetivo do “Dia das Meninas” é basicamente esse, você conseguir, mesmo que por uma noite, tomar suas decisões. Mesmo que depois de passar o efeito da cervejinha, ou depois de feita a digestão das gostosuras culinárias que acompanham esse momento, você se levantar e for embora certa de que no dia seguinte vai acordar e trabalhar como sempre. O importante foi que você conseguiu, mesmo que por um segundo visualizar seu futuro mais feliz, diferente e teve apoio pra isso. Creio que é assim que começam a realização de sonhos, com a mera capacidade de sonhar.
Mas por que estou dizendo isso tudo? Porque não há em uma reunião sequer que alguma de nós (senão todas) queira mudar algo em nossas vidas. Neste feriado de Páscoa, o encontro das meninas foi “exportado” para minha cidade natal, e mesmo em outra cidade, com outras meninas, com outras vivências os assuntos não foram muito diferentes.
Desilusões amorosas, insegurança no trabalho, namorados ciumentos que simplesmente não admitem uma mulher no bar com as amigas sem a sua companhia. Aliás, me sinto na obrigação de reforçar essa inquietante questão: por que os homens continuam a achar que tem mais direitos do que nós mulheres? Eles já não pagam mais as nossas contas, não criam nossos filhos e ainda se acham no direito de nos proibir de fazer algo que nos faz tão bem? E por que isso?
Creio que por simples e pura insegurança, mas eles jamais admitiriam isso, então, mulheres, não dêem ouvidos. Saiam sim com suas amigas, tirem um dia, uma tarde ou uma noite que seja para falar bobagens, dar risadas e esquecer dos seus compromissos, dos seus medos e daquele chato que vai estar te esperando com um bico enorme, mas tudo bem, você supera, igual a ele existem homens aos montes por ai, mas igual a você não, você é única.
Um cardiologista essa semana me disse que até uma panela de pressão precisa de uma válvula de escape e que eu precisava encontrar a minha, e sabe o que pensei no mesmo segundo? Eu já tenho a minha válvula de escape.
A minha melhor e mais segura válvula de escape é a minha liberdade. É ela quem me dá a possibilidade de concretizar sonhos, conhecer novas pessoas, tomar decisões, falar o que penso, sorrir e chorar sem censura, reunir as amigas verdadeiras e rir das piadas até o dia seguinte, sem medo de ser criticada.
Assim, deixo aqui essa sugestão, criem o seu “Dia das meninas (ou Meninos) Esporte Clube”, mas não se esqueçam de que a única regra inviolável para fazer parte deste grupo e que deve ser mantida sempre é ser livre...

7 comentários:

Taline Libanio disse...

Em homenagem as amigas fiéis e leais que colorem minhas quintas-feiras com suas gargalhadas, decisões e por que não, lágrimas...Especialmente para Aline, Fernanda e Rosi que comigo, fundaram o "Dia das Meninas Esporte Clube", com filiais em São José do Rio Pardo também, não é Day, Mi, Bruninha, Taci e Drica?rs.
Beijos saudosos!

Anônimo disse...

Até enfim escreveu um texto pra nós né ? Tô brincando querida, adorei, é a pura verdade, já faz tempo que homem não manda mais em nós, tem uma frase de Shakespare assim : "Fragilidade, o teu nome é mulher!". Que sinceramente saiu de moda faz tanto tempo e ficou ridículo pensar assim. Querida um grande bj

Drica Lupianhes

Michela disse...

Oi Taline....

Bom... adorei o texto, gosto muito das suas crônicas, já me identifiquei com muitas delas..rsrsrs

Acho que somos livres e aprisionados ao mesmo tempo, criamos em nós tantas barreiras que no final pensamos ser as outras pessoas responsáveis pelo que estamos sentindo. Cada vez que você percebe que tem que deixar de ser você mesma porque o outro tem acesso as suas decisões você corre o risco de ser roubada de você mesma, é muito facil que alguém nos roube de nós mesmas para nos levar o que temos de mais precioso, a nossa LIBERDADE, passamos por essa experiência e nem nos damos conta disso, mas não estamos condenados a morrer nas neuroses que criamos dentro de nós. Eu já vivi isso na minha vida e hoje entendo que a escolha está dentro de nós, nós é quem vamos decidir se queremos ser LIVRES ou PRISIONEIROS.

Desejo que ninguém nos ROUBE nessa vida e que sejamos LIVRES.

Volta logo pro nosso proximo "dia das meninas"...rsrs

Beijos...

Michela

Fernanda disse...

Tá... que delícia ler seu texto e recordar os diferentes clubes de meninas de minha vida! As amigas de infância, as amigas da facul, as irmãs-amigas ou amigas-irmãs, enfim... todas elas, queridas, especiais e sempre presentes! Mas me recordei especialmente de um "clube" atual, e aí vai um abração pra elas, que são: Taline, Rosi, Aline, Rosi, Aline,Taline e tem também a Taline, a Rosi e a Aline!!! Acho que lembrei de todas! Adoro vcs!!! Bjos... Fer

Aline disse...

Enfim consegui passear pelo seu blog com calma e me deliciar com as hisórias que, acreditem ou não, faço parte de algumas várias delas; seja pelo real acontecimento e presença ou pela identificação certeira com tudo que você escreve! Mas... esse texto... tem um sabor especial de RESGATE. Resgate sua infância, resgate seus melhores amigos (mesmo que naqueles que vc descobriu agora ou deixou-se descobrir! rs), resgate sua vontade de rir e de falar asneiras, resgate seu amor próprio, resgate de um objetivo para se passar a semana, resgate a cidade onde teve que aprender a viver, resgate... Minha sorte sempre foi que em todos, mas todos os momentos, tive amigos verdadeiros a ponto de ouvir meu silencioso SOS! Por isso, eu digo OBRIGADA por vc Taline, Fer, Rosi, e tem tbm a Rosi, eu, vc, a Taline, e se quiser tbm pode chamar a Rosi, a Taline, a Fernanda, eu e VOCÊ e tem tbm... Bjbjbj

bruninha disse...

taline adorei sua cronica sobre o dia das meninas,e outras q andei lendo. ja passou da hora dos homens saber q temos o msm direito q eles nao temos mais q ser so donas de casa e fazer so o q eles querem... mil bjs e volta logo p o proximo dias da meninas... bruninha

rosiclerls disse...

Oi, Taaaaaaaa
Finalmente consegui ler mais este maravilhoso texto, já te disse que você escreve muito bem e seus textos me emocionam, me fazem rir, lembrar do passado, rever o presente e pensar no futuro. Isso porque vc escreve com a alma e coração!!!
O Dia das Meninas é ótimo, é o dia mais esperado da semana... Onde será o próximo???
Não esqueça de chamar a Fer, a Aline, você e eu, ou senão pode chamar a Aline,você a Fer e eu, ou senão...CÊS SÃO BESTAS HEIN....
Bjos amiga!!!
Rosi