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sábado, 12 de julho de 2008

Zé Pequeno


Era uma vez Zé Pequeno. Zé de José Augusto da Silva e Pequeno por diversos motivos. Nascido em uma pequena cidade do interior paulista, aos 10 anos de idade Zé Pequeno mudou-se para a cidade grande. Mudou de uma casa grande para uma pequena casa na grande cidade, deixou grandes amigos e conquistou uma pequena vizinhança com poucos conhecidos.
O tempo foi passando e Zé Pequeno mudando. Mudou de tamanho, de colégio, de amigos, mudou de idéias. Cresceu um pouco, mas não o suficiente para ser chamado de Zé Grande, continuou Zé Pequeno, pequeno de tamanho, mas com grandes idéias.
Zé Pequeno pensava grande, tinha uma grande mente. Tirava grandes notas no colégio e fazia algumas maldades pequenas. Começou a trabalhar ainda moço, num emprego com salário pequeno, época em que conquistou algumas namoradas que ele assegurava amar grandemente.
Com o tempo, parou de crescer no tamanho, dando assim mais espaço para suas grandes idéias. Zé Pequeno tinha valiosas idéias, mas um caráter pequeno. Causou, por esse motivo, grande mal para muitas pessoas, inclusive para aquelas que ele considerava grandes (amigos, amores...).
Zé Pequeno tinha pequenas qualidades, gostava de estudar e não negava o trabalho, era gentil com sua família e gostava de animais. No mais, se destacava por seus grandes defeitos. Contava mentiras grandes e inventava pequenas desculpas, com arrependimento menor ainda. Iludia as moças com grandes promessas e em pouco tempo partia em busca de outro grande desafio. Zé Pequeno adorava um desafio, quanto maior melhor, e para superá-lo faria qualquer negócio, grande ou pequeno, não se importando se doeria muito ou pouco no coração ou no bolso de alguém, ele ia lá e fazia.
Tinha uma grande ambição que o fazia dar grande valor às coisas “grandes”. Adorava mais que tudo seu carro e a mansão que acabara de construir, gostava mais ainda do salário grande que agora recebia. Só que coitado do Zé Pequeno, lutou tanto para ser grande que acabou esquecendo de dar valor maior às “pequenas” coisas dessa vida. Zé Pequeno nunca havia sentido o cheiro da terra molhada, nem olhado para o céu numa noite de lua cheia, nunca parou para olhar um beija-flor ou sentir o perfume de uma rosa, mas pior que isso tudo, não sabia amar. Zé Pequeno nunca amou de verdade, e nem sabia que gosto tinha esse sentimento porque como ele mesmo dizia era bobagem.
Creio eu, que na verdade, ele sempre quis amar, mas tinha medo de mostrar-se pequeno, frágil, impotente e ser desmerecido, mal sabia ele que os pequenos homens, aqueles considerados mais sensíveis são os que geralmente deixam marcas eternas nos corações de grandes mulheres. Zé Pequeno era tão minúsculo paras as coisas do coração que quando sentia um nó na garganta, tratava de amolar a tesoura para cortá-lo, lágrimas ele não admitia – era coisa para fracos, exceto quando precisava usá-las para ganhar um desafio, aí elas escorriam feito chuva em sua face. Zé Pequeno era um grande ator, encenava a própria vida e escolhia seus coadjuvantes.
Um dia, certo que estava de ser grande em tudo, resolveu apaixonar-se para sentir o gosto disso, mas não conseguiu, porque seu caráter e sua coragem eram pequenos demais pra deixá-lo amar. Coitado do Zé Pequeno morreu sem nunca ter provado o amor. Morreu sozinho, com uma grande quantia de dinheiro no banco, sem nenhum amigo, em uma tarde vazia e chuvosa na pequena cidade do interior paulista, onde fora enterrado por um coveiro sem nome, mas com um coração grande, que com muito esforço escreveu na sua lápide: “Aqui jaz Zé Pequeno, o homem que comprou tudo o que era grande, menos o amor”.

2 comentários:

Alexandre disse...

Sao seus pequenos gestos que te fazem ser uma grande mulher, uma grande amiga e meu eterno amor...
Tenho um coraçaozinho pequeno e nele esta escrito bem grande "Taline"
Parabens mais uma vez, lindo, lindo, lindo.

Anônimo disse...

O grande barato da vida é olhar pra trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o Aqui e Agora!
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o bolo sola, o pneu fura, chove demais.
Mas... pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Às vezes se espera demais das pessoas... Normal!
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou... Normal!
Todos nós devemos transformar tudo em uma boa experiência.
O nosso desejo não se realizou?
Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento!
Apesar que me lembro de uma frase que dizia:
Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade.
Mais tudo bem.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso.
Acredito que ou nos conformamos com a falta de algumas coisas, ou nos esforçamos para realizar todas as nossas loucuras... se eu fosse você... ficaria com a última.
Mas seja forte o suficiente para enfrentar os obstáculos.
Paciente para saber esperar o resultado!
É capaz de reconhecer, no final de tudo, seu esforço e ver que ele não foi em vão.
No final de cada jornada (a vida é cheia delas) olhe pra trás e enxergue uma vida maravilhosa, cheia de alegrias, viagens, sorrisos, amores, paixões, beijos, abraços, amigos, realizações e conquistas.
Tenha inúmeros bons momentos dos quais relembrar; veja o pôr do sol e o seu nascer; tenha também momentos difíceis (eles nos ensinam a crescer).
Tenha noites de insônia, daquelas que acabam virando momentos refletores da nossa vida.
Tenha noites de poucas horas de sono, por causa daquela tão esperada balada.
Ao olhar pra trás veja que cometeu loucuras em certos momentos, mas que também agiu com consciência em outros.
A vida precisa de um pouco de equilíbrio.
Chore quando for preciso desabafar aquela agonia incontrolável.
Se sinta cansado, exausto de tanto pular, gritar, dançar e cantar...
E que no fim da noite você pense: VALEU A PENA! O Zé Pequeno definitivamente não entendia isso... Drica Lupianhes