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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quem não arrisca não petisca?!


"... os riscos têm que ser corridos, pois o maior perigo na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada não faz nada, não tem nada e não é nada. Pode evitar o sofrimento e o pesar, mas não pode aprender, sentir, mudar, crescer, viver ou amar. Acorrentados por suas certezas e vícios, é um escravo. Sacrificou o seu maior predicado, que é a sua liberdade individual. Só a pessoa que arrisca é livre." (Leo Buscaglia)

Estou em um momento de crise. Não, não é crise financeira, também não é crise de risos ou de choro. Estou em um momento de crise existencial.
Escutei esta semana uma história que me deixou com uma confusão de sentimentos difícil de explicar.
Soube que um querido amigo deu uma reviravolta em sua vida da noite para o dia. "Chutou o balde" sem se importar com as opiniões alheias, sem esperar algo em troca. Buscava apenas sua liberdade, seu reencontro e isso ele conseguiu.
Um homem novo, recém formado, inteligente, atuando em uma área alheia à sua formação, mas que lhe garantia um bom emprego, com um ótimo salário. Tinha uma companheira, animais de estimação, viagens aos finais de semana e tudo o que o dinheiro podia comprar. Contudo, descobriu um dia que estava para sufocar, que a casa cara não era um lar, que a companheira não era a mulher ideal, que o dinheiro não comprava felicidade e que o trabalho que dignifica um homem é aquele que lhe dá prazer.
Largou tudo. A mulher, a casa, o emprego, o dinheiro, TUDO. Voltou para a casa de sua mãe, com um gato a tira colo e uma vontade louca de recomeçar.
Voltou livre, voltou leve e cheio de sonhos. Voltou a sorrir, a assoviar, a reencontrar os amigos de antes e a querer conquistar novos amigos.
Uma reviravolta. Sem começo, meio e fim. Apenas uma pausa para um novo fôlego, para uma nova vida.
Quando soube do ocorrido me admirei e custei a acreditar no que tinha acontecido. Não conseguia entender como alguém poderia deixar o certo pelo duvidoso, como alguém poderia assumir um risco tão grande, sem certeza alguma, mas depois de muito pensar consegui entender a essência disso tudo.
Diria que tudo não passou de coragem. Coragem de recomeçar, de burlar o senso comum e a vontade dos genitores, dos professores, dos padres e assumir riscos.
Riscos que eu, com minha covardia nunca tive coragem de assumir. Sempre tomei as decisões com os dois pés firmes no chão, sem dúvidas, sem chance de me surpreender com o inesperado.
Tenho tido vontade de assumir alguns riscos. De jogar tudo para o alto e recomeçar, do zero, de um ponto de partida que eu escolherei.
Vontade de sair do emprego e deixar currículos em livrarias ou em jornais. Vontade de gastar todas as minhas economias com a viagem dos meus sonhos e deixar o apartamento para depois. Vontade de começar uma faculdade de artes plásticas e ganhar a vida cristalizando meus sentimentos em arte. Vontade de passar o dia em uma cachoeira e a noite em um acampamento, sem relógio por perto, sem regras, nem cronogramas.
Tenho vivido de forma tão monótona. Trabalho, estudo e o que mais?! Alguns dirão, e o que mais você quer? E eu poderia responder se a pergunta fosse: E o que mais você precisa?
Preciso de histórias para contar, de novos personagens, de novos sabores e cheiros. Preciso de aventuras e de conhecimento. Preciso de novas gargalhadas e de um novo lugar para recomeçar, onde as paredes não tenham sempre a mesma cor, onde os carros não me acordem de madrugada e, sobretudo, onde eu tenha tempo para cuidar de mim.
Já perdi a conta das vezes que ameacei me matricular em um academia, ir ao cardiologista, ao dermatologista e aos outros "istas" desta vida. Tenho deixado o minuto do batom de lado para dormir um pouco mais. Tenho trocado o pão na chapa por um lugar no ônibus. Tenho preferido meu sofá ao cinema com o namorado. Tenho trocado a viagem de férias por boletos bancários. Tenho trocado um jantar com as amigas pelo fundo para o apartamento.
E quando me reconheci assim, tão sem vida recebi o seguinte questionamento: O que você valoriza em sua vida?O quê?
Minha vida. É isso que mais valorizo em minha vida e confesso que a tenho deixado um tanto quanto de lado. Afinal o que é viver? Não é aproveitar cada minuto e não deixar as oportunidades escaparem?
Deixei muitas oportunidades se esvaírem por entre meus dedos, como areia de praia. E tudo isso por ter medo, por não ter coragem.
Medo de quê? Medo de perder o que todos chamam de seguro, mas que tem me deixado extremamente insegura. Medo de perder o trabalho estável, o relacionamento duradouro, as amizades de infância. Que tolice... Medo de perder algo que eu escolhi, que eu construí.
Vocês entenderam a gravidade disso? Tenho medo de arriscar a única coisa que está sob meu controle: minhas escolhas.
Porque todo o resto pode ser tirado de mim a qualquer momento, não é? Posso ser mandada embora amanhã e me sentir uma tola por ter desperdiçado uma outra oportunidade de emprego há seis meses atrás, posso perder meu namorado para outra mulher mais jovem e menos confusa, posso ser traída pelos meus amigos, mas também posso levá-los comigo no coração para onde eu for.
Então... medo de escolher?!É isso que eu tenho?!
Sim. Medo de arriscar e não petiscar, medo de deixar o destino me guiar e me arrepender. Meu amigo não se arrependeu, teve coragem de assumir sua escolha, mesmo sem saber se foi boa ou má, o fato é que neste momento foi a melhor que poderia ter feito. Uma coisa de cada vez, uma escolha de cada vez, simples assim.
Poderia dizer, então, que a covardia é o medo de arrepender-se? E que o arrependimento surge de uma escolha mal feita? E se é assim, creio que para se fazer escolhas é preciso coragem.
Coragem, ausência de covardia. Coragem, não ter medo de arrependimentos. Coragem para escolher uma coisa de cada vez. Coragem é disso que preciso e nada mais.
Ilustração de: Gabriel Vicente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De mala cheia!

Passei meu carnaval em terras mineiras neste ano. Viajei rumo a Uberaba, desta vez sem axé ou funk, sem rebolation ou matinê. Levei na mala minha curiosidade e a vontade de esclarecer alguns males entendidos.
Parti receosa, sem saber ao certo onde estaria, quanto seria morosa minha chegada, como seria minha recepção e os dias que lá se seguiriam. Viajei quase sem rumo, apenas com a cara, a coragem e a saudade que me impulsionou a iniciar mais este capítulo, repleto de histórias que agora compartilho com vocês.
Logo na rodoviária de Campinas, ao realizar o embarque decidi me certificar de que o ponto final do ônibus seria em Uberaba e ao questionar o motorista sobre isso tive minha primeira surpresa:
- Boa noite, o ponto final desta linha é em Uberaba?
- Não senhora. Este ônibus saiu do Rio de Janeiro e só finaliza seu percurso em Cuiabá.
- E o senhor pode me avisar quando chegar a Uberaba? Nunca fui para lá.
- Quando chegarmos em Ribeirão Preto te aviso, ai você fica acordada porque vai ter troca de motorista e seu ponto já será o próximo.
- Mas tem risco do motorista seguir viagem comigo no ônibus? É que talvez eu durma...
- Ah, isso só aconteceu umas vinte vezes, é raro acontecer.
Vinte vezes. Pronto, brincadeira que ao aliar-se à minha ansiedade foi suficiente para me deixar acordada como uma coruja durante toda a viagem. De olhos atentos naquela estrada comprida, que parecia não ter fim, aguentei um calor terrível que mesmo durante a noite deixou o ar abafado e me deixou suando, com a sensação de já estar em Cuiabá. Momento pouco propício para uma pane no ar condicionado do ônibus, mas depois de dez horas tranquilas de viagem alguma coisa teria que acontecer, senão não teria graça, senão não seria comigo.
Dito e feito, restavam as duas últimas horas do percurso até Uberaba quando o ar condicionado do ônibus decidiu entrar de greve, sem prévio aviso, soltou um cheirinho de queimado e parou de funcionar. Logo imaginei que seria só o início de uma viagem com muitas histórias para contar e foi dito e feito.
Ao chegar à rodoviária de Uberaba fui recebida por meu namorado e seus pais, que me acolheram num abraço forte e me fizeram me sentir quase em casa.
No dia seguinte descobri que meus dois celulares não funcionavam em terras mineiras e que estava praticamente sem contato com as terras paulistas, exceto é claro pelo telefone fixo da casa que me acolheu por estes dias.
Fui apresentada à cidade por um guia que não estava lá muito atualizado e que me fez dar boas risadas com sua falta de informação. Tão desinformado estava, que mesmo morando lá há 14 anos, só pode me assegurar que em uma lanchonete chamada Ilha do Açai, eu encontraria açai. Além disso, nada mais.
Conheci pouco da cidade, notei que é bem arborizada e repleta de estranhices,como toda cidade que se preza e precisa ter histórias para contar.
Descobri que as tampas dos bueiros são em sua maioria quadradas e que em uma das ruas ainda funciona a mão inglesa, descobri uma igreja de estilo néo-gótico, construída em 1895 por padres dominicanos, que me fez parar de respirar por alguns segundos com sua altivez.
Conheci o delicioso macarrão na chapa, o biscoito Carolina que não tem recheio de creme nem cobertura de chocolate e provei deliciosos pães de queijo.
Visitei a terra dos dinossauros, onde me arrepiei só de imaginar aqueles bichos enormes vivos. Puxei a cauda de um deles, enquanto comia doce de leite ninho e comprava doce de leite com amora.
Conheci o Museu Chico Xavier, onde pude olhar seus pertences, as roupas e os móveis na casa onde viveu tanto tempo, conheci seu filho, que foi muito receptivo e me falou sobre as obras da instituição, me indicou a Casa da prece e me vendeu dois CDs que em breve serão dados a minha mãe. Caminhei por quase trinta minutos em um cemitério até encontrar o memorial Chico Xavier, fiz uma breve oração e voltei com os pés doendo.
Conheci os irmãos do meu namorado, fui presenteada com uma nova amiga com nome de flor e descobri histórias de sua infância que me fizeram gargalhar por horas. Comi doce de leite com queijo fresco e churrasco até cansar. Provei uma pimenta que não era para ser ardida, mas que ardeu até o céu da boca.
Ganhei a muda de um cacto e de uma suculenta para aumentar meu jardim no pequeno apartamento. Ganhei um cágado que ainda não sei se é macho ou fêmea,mas seguindo o conselho da minha cunhada deve ter um nome feminino com apelido masculino, assim quando soubermos o sexo ela não terá crise de identidade (no começo achei um tanto quanto estranha esta história, mas depois de saber que suas Florzinha e Docinho transformaram-se em Floc e Doc comecei a entender).
Atravessei a ponte que faz a divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo e que corta o rio Grande, me admirei com a largura do rio, e entendi o porquê de seu nome, êta rio grande mesmo. Coloquei meus pés em suas águas e entendi porque o rio Pardo é pardo, as águas do rio Grande são quase cristalinas, não tem aquela cor de barro tão comum a nós riopardenses. Não quis andar de canoa, pois o sol estava forte demais, mas aproveitei a sombra de uma árvore frondosa que derrubou umas sementes duras na minha cabeça quando a brisa soprou forte.
Por ironia do destino conheci nas margens do rio Grande uma moça de Mococa e uma senhora de Casa Branca que depois de algumas horas de conversa me mostrou como esse mundo é pequeno. Conheci mais uma criança encantadora que em breve se tornará personagem de um de meus textos.
Recebi declarações de amor do alvorecer ao anoitecer, na mesa do almoço e do jantar. Recebi abraços apertados o tempo todo e tanto carinho que só de lembrar já sinto saudades.
Assisti ao filme do George Clooney por apenas R$2,50 e olhei no relógio para ver se ainda dava tempo de uma outra sessão. Aluna de pós-graduação também paga meia-entrada em terras mineiras.
Passei por ruas tão largas que comportariam desfiles de uma escola de samba do primeiro escalão, e o mais interessante sem sinalização horizontal. Nenhuma linha para dividir a pista, nadinha. Fiquei pensando que ali poderiam andar pelo menos cinco carros no mesmo sentido, lado a lado e a confusão que isso traria em uma curva. Senti medo do "morro da onça" que me deu mais frio na barriga do que andar de montanha russa.
Entrei na Catedral e ajoelhei aos pés de Santo Antônio em homenagem a uma amiga que já virou até a igreja do santo de cabeça para baixo e até agora não recebeu nenhum sinal, ou se recebeu não conseguiu lê-lo. Descobri neste dia que o verdadeiro santo casamenteiro é o Santo Expedito, o das causas impossíveis e que Santo Antônio só serve para casamento caipira. Contudo, acho que esta afirmação é contestável, já que uma das minhas amigas enterrou o Santo Antônio de cabeça para baixo e hoje está casada. Se bem que com tanta pressão, é provável que qualquer santo faça o sacrifício de interceder por uma união. Será?!
Coloquei os pés na grama enquanto me sentava no banco do jardim e refiz minhas impressões, minhas emoções e minha mala.
Voltei com a bagagem repleta de histórias, de novas pessoas, novos sabores e ótimas recordações. Recordações bem diferentes das de carnavais passados, nem melhores, nem piores, apenas diferentes que me permitiram conhecer um pouco mais de algumas pessoas, mas, sobretudo, mais de mim mesma e me impulsionaram a seguir em frente mesmo que para isso seja preciso, em alguns momentos, frear alguns tratores...
Ilustração de: Gabriel Vicente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Tratores e corações não combinam...

Meu coração está partido. Partido ao meio, em pedaços, nas pontas e dos lados. Mais uma vez partido.
Desta vez o pobre coração não caiu, não levou solavanco, nem flechadas. Para dizer a verdade, nem sei ao certo o que aconteceu, talvez um mal entendido, ou quem sabe a distância, quiçá a insegurança ou ainda a incompreensão.
O fato é que se partiu e agora dói.
Não é um ferimento profundo, daqueles incapazes de curar. Nem tampouco me causa desespero ou desânimo, apenas dor. Um ferimento que provavelmente deixará uma cicatriz rala, para lembrar-me do quanto é perigoso amar.
Um ferimento que custa fechar, mas que irá sarar, pois tem sido cuidado com muito apreço.
Meu coração foi vítima de um atropelamento. Passaram por ele tratores de ofensas e injustiças. Tratores cegos e agressivos que nem me deixaram dar um passo à frente ou atrás. Tratores que me atropelaram e me fizeram chorar.
Hoje tive a certeza de que tratores não combinam com corações.
Quisera ter passado por aquele campo de batalha imune. Quisera não ter sofrido nenhum arranhão, mas o amor é assim. Faz-nos tropeçar, nos reerguer e logo em seguida nos empurra aos berros: Segue em frente!
Ainda não sei qual caminho seguir. A dor ainda não passou, estou receosa de voltar e dar "de coração", digo, "de cara" com outro trator, mas ao mesmo tempo temo seguir e passar por cima de um coração que me foi dado.
Quisera que as pessoas entendessem de uma vez por todas que tratores e corações não combinam!
Quisera tanto que as pessoas passassem a abrir passarelas em campos floridos ao invés de estradas de terra. Queria mesmo que um dia as pessoas entendessem as faces do amor e dele não mais se estranhassem.
Amizade, fraternidade, irmandade, amor, humanidade. Sentimentos separados por uma linha tênue, tão tênue que alguns não conseguem enxergar, uma linha tão sutil que impede a tantos outros decifrá-la.
Quisera que as pessoas entendessem que não há amor maior ou menor, apenas diferentes formas de amar. Que não existe amor de mãe maior que de amigo e de namorado maior que de irmão. Que cada forma de amar encontra sua forma em cada coração. Que cada coração dá seu formato ao amor que recebe e dele se apropria da melhor maneira possível.
Existem aqueles que pouco demonstram, mas sabem que o amor está lá. Existem outros que escancaram toda sua emoção, transparentes, capazes de em um abraço apertado ou de em um sorriso sincero dizer constantemente: amo você, quero-te bem, você é especial.
Quisera que as pessoas aprendessem a valorizar mais o amor que têm e deixassem de medi-lo com o que vêem. A intensidade do amor que você recebe está nos gestos, no ato e na história que você construiu com cada doador de um pouco de amor.
Quisera que todos nós aprendêssemos a nos dedicar a cada sementinha de amor que nos é dado e deixássemos de nos preocupar com as sementes dos outros.
Quisera que ao invés de atropelar corações, os tratores tirassem todo o mau olhado e as ervas daninhas que fazem morrer tantos amores.
Por que usaste logo o trator?! Eu só precisava de um pouco de água para regar o amor que tinhas me doado...

Ilustração de: Gabriel Vicente.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Balas de Coco

Tento escrever sobre alguma coisa boa, bonita ou engraçada que tenha observado na última semana, mas nada me vem à mente. Puxo na memória as figuras com que esbarrei nos pontos de ônibus, nas calçadas esburacadas e no meio da praça, mas nenhuma delas me parece digna de citação.
Algumas imagens, algumas pessoas, alguns relatos invadiram minha mente nos últimos dias com suas aflições reais, com seu mal estar e sua ira e é a eles que devo me referir.
Não só a eles, mas a todos nós, que construímos estas tragédias, que formamos esta humanidade tão desumana. Presenciei catástrofes naturais bem distantes daqui, longe do meu nariz, dos meus olhos e do meu entendimento, e tão logo os escombros começaram a se reerguer, desvelando vítimas de um terremoto no Haiti, a chuva decidiu castigar aqui, bem perto de mim, tão próximo do meu nariz que desta vez pude sentir o odor da destruição, molhar os pés na lama e estender minhas mãos.
Famílias que perderam tudo, móveis, roupas e parte da dignidade. Famílias que se perderam. Famílias que tentam buscar forças para se reerguer, recomeçar, sem saber ao certo onde fica o ponto de partida. Pessoas comuns que perderam sua casa, seus bens mais preciosos, parte de seu coração e quiçá de sua alma.
Não tenho conseguido me desligar destes incidentes naturais, nem tão pouco consigo entendê-los como uma fatalidade. Ao homem a culpa, ao homem o castigo.
A natureza revolta-se, aflita com tanta falta de percepção. Enquanto nas escolas trabalha-se a educação ambiental, nos rios são despejadas toneladas de lixo. Enquanto se realiza um plantio de árvores na pista de caminhada e ensina-se o valor do ar puro para as crianças, grandes áreas são desmatadas pondo fim ao sonho de um mundo ecologicamente correto no futuro.
Creio que de imediato, precisamos pensar e sonhar apenas com a manutenção do mundo. Começo a entender o impacto que as previsões de fim do mundo, que antes pareciam chacota, hoje resultam nas pessoas. O fim do mundo assusta mais que o bicho papão, mais que a inflação.
Em uma destas tardes chuvosas percebi nitidamente esta aflição em um senhor que entrou no meu local de trabalho. Não queria orientação, não solicitou recurso nenhum, apenas entrou na sala, com uma cesta nas mãos e antes de oferecer o produto escondido por um pano de prato, me perguntou:
- É verdade que o mundo vai acabar?
Fiquei pensando por alguns instantes antes de responder. Se fosse há alguns anos atrás provavelmente teria achado graça da pergunta e dito com certeza que não, mas desta vez hesitei:
- Com essa chuva parece que o mundo está acabando mesmo, não é?
- Ouvi dizer que o mundo vai acabar em 2012, está perto, não é?
- Essa é a história de um filme, mas não sei se é real.
- Mas a senhora acha que o mundo vai mesmo acabar?
- Sinceramente eu espero que não.
Ele saiu dali com duas balas de coco a menos na sua cesta, com dois reais a mais no bolso e com uma angustia agora compartilhada por mim, ao imaginar o fim do mundo.
Quem sou eu para dizer se sim ou se não, mas que temos buscado isso diariamente me parece que está nítido. Parece que aqueles que têm mais de cinquenta anos não se preocupam com o que será do futuro, pois já não pretendem estar aqui. Aqueles que acabaram de nascer já se acostumaram com a poluição e nem sabem mais a cor real da natureza, e para aqueles que ainda pretendem um dia aqui estar, eu desejo boa sorte e balas de coco.
Para finalizar, deixo um texto que me faz refletir muito sobre o que esperamos do mundo e principalmente de nós mesmos, ao proliferar a existência de nossos insetos interiores e destruir o que temos de mais valoroso, a vida:

“Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de 'mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias, não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores”.

(Insetos Interiores – O Teatro Mágico)
Ilustração de: Gabriel Vicente

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A caneca

Terça-feira. A primeira do verão deste resto de ano. Dia quente. Convidativo para uma reunião em bar com os amigos, ao lado de uma cerveja gelada e de uma brisa fresca. Dia estranho que me fez fugir da rotina de manhã até o início da noite e transformou a rotina restante em risos e versos. Manhã preguiçosa que me convidou a ficar na cama por mais cinco minutos e que me obrigou a correr até o ponto de ônibus por outros cinco. Minutos lentos que atravessaram a janela do ônibus e me apresentaram o ir e o vir dos carros e das pessoas. Dia repleto de papéis, mas isento de preocupações profissionais. Dia de preocupação com a saúde e de constrangimentos. Terça-feira atípica. Tarde de almoço de confraternização no trabalho. De samba de roda e de cerveja na mesa do escritório. Tarde de luz e de risos. Dia de perguntas inconvenientes e de apatia. Confesso que não estava disposta a encarar com muito prazer este dia, até porque fisicamente meu corpo ainda pedia pausa e gritava por repouso. Não sei se por conta das últimas notícias ou do calor excessivo, o fato é que não tive ânimo para o samba, nem para as fofocas espontâneas. Limitei-me a observar e tudo não teria passado de uma terça-feira quente se não fosse pela cumplicidade que me foi apresentada em um convite: - Já que você não pode ir para o bar, combinamos de ir tomar um café. O que acha?! - Café? - É. Café. Passo para te buscar umas cinco horas. Mal tive tempo de responder o sim ou o não, principalmente por pensar em alguns detalhes deste convite, do tipo: Café, em uma tarde quente desta? Café, na primeira terça-feira de verão deste resto de ano? Café, simples e puro café? Puro, com leite, frio, quente, com conhaque ou chantily, de um jeito ou de outro, assim ou assado, posso afirmar que foi o mais agradável café de todos os meus dias. Café forte, mas doce. Café preto e branco. Café para despertar e sorrir. Foi assim, com um simples café que se iniciou mais um delicioso “Dia das meninas”. Foram quase quatro horas de conversas intensas. Muita comilança e bobagens que iam e vinham com a garçonete. Mimos de Natal com direito a cartão individual. Pedidos de atendimento feitos por engano por simples reflexo ou curiosidade. Soda de maça verde. Dúvidas entre mais de vinte itens que iam de cima a baixo no cardápio. Fofocas amargas ou auspiciosas, tudo isso acompanhado de um simples café. Poderia falar de muitos assuntos tratados naquele final de tarde, mas nenhum teria tanto significado quanto o que mais nos rendeu risadas e fechou o encontro e o ano com chave de ouro (ou seria de alumínio?). Final da tarde, início da noite, céu claro, com poucas nuvens. Hora de pagar a conta e voltar para casa. Fila do caixa, cálculos e olhares curiosos em volta das coloridas paredes do Café. - Nossa! Que caneca linda! Olhei para meu lado direito e vi uma de minhas amigas segurando uma caneca de alumínio azul, destas que se usa para levar café para o trabalho. No mesmo instante todas concordaram com o elogio e atentas olhamos para a garçonete que disse: - Acho que essa é a última, aproveita para levar, é só R$9,90. - Vou comprar para presentear você! – disse uma outra amiga virando-se para a última integrante do quarteto, que por coincidência faria aniversário naquela semana. Conversa vai, conversa vem. A caneca já estava de posse da futura aniversariante quando uma outra atendente, com mais tempo de casa interrompe a conversa e diz: - Ela disse o preço errado para vocês. Essa caneca custa R$25,00. - O quê?! – disse a compradora da caneca ao mesmo tempo em que tirava a caneca das mãos da aniversariante e a devolvia no balcão. - É que ela é nova aqui e não sabe o preço direito. - Mas e agora? Se eu não levar, minha amiga vai achar que não merece um presente de R$25,00, mas está muito caro! - Mas não posso fazer nada! - Moça, ela já nasceu no Natal, ganha só um presente por ano, se ela achar que ela não merece essa caneca que custa R$25,00, como você acha que ela vai se sentir? - Então, compra a caneca para ela e prova que ela merece, ué! E assim, deu-se o diálogo entre a compradora da caneca e a atendente, enquanto isso, eu, a futura aniversariante e nossa outra amiga nos desmanchávamos de tanto rir no meio do saguão. Resumindo, a aniversariante saiu de lá com a caneca. A compradora da caneca saiu de lá com seu presente eternizado em uma fotografia digna de porta-retratos e nós ganhamos uma tarde inesquecível de risadas e disse que me disse. É por estas e outras que admiro incessantemente as pequenas coisas da vida. É por estas e outras que valorizo tanto minhas amizades. Um simples café tornou um dos dias mais indispostos do ano, uma tarde repleta de gargalhadas e de boas recordações. Recordações que só tornaram-se tão boas e inesquecíveis por estarem, eternizadas nos sorrisos e abraços de grandes amigas. Um brinde à caneca térmica, à amizade e ao cafezinho, é claro!



Ilustração de: Gabriel Vicente.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Então é Natal...

O ano passou voando...Já nos aproximamos da última semana deste rentável 2009 e tento imaginar como será meu final de ano. Não tenho tido muito tempo para pensar nas festividades, nem em quem vou reencontrar ou qual o cardápio da ceia. De alguns anos para cá, acompanho tudo de longe, dando sugestões pelo telefone, sugerindo coisas e pessoas que talvez nem existam mais, a não ser dentro de mim.
Estou em um novo apartamento neste final de ano, com novas janelas e horizontes. O barulho daqui é terrível, mas de um mês para cá se tornou bastante agradável. Músicas natalinas, risadas de crianças, conversas de namorados, passos apressados, sacolas buscando suas brechas e luz, muita luz.
A cidade ganhou nova cor, mais vida e ritmo. Consigo escutar o som dos sinos pendurados nas portas das casas e o barulho dos passos das botas colocadas nas janelas. Consigo ouvir o trote das renas e o sorriso engraçado do Papai-noel colocado em cada esquina. É como entrar em uma vila de contos de fadas, que cedo ou tarde se desfaz e volta a mostrar sua verdadeira cor.
No bairro onde trabalho não existe decoração natalina, este privilégio é reservado para o centro comercial, para os grandes shoppings e parques com maior movimentação de pessoas, e, consequentemente, de renda. Tive medo de que as crianças de lá não soubesse nada sobre o Natal e levei uma grande lição ao trabalhar com elas na última semana.
A proposta era levantarmos tudo o que existe no Natal e em seguida escolher duas destas coisas para eternizar com um desenho ou colagem. Surgiram inúmeras sugestões que iam desde o Papai-noel e seus duendes, até a enfeitada árvore de Natal, passando pela neve, pelo trenó e claro pelos presentes.
Este último item foi o mais lembrado, e confesso que não me admirei, afinal de contas o Natal deixou de ser uma data religiosa para virar uma data mercadológica há muitos anos. Passar um Natal sem presente, nos dias de hoje é inimaginável, certo?
Não para aquelas crianças. Quando as questionei sobre o presente de natal que gostariam de receber, ouvi respostas que passaram longe das bicicletas, carrinhos de controle remoto, vídeo-game e bonecas barbie. Escutei desejos de frango assado, leite, brigadeiro e macarronada.
Descobri naquela tarde que além da barriga cheia alguns desejavam rever o pai ou irmão que estavam sentenciados, outros o tio que tinha falecido ou ainda desejavam uma cama com colchão só para eles.
Claro que depois destes desejos surgiram os pedidos de carrinhos e bonecas, mas nada que fosse de última geração, ou que tirasse o sono de alguns pais.
O fato é que estes desejos de natal me deixaram sem respirar por alguns segundos e me fizeram mais uma vez procurar o espírito natalino. Espírito esse que surge no final do ano e desaparece feito mágica dias depois, deixando as expectativas para traz e nos lembrando dos tropeços da vida. Mas como não custa nada tentar, busquei bem fundo o significado real desse tal espírito de Natal e desta vez, felizmente, o encontrei.
O espírito natalino estava bem ali, estampado no rostinho de cada uma daquelas crianças que se desmancharam de alegria ao fazer pequenos pedaços de algodão virar neve com seu assopro, ou ainda, quando se lambuzaram com um saquinho surpresa de doces.
Encontrei o tão esperado espírito de Natal em uma garotinha especialmente, que ao receber os doces, guardou metade em um dos bolsos da calça e me disse:
- Tia, esses eu vou guardar para o dia de Natal.
- Ah é? E por que vai guardá-los?
- Vou dar de presente para minha mãe e meus irmãos.
Por um breve instante me calei, a peguei no colo e lhe dei um longo abraço, em seguida lhe disse:
- Este abraço você guarda também e distribui com os doces na noite de Natal, tudo bem?
Sorrindo ela me beijou e correu para os braços da mãe mostrando aquela simbólica lembrança que pra ela tinha sido tão valiosa.
Na mesma hora me lembrei de um conhecido ditado que é muito verbalizado, mas que poucos colocam em prática: “Ninguém é tão pobre que não tenha nada para oferecer, nem tão rico que não possa nada receber”.
E é com estas palavras que finalizo este texto, com desejos de fartura e alegria para todas as famílias neste Natal, e especialmente com desejos de ações altruístas como daquela garotinha que não conhece muito da vida, mas já desvendou seu segredo...


Ilustração de: Gabriel Vicente.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Enquanto o tempo vai e a vida vem...

Tenho tido bastante tempo para pensar nos últimos dias. Por mais incrível que pareça, fui acometida por uma dolorosa caxumba. Doencinha esquisita, que me obrigou a tirar férias forçadas do trabalho e me colocou de repouso por longos e intermináveis dias.
Nunca imaginei que seria vítima desta doença beirando os vinte e seis anos, nem que a tal caxumba – doença de criança, perigosa para os homens na fase adulta, fosse tão dolorosa, menos ainda que me cansaria de ficar deitada e não teria mais filmes na minha lista intitulada: “Assistir nas férias...
O fato é que tanto tempo livre me possibilitou refletir sobre o que tenho feito do meu tempo e com a minha vida, e mais, me fez pensar nos meus quereres. Pensei no que tenho construído e no que tenho destruído nos últimos meses e tentei organizar tudo com etiquetas coloridas, como se fossem caixas em uma grande estante.
Pensei nos prazos que deixariam de ser cumpridos no meu trabalho e em todo o trabalho que teria na volta. Cheguei a sonhar com reuniões, com o grupo de crianças, com as cestas básicas e com o carrancudo auxiliar administrativo.
Pensei nas mensagens confortantes que recebi dos poucos, mas fiéis amigos que conquistei ao longo da vida e no quanto me fazem falta.
Pensei na minha família que nos últimos dias dividiu-se entre: os que já tiveram caxumba e os que não tiveram, revezando telefonemas e paparicos que deram um pouco de cor nestas tardes doloridas, me fazendo companhia no décimo filme ou me trazendo a terceira gelatina do dia.
Pensei no meu namorado e no quanto perdemos tempo falando de problemas e nos chateando nos poucos momentos que temos para ficar juntos. Pensei no quanto poderíamos rir mais, sair mais e deixar mais lembranças para este sentimento que tem se fortalecido com o passar dos dias. Pensei no vazio que sua ausência me causa e nas dúvidas que rodeiam nosso namoro e fiquei confusa.
Pensei nas aulas que deixei de assistir das duas pós-graduações que teimosamente continuo a fazer e nos livros que terei que ler quando retornar.
Pensei no texto que tinha que ser encaminhado para o jornal e no quanto tenho sentido falta de escrever. Pensei nos leitores e nos meus e-mails que estão sem resposta há mais de uma semana.
Pensei no quanto minha vida está dividida entre lá e cá e no quanto me embaralhei ao colocar algumas coisas na estante. Tantas coisas que deveriam estar na cômoda do prazer e passaram para a gaveta das obrigações. Tantas pessoas que deveriam estar na mesa de centro e foram penduradas no cabide. Tantas vontades esquecidas no fundo do baú, tantos momentos desperdiçados, tanto tempo indo enquanto minha vida vem.
Pensei no que tem me movido a fazer escolhas. No que tem me feito errar tanto algumas vezes e a acertar sem querer em outros momentos. Pensei nas coisas que gostava de fazer quando era mais jovem e que foram esquecidas. Pensei nos desenhos em grafite e carvão, nos quadros de tinta a óleo, nas flores de crochê, na minha coleção de cactos e nas aulas de natação.
Lembrei-me com saudade das habilidades que deixei de exercer e pensei no quanto tenho deixado o tempo passar enquanto minha vida vem. Pensei em algumas conversas que viraram discussões e no silêncio que me fez calar tantas vezes. Pensei nas lágrimas retidas, no nó na garganta e nas gargalhadas que há tempos não surgem espontaneamente.
Olhei para mim e me observei de fora, me vi cheia de compromissos, e sozinha, rodeada por um mar de gente. Olhei para dentro de mim e descobri o que me move.
Pensei na certeza de sair daqui e ir para lá, nas dúvidas do recomeçar e na confiança do que seria melhor. Pensei no adeus, nas pessoas que estão do outro lado do mundo e ainda vivem tão forte no meu coração e no quanto me obriguei a reencontrá-las, por tanto tempo.
Pensei no que espero do meu futuro e não encontrei resposta alguma. Descobri que viver os dias um a um pode ser maravilhoso e que fazer planos para daqui há dez anos, pode ser mais doloroso do que a caxumba, já que ninguém faz planos sozinho e contar com personagens para nossa história pode ser bastante decepcionante.
Descobri que o que me move mais que o amor em tudo o que faço é a minha confiança.
Confio na minha competência profissional, confio nas amizades que se cristalizaram com o passar do tempo, confio no amor da minha família, confio no meu coração e em tudo o que ele tem me ensinado, confio na minha ânsia de novos conhecimentos e, sobretudo, confio em mim.
Descobri que não estou infeliz, nem tão pouco descontente, creio que me falta apenas organização. Nada do que vivo foi imposto, cada momento, cada pessoa que entrou e saiu da minha vida, cada dia passado, presente e futuro, tudo foi em determinação da minha vontade, da minha escolha e das minhas renúncias.
Descobri que preciso recobrar algumas velhas alegrias e aspirar novos horizontes. Descobri essencialmente que confiança gera auto-estima, que gera confiança, que gera amor, que gera confiança, que gera coragem, que gera confiança, que gera escolha, que gera confiança, que gera sabedoria, que gera confiança, que gera personalidade, que gera confiança e que finalmente gera ple-ni-tu-de...
Enquanto o tempo vai, a vida vem plena e cheia de surpresas. Eu que o diga, ter caxumba nesta fase da vida é mesmo algo inimaginável e ainda arriscaria dizer: incrível. Fez-me brecar o ritmo e colocar cada coisa em seu devido lugar, enquanto o tempo vai e a vida vem, enquanto as coisas se apertam e se encaixam nesta longa e colorida estante...

Ilustração de: Gabriel Vicente.