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domingo, 20 de março de 2011

Amar é preciso!


Teria sido apenas mais um final de semana comum, alguns dias de descanso e sossego, não fosse pelos olhos verdes que me acompanharam por todo o percurso.
Poderia ter sido apenas mais uma paixão sem limites, intensa e possivelmente passageira, não fossem pelos quatorze anos de espera que fizeram prontidão a cada dia.
O tempo passou lento e me fez aproveitar cada gesto, cada palavra, cada emoção, com uma intensidade tão ímpar que me deixou caixas de recordações.
O medo de mais uma decepção, a vontade de me esconder do mundo e ficar sozinha desapareceu. Substituído por um sorriso largo e um aperto de bom dia, hoje me faz acreditar em sonhos reais.
A ordem se instalou no meu caos.
Recomeço a sentir vontade de fazer planos, agora consigo colori-los de forma nítida, sem talvez ou quem sabe. Brotam em mim vontades que já me engoliram e foram sucumbidas e hoje se renovam objetivas, claras e palpáveis.
Tão palpável quanto a areia fina no meu pé e o vento quente que batia forte em meu rosto. Tão claro quanto o tom daquela pele que refletia luz no sol e me fazia acreditar que estava na companhia de um anjo.
Um anjo, sem asas. Humano ainda, com acertos e erros. Com passado, com histórias e medos. Com presente e o mais incrível, em busca de um futuro. Coisa rara nos dias de hoje e tão simples nesta ocasião.
Descobri nos últimos dois meses que realmente ninguém morre por amor, e nem mesmo da falta dele, mas que amar é preciso!
Descobri diante do céu azul uma chance de recomeçar, não mais com sonhos ímpares, não mais sozinha, mas a dois, com planos pares.
Os dias já não são os mesmos longe do roçar da barba que tanto me incomoda, passam lentos, sem muita graça, ávidos para que os ponteiros se acelerem até o fim de semana.
A saudade agora não é carregada de ciúme ou medo, tornou-se cúmplice dos corações vazios, carregados apenas de lembranças e cheiros, de gestos e apreços, distanciam-se mudos, calados, num aceno de adeus que esconde a vontade de mais um abraço apertado.
O mar gelado me fez acordar de um sonho estático e me mostrou na realidade dinâmica um pedido de namoro a beira mar. As pegadas na areia construindo uma nova história, cheia de idas e vindas, pronta para as reticências e entrelinhas.
Meu coração transborda amor. Tanto, tanto que nem sei explicar. Um amor novo, puro, seguro e leal. Capaz de me trazer de volta sonhos bons e quereres antes nunca imagináveis.
É este amor que tenho cultivado no meu coração cheio de cicatrizes. É deste amor que tenho me consumido para dizer aos quatro ventos que não tenho mais momentos de felicidade, pois sou feliz.
Feliz, simples assim. Na companhia de um anjo sem asas, que em pouco tempo já deixou sua marca, não na pele, mas na alma, tão forte quanto a promessa de dias melhores, tão duradoura quanto tatuagem...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Solta o som?!


Confesso que havia me esquecido da sensação desconfortável e ao mesmo tempo deliciosa de andar de ônibus. Gosto de estar entre as pessoas, especialmente entre pessoas que não me conhecem. O fato de não precisar sorrir o tempo todo, ou de não correr o risco de ser questionada sobre como vai minha vida a cada segundo me tranquiliza.
Não que seja contrária a falar sobre mim, falo até demais e isso tem me feito rever inclusive algumas concepções, mas estar entre desconhecidos me desperta a possibilidade de simplesmente fazer e pensar em nada.
Nessas ocasiões não me preocupo com minha postura, com meu cabelo, com a roupa que estou vestindo, muito menos se pareço simpática ou não. Como tenho fama de sisuda e já ouvi isso de muitas pessoas, aproveito-me da minha cara brava para evitar qualquer início de conversa que possa desviar minha atenção do que existe de mais rico em um ônibus: as pessoas.
Na semana passada precisei me deslocar do meu local de trabalho e fiz questão de utilizar o ônibus. Pode parecer mentira, mas andei sentindo falta do contato com as histórias alheias depois que abandonei minhas andanças pelo coletivo urbano.
E quando digo que gosto de me inteirar das conversas de outras pessoas, não é por simples curiosidade, tento tirar de cada frase uma lição para a vida, para a minha vida. Desta vez a lição não veio de uma palavra, mas de várias e ao mesmo tempo de nenhuma...
A viagem ia tranquila até entrar no ônibus um jovem, de uns vinte e poucos anos, vestindo uma camisa de time de futebol, uma calça cheia de bolsos, boné na cabeça e um celular na mão.
Sua presença foi notável. Entrou no ônibus e literalmente se fez ouvir. O celular estava ligado no último volume, tocava um funk do tipo “só as cachorras” que, se me lembro bem, tinha em uma das letras alguma coisa relacionada com pão e linguiça, o resto você pode imaginar.
O fulano sentou-se no banco atrás de mim e para melhorar a acústica do seu som, colocou o braço no encosto do meu banco, certo de que todos que ali estavam ocupando cada centímetro da condução lotada aprovavam seu gosto musical.
Esperei alguns segundos e não ouvi nenhum coro. Ninguém cantando junto com a música, a não ser o rapaz que mais parecia um autofalante ambulante. Comecei a deixar de pensar em nada e a pensar se era só eu quem estava incomodada com a situação.
Olhei para a pessoa que estava ao meu lado e percebi que segurava um livro de ponta cabeça - na certa não seria possível ler com aquele som ensurdecedor. Olhei para as pessoas que estavam em pé no corredor e vi dois olhares cúmplices de reprovação. Bem, até aqui já eram quatro, contra um.
Com certeza outras pessoas naquele ônibus lotado, às cinco da tarde, estavam ávidas para que aquele celular misteriosamente voasse pela janela, ou ficasse sem bateria imediatamente, mas nem uma coisa, nem outra aconteceram. Respirei fundo, olhando para o relógio tentando calcular, no meio daquela barulheira, o tempo que me distanciava da liberdade e do silêncio. Ao mesmo tempo travava um duelo sem desafiador na minha mente:
- Ei garoto! Já ouviu falar em fone de ouvido?
- Você acha mesmo que as pessoas gostam de ficar ouvindo essa sua música irritante às cinco da tarde em um ônibus lotado?
- Já ouviu dizer que sua liberdade termina quando começa a do outro?
- E que o silêncio é uma prece? Já ouviu?
Em meio a estas frases imaginava os demais passageiros aplaudindo e dizendo outras poucas e boas para o rapaz, que acabava descendo no primeiro ponto e deixando todos aliviados o restante do percurso.
Pode ser que alguém esteja pensando no por que desta conversa ter ficado apenas no meu pensamento, mas a verdade é uma só: a paciência é uma virtude. E tenho tentado me tornar uma pessoa mais tolerante (e consequentemente mais virtuosa) a cada dia.
A tolerância está no ouvir uma crítica e engoli-la a seco. Está em aceitar a diferença mesmo que isso signifique repensar conceitos e opiniões. Está em ouvir uma música que você nunca gostou e tirar alguma lição disso. A tolerância está, sobretudo, no respeito de ser e conviver entre humanos, tão unos em sua formação biológica e tão diversos em suas ações e sentimentos.
Para quem já passou por isso ou ainda terá a chance de passar, fica o convite a exercer a tolerância. Aos demais, creio que não é preciso muito esforço para utilizá-la, afinal até mesmo entre as pessoas que mais amamos e no lugar mais confortável desse planeta é raro um consenso, e quando este surge provavelmente alguém se apropriou da tolerância e da paciência para mediar as diferenças.
Dias repletos de boa música, de diferença e tolerância é o que desejo a todos nós!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eis o meu segredo...


Sai da academia radiante. Criei coragem de subir na balança depois de longos quarenta dias de exercícios regulares e quase não acreditei quando vi os ponteiros diminuindo.
Quase três quilos. Um recorde. Principalmente para mim que continuo comendo bem e já passei dos vinte e cinco. Como disse uma das professoras que me monitora: é a operação carnaval.
E é claro que emagrecer um pouco para entrar em um biquíni durante o carnaval na praia não é má ideia. Mas mais do que estar mais enxuta para o carnaval, me alegro por ter fôlego para subir o morro de casa sem nenhuma paradinha, e pela disposição para encarar as semanas, cada vez mais longas.
Não sinto mais dores nas pernas, meus pés não incham mais, consigo caminhar por mais de três quilômetros em um ritmo razoável sem colocar a língua para fora e ainda recuperei parte do meu guarda-roupa. Isso não é incrível?
Com certeza alguns de vocês devem estar pensando que além de entrar na academia sofri uma lavagem cerebral, afinal nunca fui fã de malhação e sempre defendi as gordinhas com toda veemência, coisa que garanto não mudou, assim como minhas convicções. Contudo, tenho que admitir que adquiri um novo olhar pela prática de exercício físico.
Meus amigos educadores físicos na certa ficarão orgulhosos de mim, afinal, sempre fui a primeira a levantar a bandeira do sedentarismo e abominar o culto ao corpo.
Mas depois da prática de esportes entendi que ter um corpo legal é só mais um detalhe, o bem estar que o exercício me provoca, a possibilidade de extravasar minha raiva numa aula de boxe, de renovar a mente na aula de yoga, de suar toda a raiva na esteira e ainda dar muita risada com os novos amigos que encontrei, isso sim é que faz toda a diferença.
Não entrei na academia para ficar magra, até por que gosto da minha silhueta e não quero que ela se transforme em um monte de pele e ossos, claro que queria perder um pouco de peso e isso já estou conseguindo, mas confesso que o que mais queria já consegui, me sinto saudável.
Corpo são, mente sã. É tão bom me sentir assim... Hoje, tive o prazer de conseguir transformar todas as preocupações do trabalho e pendências em suor e então pensei: por que não divulgar esta proeza?
Não estou dizendo que todos precisam entrar na academia e ficar suando até sumir, mas sim que é importante fazer algo que lhe dê prazer. Não gosta de esportes, faça aula de pintura, de fuxico ou jardinagem. Não tem dinheiro para fazer natação, faça uma caminhada com o cachorro ou um amigo bom de papo. Não gosta de esportes monótonos, faça trilhas ou um piquenique com a família. Não quer sair de casa, cante ou fotografe a vista da sua janela... É disso que estou falando: mente sã, corpo são.
Quando estamos de bem com a vida, ficamos bem com os que estão ao nosso redor e torna-se muito mais fácil olhar no espelho e dizer: caramba, você está bonitona hein?!
Acho que demorei para descobrir o elixir da longa vida...E hoje consigo entender perfeitamente todas as mulheres que mesmo acima do peso usam macacões justos e colados durante as aulas na academia e os homens que ficam olhando os braços nos espelhos de um lado e de outro.
A felicidade, aquela real e perene, está nos detalhes, no caminho e não no fim. Perder peso é só um passo, o importante é a movimentação, é sair do estado de conforto e provocar uma mudança, de preferência interna, pois com certeza ela transbordará.
O essencial, já dizia Antonie Saint-Exupéry, é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração.
Dias repletos de pensamentos sublimes, de realizações e de matrículas em novas atividades é o que desejo a todos nós!

Ilustração de: Gabriel Vicente.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uakti


A semana que se encerrou foi repleta de surpresas. Mudanças inesperadas, respostas mal trocadas e muitas perguntas sem resposta. Há quem diga que a vida é assim e ponto final. Há quem diga que a vida nos faz assim e ponto e vírgula. Há ainda, quem nada diz e faz da sua vida um emaranhado de reticências.
Nunca fui de não falar. Falo muito, pelos cotovelos, desde criança. E nem sempre me dou bem com minha tagarelice, por isso o tempo me ensinou a ser ponderada e a escutar mais do que falar, especialmente quando não se tem certeza do que se quer dizer, ou do tornado que uma palavra dita aqui pode causar no outro lado do mundo.
A mudança da última semana refletiu-se na vida de muitas pessoas, não só na minha e tenho que admitir que algumas consequências da transformação ainda não são evidentes, outras me assustam. O murmurinho geral me fez calar. Ouvir mais, respirar fundo e tentar entender todos os 28 lados da história que hoje para mim, ainda não faz tanto sentido.
Acontece que em um desses momentos de abstenção e escuta tive o prazer de ouvir uma história que me trouxe de volta a vontade de enxergar algo bom em tamanho incômodo. A lenda foi narrada por uma pessoa que transborda calma e acolhida, fiquei paralisada até a última palavra e por fim um arrepio invadiu meu corpo e me indicou a necessidade de transformar a incerteza em esperança, e é isso que pretendo aqui.
Aos que já conhecem a lenda, peço licença para mais uma vez reproduzi-la e para os que nunca a ouviram desejo que lhes cause a mesma sensação que me despertou, um novo olhar sobre as dúvidas e incertezas da vida, no meu caso, em especial, as da última semana.
A lenda narra a história de Uakti, um ser mitológico que podia expandir-se a qualquer altura, atingindo a superfície de um precipício facilmente. Tinha o corpo cheio de aberturas, que exalavam música ao se encontrar com o vento.
Uakti, com sua música encantava a todas as mulheres que o ouviam. O encanto era tanto que elas abandonavam filhos, pais, maridos, irmãos e caminhavam hipnotizadas em busca daquela melodia, caindo inevitavelmente no precipício onde se encontrava Uakti.
Inconformados com tanta perda, os índios de uma tribo resolveram se unir e trancar todas as mulheres em uma caverna, as impedindo de ouvir a melodia que as encantava enquanto planejavam um grande ataque ao Uakti.
Uakti foi atingido de todos os lados e sua altivez não foi suficiente para suportar a fúria da tribo. O ser se desfez em pedaços, e foi jogado no fundo do penhasco, respeitando o que ele mais gostava de fazer e indicando o fim daquele encantamento.
Enquanto a tribo comemorava, no fundo do precipício brotavam ramos de uma planta cilíndrica, longa e oca. Assustados com a possibilidade de ser uma maldição de Uakti, um pajé da tribo foi convidado a identificar que planta era aquela.
Cortou um ramo e para melhor entender seu funcionamento fez buracos dentro dela e depois de muito olhar soprou em seu interior e qual não foi sua surpresa ao ouvir ecoar um som semelhante ao produzido pelo Uakti.
O som, antes destrutivo, agora causava boas sensações e harmonia na tribo. Desde então, reproduz-se através de flautas de bambu o som do Uakti, lembrando às novas gerações da possibilidade de transformação e restauração plena de tudo o que há na natureza.
Esta lenda me fez pensar que mesmo quando o fim se apresenta, ainda existe a possibilidade de um novo ciclo ser iniciado. Mesmo na dor do rompimento, da mudança abrupta e incerta é possível transcender a música, é possível provocar harmonia.
Música essa que hoje pode não ser entendida, pode parecer dura e irreversível, mas que pode ser restaurada, a cada buraco feito no oco bambu, a cada sopro dado no caminho que se reapresenta. Música que pode embalar um novo começo, que eu desejo seja belo e acolhedor.
Reportando-me ainda, ao maravilhoso compositor Chico Buarque, arrisco-me ainda a lembrar: “amanhã, vai ser outro dia...amanhã há de ser outro dia”, e que ele se apresente azul, melodioso e capaz de provocar paz a todos nós, pois é tudo o que desejo neste momento. Um copo de paz, por favor!
E para quem gostou da lenda, um convite à música:

http://www.youtube.com/watch?v=B8OwgKuqYWM&feature=related

domingo, 16 de janeiro de 2011

O silêncio é uma prece...


Confesso que nunca acreditei que o fim pudesse ser sinônimo de um recomeço. Geralmente os finais são cheios de decepções ou daquele gosto de quero mais que custa a sair da boca.
Fechei recentemente um ciclo em minha vida e imaginei que encontrar uma nova saída demoraria meses, quiçá anos, mas desta vez não.
Sinto-me leve como há tempos não me sentia, estou comigo apenas e percebo que isso já me basta.
Chego a transbordar de calma e contentamento nos últimos dias e por vezes me pego surpresa perguntando: Para onde foi toda aquela insatisfação? Para onde foi a preguiça e a falta de vontade de ir trabalhar? Para onde foi o sono pesado que me impedia de fazer qualquer coisa e insistia em me arrastar para a cama?
Para onde foi meu mau humor e a impaciência que entoaram tantas discussões no último ano e aquela tristeza sem causa que ia e vinha sem prévio aviso? Para onde foi meu medo de recomeçar e aquela vontade de desistir de tudo?
Perguntas, perguntas e mais perguntas... todas sem resposta. Sem por que e nem pra quê. As respostas neste caso não importam. O que vale mesmo é a transformação e esta se deu por inteiro.
Ganhei uma tela novinha, em branco, onde posso rabiscar minha nova história de qualquer cor, sem medo de faltar espaço ou das cores não se encontrarem.
Tentei por alguns instantes, mas não consegui me lembrar da última vez que havia ficado sozinha e acordada no meu apartamento. Geralmente usava todos meus minutos para dormir e achava mesmo que estava fazendo um ótimo negócio.
Hoje, fiz questão de abrir a cortina da sala para observar a chuva. Deitei no sofá, agora com nova cor, desliguei a televisão, o computador e fiquei ali, no silêncio comigo e ninguém mais.
Para minha surpresa não me senti sozinha. Senti-me serena, em paz, capaz de qualquer coisa para me sentir assim para sempre. No silêncio dos meus pensamentos percebi que algumas coisas e pessoas me atormentavam e que a paz que sempre busquei, dependia apenas de mim.
Retirei da estante um livro ainda embalado, comprado há anos e que nunca havia sido folheado. Iniciei o primeiro capítulo e adormeci tranquila, com as letras nas mãos e o barulho da chuva lá fora.
O medo de não conseguir encarar a solidão foi infundado. O silêncio me abraçou forte, como uma prece e, desta vez, não me fez chorar.
Com certeza é o recomeço do fim. Um fim doloroso, triste, mas que me despertou para algo que havia me esquecido: “quem procura se completar no outro, está vazio de si”. A felicidade, aquela plena e contínua só pode ser compartilhada com alguém depois de cultivada e regada internamente.
Dias felizes! Dias silenciosos, sem culpa ou barulho é o que desejo a todos nós, pois é assim que me sinto hoje neste silêncio: Feliz, simples assim!










domingo, 9 de janeiro de 2011

Cada acorde em seu lugar...


Nunca imaginei dizer isso logo no início do ano, mas por ironia do destino ou simples conspiração do universo, as promessas de um Ano Bom que eu imaginava nunca iriam se realizar, já começaram a se cristalizar antes mesmo da virada do ano.
Fazia tempo que não me sentia tão viva, tão em paz, tão amada e tão capaz de amar. Um vento leve soprou no meu ouvido que para ser feliz eu só precisava querer e foi querendo que abri espaço em muitos caminhos e me encontrei onde menos esperava.
Ainda estou me acostumando a esta sensação de felicidade plena. Uma alegria tão intensa que é capaz de transpor barreiras e me fazer rir depois de horas de lágrimas ao me ver com o dedão do pé todo enfaixado em plena virada do ano.
Uma vontade tão forte de estar comigo, seja aqui ou acolá, que me faz gargalhar com as histórias mais simples e me mostra que levar uma criança para brincar no parquinho da praça pode me trazer um prazer indescritível.
Estou feliz sem cobranças, sem a imposição de que é preciso ser feliz. Minha felicidade extrapola o limite do querer. Uma harmonia tão interessante que me fez arrepiar por inteiro ao final da oração de ano novo, naquele círculo de mãos dadas com pessoas tão queridas.
Um sorriso que não cabe mais na boca, capaz de eliminar todos os medos e angústias. Capaz de curar todas as feridas e dizer ao tempo: Desta vez superei seu poder de curar feridas... Um sorriso que surgiu contagiante ao ver os fogos de artifício pintarem o céu negro, enquanto o Cristo redentor de braços abertos também parecia gritar “viva” ao ano que se iniciava.
Fui invadida por uma onda de amor que não me dá medo. Um amor que vagou perdido durante anos e hoje se apresenta maduro, forte e prático. Já não penso mais no futuro, no que pode vir a ser, apenas vivo o hoje, o presente, tão colorido quanto papéis de embrulho dos presentes de Natal.
Fiz as pazes com o espelho, com meu corpo e todos seus quilos a mais, com meu espírito e todas suas angústias, com meu coração e toda sua insegurança. Não quero ser outra pessoa, preciso apenas continuar me encontrando, ser eu mesma e neste caso a cada reencontro poder dizer: você me surpreendeu, você está bem, muito bem mesmo...
A canção já não desafina, os acordes se encontram em música e já não me canso de ouvir repetidas vezes aquela letra que me fez acordar para a vida, para a minha vida. Que se dane a moda e o vício pela estética, a revolução da beleza neste caso é interna, é duradoura e não vai cair nem enrugar com o passar dos anos.
Não devo isso a uma pessoa apenas, mas a todas aquelas que me fortaleceram nos últimos tempos. Que me mostraram que sou livre e independente, sensível e engraçada, inteligente e bonita, deste jeitinho aqui, sem tirar nem pôr. Devo isso ao amor que me energizou as férias inteirinhas. Quantos amigos conquistei nesta caminhada, que família doce Deus me deu... E esse novo amor que me invade e me faz perder o chão, que coisa mais estranha e maravilhosa!
Amor que para alguns pode ser contínuo, para outros passageiro e que para mim tem sido sublime. O meu amor, o amor-próprio que descobri tenho e nunca mais vou deixar escondido dentro de uma crítica qualquer ou de um olhar mal humorado.
Dias repletos de amor é o que desejo a todos nós! Daquele amor puro, forte e contagiante que pode vir dos outros, mas também pode brotar bem ai, dentro do seu peito...
Ilustração de: Gabriel Vicente.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Promessas de um Ano Bom...


Confesso que não estou muito animada para as comemorações de passagem de ano, é claro que sempre é bom festejar e, estar com amigos e família nesta época torna tudo mais fácil, contudo o que me assusta não são as comemorações em si, mas as promessas para o ano que se inicia.
Sei que uma promessa pode simplesmente não ser feita e então com isso não teria que me preocupar, mas sem promessas quais seriam os primeiros passos de um ano que eu desejo e espero seja bom?
Poderia enumerar uma lista com mais de cem promessas para 2011, mas que significado teria isso para você? Creio que nenhum, pois as promessas não são nada mais do que autoconhecimento e reflexão interior.
Se você pede para ficar dez quilos mais magra é porque sabe que está acima do peso. Se pede um namorado novo é porque está sentindo-se sozinha. Se pede um emprego é porque sabe que não é possível viver em um sistema capitalista sem um tostão no bolso e assim vai...
O legal da promessa é que ninguém pode cumpri-la por você. E isso pode ser muito negativo, se considerar que frequentemente não é possível cumprir nem dez das cem promessas listadas, fato que nos causa um desânimo tão grande que pode se arrastar até o final do ano. Por outro lado, se só você pode realizá-la, seu caminho está em suas mãos e de mais ninguém, e então poderá fazer tudo do seu jeito, sem pressa nem aflição e isso é muito interessante.
Creio que o desespero e descrédito das promessas de início de ano são causados, pois as pessoas não sabem prometer. Geralmente prometem com contrapartida e isso nunquinha funciona. Eu prometo ser uma boa menina se conseguir comprar aquele carro zero. Prometo parar de fumar se encontrar o homem dos meus sonhos. Prometo fazer regime se conseguir uma promoção no trabalho e assim por diante.
Promessas deste tipo estão fadadas ao fracasso. Da mesma forma quando condicionamos sua realização a outras pessoas. Geralmente as pessoas lançam expectativas nos outros e isso é tão comum que muitas vezes é inconsciente, contudo quando não têm seus objetivos alcançados colocam a culpa no mundo e na conspiração do universo, mas nunca em si.
Oras, mas ninguém vive sozinho neste planeta e é impossível não envolver pessoas em nossos sonhos! É claro, concordo plenamente, mas não podemos fazer das pessoas nossos sonhos, isso é um erro grave e irreversível.
Então meus queridos, quando o relógio badalar o início de um novo ano, não olhe para os lados ou para cima, olhe para dentro de você e tente descobrir qual seu maior desejo, qual sua ambição, qual seu sonho e então feche os olhos e prometa com toda sua força ser feliz!
A felicidade é capaz de contemplar todas as promessas, mesmo aquelas mais esquisitas. Viver intensamente e não apenas por viver, viver por você e não por alguém, sorrir de você e não para alguém, amar você e não apenas alguém é muito mais importante que qualquer lingerie colorida, que pulinhos na praia e sementes de romã.
Dias felizes e coloridos em cada minutinho de 2011 é o que desejo a todos nós! Sejam eles repletos de promessas ou apenas vividos dia-a-dia, um minuto por vez...


Ilustração de: Gabriel Vicente.