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sábado, 26 de julho de 2008

Esquecer. Simples assim...



Esquecer. Apagar. Passar uma borracha. Deletar. Tirar do pensamento. Ausentar da imaginação. Desconhecer. Desmerecer. Tornar indiferente. Acabar. Suprimir. Olvidar. Desaprender. Deslembrar. Desmemoriar. Desprezar. Ignorar. Desaprender. Negligenciar. Adormecer. Omitir. Desacreditar. Negar. Descrer. Depreciar. Irreconhecer. Insignificar. Pôr de lado. Perder. Distrair. Descuidar. Preterir. Invalidar. Eliminar. Cassar. Extinguir. Recomeçar.
Recomeçar porque nada dura para sempre, porque tudo tem um fim, porque a fila anda, porque sempre existe outra chance, porque não vale a pena desistir, porque a vida continua, porque você merece, porque você vale a pena, porque ainda existem pessoas boas, porque ainda existem sentimentos nobres, porque ainda existe o sol lá fora, porque o tempo cura tudo.
Recomeçar e esquecer.
Esquecer uma dor, um adeus, uma paixão, um amor, uma decepção, uma pessoa, um momento, uma palavra, uma ação, um dia, uma noite, um minuto, uma hora, um lugar, uma música, um filme, uma piada, um gosto, uma sensação, um toque, um sentimento, uma mágoa.
Esquecer e recomeçar.
Recomeçar. Reiniciar. Renovar. Restaurar. Recompor. Reformar. Reconstruir. Reparar. Retravar. Restabelecer. Consertar. Renascer. Esquecer.
Esquecer aos poucos porque muita coisa é inesquecível, porque algumas lições não se devem esquecer, porque nem tudo merece ser esquecido, porque o esquecimento faz parte da vida, porque amanhã será um novo dia, porque todo fim precede um recomeço, porque o tempo às vezes é um grande inimigo.
Esquecer para recomeçar.
Simples como álgebra e física quântica, como conjugação verbal e latim, como abrir algemas sem a chave, como atravessar o deserto do Saara sem uma gota de água, como viver sem cobertor no Pólo Norte, como ferver uma água sem fogo, como trocar um pneu sem o macaco, como trocar de roupa no escuro, como saltar de pára-quedas quando se tem medo de altura, como fazer um bolo sem quebrar os ovos, como terminar um relacionamento sem lágrimas, como encontrar um verdadeiro amor.
Recomeçar e esquecer. Esquecer e recomeçar. Esquecer para recomeçar. Simples assim...

domingo, 20 de julho de 2008

Quanto tempo dura um "para sempre"? E um "nunca mais"?


Estive pensando no tempo e no quanto ele é relativo. Conceitos como cedo ou tarde demais, “para sempre” ou “nunca mais”, só mais um minuto ou por toda a eternidade são constantes na fala, no pensamento e na vida, senão de todos, de muitos de nós.
Quantas vezes você não disse que amaria “para sempre” ou que não queria ver aquela pessoa “nunca mais”? Quantas vezes você chegou cedo demais na vida de alguém ou decidiu falar o que sentia tarde demais? E pior ainda, quantas vezes você não desejou sentir algo por toda a sua eternidade e no minuto seguinte viu tudo se desmoronar como um castelo de areia?
Creio eu, que muitas vezes. Mas pensando nestas situações agora, pode ser que muitas já ganharam outro sentido em sua vida e inclusive te fizeram gargalhar ao lembrar de alguns acontecimentos. Afinal, em momentos de crise, muitas vezes, nos tornamos ridículos. Quem nunca se descabelou, quase morreu de tanto chorar, fez greve de fome ou quis se jogar do 10° andar achando que a vida havia perdido o sentido “para sempre”?
E por que tudo isso? Porque o tempo, que dizem por aí, ser quem tudo cura, também é relativo.
O seu “para sempre” pode ser o minuto de alguém, da mesma forma que um até breve pode ser um definitivo “nunca mais”.
Isso tudo é realmente muito confuso e estranho, quero dizer, humano. Pensar demais em coisas desse tipo causa crises existenciais, mas quando você já está no ápice de uma, a reflexão é uma forma de encontrar respostas. Respostas não para os problemas da humanidade, mas para você mesmo, para suas angústias e aflições, para suas lamentações e para aquela dor que só você sente e por isso é a maior do mundo.
Quando sabemos o que está sendo prioridade na nossa vida passamos a entender com mais facilidade o quanto o tempo é relativo.
O fato de um “para sempre” ter sido breve é dolorido para quem queria que fosse eterno, mas para quem o tornou breve foi só mais um momento, e por quê? Porque não era prioridade na vida daquela pessoa este sentimento ou a vontade de eternizá-lo. E é aqui que nos enganamos constantemente. Acreditar que o que sentimos provoca no outro a mesma intensidade de emoções que em nós é bobagem.
É mais ou menos o que aquela frase quer dizer: numa relação, sempre um dos dois gosta mais que o outro. Pode parecer estranho, mas esse “gostar mais”, não é nada mais do que a relatividade do tempo.
O fato de você querer estar cada minuto com alguém e viver “para sempre” ao lado desta pessoa, não obriga que ela também queira ou precise ficar cada minuto ao seu lado para estar “para sempre” com você.
Quando alguém diz que não quer te ver “nunca mais”, pode acreditar que naquele instante a vontade é mesmo essa, mesmo que pareça o contrário. Contudo, esse “nunca mais” não vai durar uma eternidade, pois, uma hora a mágoa passa e você acaba sendo só mais um momento na vida deste alguém, e ai, tanto faz te ver em breve ou “nunca mais”.
Entrar sem querer na vida de alguém e ouvir desta pessoa que você é a pessoa certa na hora errada é uma das piores coisas para um coração sensível. Então, você pensa: que negócio é esse de ter hora certa pra se apaixonar, a gente não manda no coração. Com certeza, você tem toda razão, mas aí entra, novamente, o conceito de prioridade, se esta pessoa não tiver como objetivo principal apaixonar-se, pode acreditar que mesmo você sendo a mulher da vida dele, ele vai te deixar partir, pois, acredita que neste momento não é a melhor escolha, ou pior, que você pode estragar seus planos. Então, não insista e se um dia ele voltar, talvez seja sua vez de dizer: agora meu querido, é tarde demais.
Hoje, compreendo perfeitamente isso e creio que descobri um tesouro, ao entender que tudo, inclusive e principalmente o tempo, é relativo. Então, tente não otimizar de forma extremada seus bons momentos a ponto de que pareçam tão perfeitos que você “nunca mais” irá senti-los, mas também não deixe de vivê-los, por achar que nada dura “para sempre”.
Apenas viva. Seja por uma vida inteira ou por apenas um minuto. Viva de forma que possa ser feliz “para sempre” ou não desejar aquilo “nunca mais”. Viva cada instante, até que possa olhá-lo como uma lembrança que lhe faça chorar de tanto rir, ou apenas chorar. Arrependa-se, mas viva. Faça planos, mantenha seus sonhos, só não deixe que eles te tirem do chão. Este é o segredo da vida. Viver intensamente.

sábado, 12 de julho de 2008

Zé Pequeno


Era uma vez Zé Pequeno. Zé de José Augusto da Silva e Pequeno por diversos motivos. Nascido em uma pequena cidade do interior paulista, aos 10 anos de idade Zé Pequeno mudou-se para a cidade grande. Mudou de uma casa grande para uma pequena casa na grande cidade, deixou grandes amigos e conquistou uma pequena vizinhança com poucos conhecidos.
O tempo foi passando e Zé Pequeno mudando. Mudou de tamanho, de colégio, de amigos, mudou de idéias. Cresceu um pouco, mas não o suficiente para ser chamado de Zé Grande, continuou Zé Pequeno, pequeno de tamanho, mas com grandes idéias.
Zé Pequeno pensava grande, tinha uma grande mente. Tirava grandes notas no colégio e fazia algumas maldades pequenas. Começou a trabalhar ainda moço, num emprego com salário pequeno, época em que conquistou algumas namoradas que ele assegurava amar grandemente.
Com o tempo, parou de crescer no tamanho, dando assim mais espaço para suas grandes idéias. Zé Pequeno tinha valiosas idéias, mas um caráter pequeno. Causou, por esse motivo, grande mal para muitas pessoas, inclusive para aquelas que ele considerava grandes (amigos, amores...).
Zé Pequeno tinha pequenas qualidades, gostava de estudar e não negava o trabalho, era gentil com sua família e gostava de animais. No mais, se destacava por seus grandes defeitos. Contava mentiras grandes e inventava pequenas desculpas, com arrependimento menor ainda. Iludia as moças com grandes promessas e em pouco tempo partia em busca de outro grande desafio. Zé Pequeno adorava um desafio, quanto maior melhor, e para superá-lo faria qualquer negócio, grande ou pequeno, não se importando se doeria muito ou pouco no coração ou no bolso de alguém, ele ia lá e fazia.
Tinha uma grande ambição que o fazia dar grande valor às coisas “grandes”. Adorava mais que tudo seu carro e a mansão que acabara de construir, gostava mais ainda do salário grande que agora recebia. Só que coitado do Zé Pequeno, lutou tanto para ser grande que acabou esquecendo de dar valor maior às “pequenas” coisas dessa vida. Zé Pequeno nunca havia sentido o cheiro da terra molhada, nem olhado para o céu numa noite de lua cheia, nunca parou para olhar um beija-flor ou sentir o perfume de uma rosa, mas pior que isso tudo, não sabia amar. Zé Pequeno nunca amou de verdade, e nem sabia que gosto tinha esse sentimento porque como ele mesmo dizia era bobagem.
Creio eu, que na verdade, ele sempre quis amar, mas tinha medo de mostrar-se pequeno, frágil, impotente e ser desmerecido, mal sabia ele que os pequenos homens, aqueles considerados mais sensíveis são os que geralmente deixam marcas eternas nos corações de grandes mulheres. Zé Pequeno era tão minúsculo paras as coisas do coração que quando sentia um nó na garganta, tratava de amolar a tesoura para cortá-lo, lágrimas ele não admitia – era coisa para fracos, exceto quando precisava usá-las para ganhar um desafio, aí elas escorriam feito chuva em sua face. Zé Pequeno era um grande ator, encenava a própria vida e escolhia seus coadjuvantes.
Um dia, certo que estava de ser grande em tudo, resolveu apaixonar-se para sentir o gosto disso, mas não conseguiu, porque seu caráter e sua coragem eram pequenos demais pra deixá-lo amar. Coitado do Zé Pequeno morreu sem nunca ter provado o amor. Morreu sozinho, com uma grande quantia de dinheiro no banco, sem nenhum amigo, em uma tarde vazia e chuvosa na pequena cidade do interior paulista, onde fora enterrado por um coveiro sem nome, mas com um coração grande, que com muito esforço escreveu na sua lápide: “Aqui jaz Zé Pequeno, o homem que comprou tudo o que era grande, menos o amor”.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O mais breve “para sempre” de toda minha vida...




Tentando entender a vida, as pessoas e, mais uma vez, a humanidade, comecei a me descobrir. Foi nas idas e vindas da vida que descobri que era muito mais que uma mulher independente e moderna. Descobri que era frágil, sensível e carente também. Descobri que tinha uma co-dependência de outros em minha vida e que viver sozinha era algo mesmo muito complicado.
Mas sabe como é, quanto mais você observa o outro e tenta entendê-lo, mais ele diz coisas sobre você mesmo. Quando o destino, sem pedir permissão, me colocou numa cidade quilômetros de distância da minha e disse para eu me virar, tive que arregaçar as mangas e ir à luta. Foi nesse mesmo instante que levei um dos maiores tombos da minha vida.
Um dia você está bem, trabalhando, estudando, namorando, e no outro tem que mudar de cidade, perde a bolsa de estudos e o namorado, que vai viajar para bem longe. Então, você se agarra no novo emprego – a única coisa que te restou, e não desanima. Antes, contudo, precisa curtir uma fossa daquelas e passar por umas sessões de terapia. Mas em compensação faz novos amigos e conhece um outro amor.
Esse amor era o que busquei minha vida toda e nunca tinha conseguido encontrar, procurava nos olhos de algumas pessoas especiais, nas ruas e padarias e nos catálogos de perfumaria, mas nada de encontrá-lo. Sujeitinho difícil, eu pensava, será que ele existe mesmo? Olhava por todos os lados e até ouvia algumas mulheres dizer que o haviam encontrado, mas onde, eu me questionava. Até dentro dos vidros de açúcar da cozinha eu procurei, mas nada de encontrar esse doce amor.
Até que um dia, cansada de procurar de cá, de lá, aqui e acolá parei de olhar para desconhecidos e comecei a olhar pra alguém mais importante, aliás, a pessoa mais importante da minha vida e que esteve ali, o tempo todo e eu nem notara. E o primeiro local em que nos encontramos foi no espelho. Olhando pra o espelho achei meu maior amor.
Conheci meu amor-próprio, me apresentei a ele e pedi licença ao destino, pois agora estava mesmo disposta a cuidar da minha vida. E foi assim que comecei a olhar a vida, as pessoas e a humanidade com outros olhos. Foi aqui que comecei a ser prioridade não na vida de outras pessoas, mas na minha própria vida. Cuidar de nós mesmos é bom, aliás, muito bom e nos mostra o quanto somos belos e o quanto podemos cativar.
Aberta ao mundo para novos conhecimentos, novos gostos, sabores e dissabores, também me abri para outros relacionamentos. Conheci algumas pessoas interessantes, mas como era dona do meu destino não me atrevi a escolher ninguém, pois ainda achava que não era a hora, ou por que achava que merecia alguém mais especial.
E quando eu menos esperava, escutei minha mãe murmurando no meu ouvido: quem muito escolhe, acaba escolhida. Fim de assunto. Foi isso mesmo que aconteceu. Acabei escolhida. Dei uma brecha ao destino e ele realizou mais uma de suas artimanhas. Colocou uma pessoa bem especial na minha vida. Tive como promessa ser feliz para sempre, gostei da idéia e aceitei.
Antes, porém, tentei me certificar de que era mesmo real, de que desta vez estava pisando em chão firme. Com atitudes, palavras e incansáveis demonstrações de carinho fui acreditando que podia mesmo ser real, que poderia mesmo merecer tudo aquilo e ser feliz para sempre.
Então, esperei o momento certo (e o dia de Santo Antônio, me pareceu um bom dia, afinal, dizem por aí que ele é um santo casamenteiro) e aceitei o pedido de namoro que seria o início da mais bela, curta e decepcionante história de amor da minha vida.
Em menos de dez dias o encanto se quebrou, todo o carinho e vontade de fazer dar certo se tornaram dúvida e confusão. Na verdade, acho que participei (sem saber) de uma espécie de “jogo da conquista”, mas por acreditar que daria certo me deixei conquistar cedo demais e fui desclassificada. Restou-me, então, mais uma vez olhar para o espelho e agarrar-me ao meu verdadeiro e único amor.
Não me arrependo de ter vivido esta curta história, pois apesar de breve me deixou ótimas recordações, além de mais uma cicatriz, que me lembrará de como o amor é dolorido às vezes. E hoje, fortalecida, certa de que ainda viverei muitas histórias de amor e de que ainda irei colecionar muitas cicatrizes deixo, com carinho, lembranças a este alguém, que me escolheu para viver ao seu lado o mais breve “para sempre” de toda minha vida.

domingo, 22 de junho de 2008

Minguante: meio-cheia ou meio-vazia?



Realçando meu lado observador e minha fértil imaginação estive a pensar no quão semelhante somos com um satélite que admiro muito, a lua.
Desde criança me colocava a olhar para o céu e imaginava se era mesmo possível ter um Santo e um dragão dentro daquela bola iluminada. A interrupção no repasse de energia sem prévio aviso, freqüentes na minha rua de infância, eram motivo de desespero para meus pais, que se revezavam atrás de velas e lanternas, mas de alegria para a garotada, inclusive para mim. Adorava deitar nestes minutos na calçada e olhar para o céu. As estrelas pareciam se reproduzir na minha frente, milhares delas, e o negro da noite tornava-se quase claro. Mas mais gostoso que sentir a brisa no rosto e tentar contar as estrelas era observar a lua.
Como será possível uma bola, tão luminosa, em plena noite e com tantas formas. Nova, crescente, cheia e minguante. Sempre gostei mais da lua cheia, vistosa, pálida, a dona do céu. Mas a lua crescente também sempre me chamou muito a atenção, aquele fiozinho tímido que aos poucos ia aumentando até chegar à fase mais esperada, a cheia. A lua minguante sempre me confundiu, nunca soube se era uma lua meio-cheia ou meio-vazia, então a deixava de lado. E a nova, bem, essa era misteriosa demais para meus oito anos de idade.
Hoje, com alguns anos a mais, mas nem tantos assim, começo a olhar este satélite com outros olhos. Os olhos de quem vive observando atitudes humanas e imaginando de onde elas surgiram. Começo a acreditar que copiamos a natureza, ações boas são cópias de lindas paisagens, ações ruins são cópias da devastação.
E pensando nisso me coloquei a imaginar, se eu fosse a lua, que lua seria? Se tivesse meus oito anos responderia sem pressa: a lua cheia! E se me questionasse por que, seria fácil responder: é a mais bonita, oras!
Mas e hoje? Que lua seria eu?
Ainda gosto muito da lua cheia e pensando nos quilos a mais que adquiri nos últimos meses poderia me enquadrar perfeitamente em seu semblante. Mas sua altivez que antes me encantava, hoje me assusta. Ser admirada demais, observada demais causa incômodo e sempre gostei mais dos bastidores do que dos palcos, exceto na minha formatura, mas aquilo, bem, aquilo foi...melhor deixar para lá, uma explicação renderia outra crônica. Assim, pensando por este lado não seria uma lua tão cheia, mas se pensar por outro lado poderia ser sim, uma lua cheia de planos, sonhos, conflitos, escolhas, renúncias, assim como você, eu aposto.
Então você pode me dizer que eu gostaria de ser a lua crescente. Tímida, que aos poucos vai ganhando seu espaço, atrás das cortinas mas não dos aplausos, pois é, ela poderia ser um bom palpite. Crescer! Coisa de gente grande! Mas crescer demais ainda não está nos meus planos, pelo menos não por agora, então, a crescente seria uma lua a se pensar, mas não a escolhida.
E a lua nova? Quase transparente, como a alma de toda pessoa boa, quase invisível como àqueles que oferecem sem cobrar, quase insignificante para aqueles que não sabem observar as pequenas e boas coisas da vida. Escondida atrás do clarão do dia é imperceptível na noite, mas se olhar bem, mesmo sem vê-la saberá que ela está lá. É como uma guardiã, dá seus sinais, sopra os caminhos e se esconde pois não gosta de platéia. Sem passado, sem futuro, é ela e apenas ela, nova, limpa, cada dia como se fosse única. Meu passado ainda é bastante presente e o futuro faz parte dos meus planos, e longe estou de tanta transparência, mas que algo de nova existe em mim, isso eu sei, assim como aposto que também existe em você.
E aquela lua estranha que eu nunca entendi, a minguante, hoje me mostra um lado bem marcante da humanidade. Aquela dúvida de estar sempre meio-cheia ou meio-vazia reflete a vida de muitos de nós. A minha e a sua em alguns ou muitos momentos. Nem sempre sabemos se estamos meio-cheios ou meio-vazios com as coisas. Cheios de raiva ou vazios de afeição. Cheios de ódio ou vazios de amor. Cheios de alegria ou vazios de tristeza. Cheios de calmaria ou vazios de angústia. Cheios de barulho ou vazios de silêncio. Cheios do mundo ou vazios da paz. Cheios de dinheiro ou vazios de dívida. Cheios de fome ou vazios de alimento. Cheios de nós mesmos ou vazios de esperança.
E é assim mesmo. Um dia meio cheio outro meio vazio, um dia bem outro nem tanto, um passo a frente dois para traz e assim é que se vive. É no meio desses rompantes que fazemos nossos planos, que os reconstruímos, que conhecemos pessoas especiais e logo em seguida as desconhecemos.
São nessas idas e vindas que amadurecemos, que crescemos, minguamos, inovamos e nos enchemos de todos os sentimentos e aflições humanas. E é por isso que ainda hoje não consegui me decidir.
Acho que seria um misto de todas as luas, ou ainda um eclipse lunar, pois este ocorre apenas com a lua cheia, mas a deixa crescente e minguar antes de torná-la nova, bem ali, num piscar de olhos. Façamos de nossa vida um eclipse lunar, a cada decisão, a cada dia, a cada ano, assim poderemos aproveitar a melhor fase de nossas luas e aprender com o pior delas, e quando um dia você for detentor de um vasto “auto-conhecimento” poderá enfim me responder: que lua é você?

Sentimentos nobres! Sim, eles ainda existem...




Começo a acreditar que o fato de ser chamada de doida por uma amiga queira realmente significar alguma coisa. Sair de casa em um sábado, numa noite muito fria para encontrar alguém que eu nunca tinha visto, realmente não é algo muito natural.
Você pode até me dizer que a humanidade está assim mesmo, maluca e, que é natural encontrar com estranhos depois de 20 minutos teclando em um site de relacionamento, ou que ainda é comum você querer sair numa noite fria de sábado para tentar acalmar seu coração, mas sobretudo, sua curiosidade. Realmente serei obrigada a concordar com você, contudo, o que me pergunto é: de onde vem tanta loucura?
Talvez da vontade de ser surpreendida por coisas simples, ou de despertar algum sentimento nobre escondido depois de uma decepção ou um sofrimento grande demais. Talvez do compromisso com seu amor- próprio e de ser brasileiro, ou seja, de não desistir nunca ou ainda pela vontade incontrolável de saciar sua curiosidade.
E como somos curiosos! Tudo é motivo para um por quê, ou um e aí ? A humanidade não é maluca, é sim, curiosa. A curiosidade faz com que as pessoas cometam loucuras.
Quantas vezes por não se agüentar de curiosidade você não tomou uma atitude precipitada ou cometeu algum erro? Eu poderia enumerar diversos acontecimentos, mas hoje me prendo a este, um encontro, num lugar conhecido, com um desconhecido e por quê?
Bem, porque precisava matar minha curiosidade.
Mas e ai?
E ai que me surpreendi.
Na verdade é isso que acontece. As pessoas querem matar sua curiosidade, mas, sobretudo precisam surpreender-se. A surpresa é que controla as mazelas da humanidade, ressalvo, a surpresa boa, é ela que salva o mundo da loucura que leva ao crime ou ao descontrole. As surpresas agradáveis quebram ciclos de violência, de tragédias e, sobretudo dão espaço ao novo e à esperança.
Ter saído de casa na noite fria, com uma intensa curiosidade e aquela vontade de dessa vez surpreender-se para valer, fez daquele momento único. Único, pois permitiu que eu observasse cada detalhe, os olhos pretos e puxados, a boca pequena que escondia um sorriso encantador, as mãos pequenas e bem cuidadas, o colar no pescoço e a pulseira escondida embaixo do agasalho, que devem ter tantos significados para ele, os óculos que iam e vinham no seu rosto. Mas mais que isso, me permitiu encontrar uma pessoa boa, no meio de tantos desencontros.
Gestos delicados, palavras gentis e carinhosas, bom humor, é... aquela pessoa deveria ser mesmo especial. Mas basta que uma surpresa boa aconteça para que você logo se pergunte: mas será? Será real? Será verdade? Será que mereço?
E eu te respondo, com toda a certeza, você merece. E merece mais. Merece ser olhada daquela forma todos os dias da sua vida, receber todos os elogios do mundo, ganhar rosas e chocolates (sem se preocupar com as calorias que eles te trarão), receber serenatas e poesias com seu nome, ou deixar ser conquistada todo dia. Contudo, você só receberá isso, ou um terço disso quando achar que realmente merece. E para isso você precisa resgatar uma coisa simples e que vive esquecida na maioria das pessoas, o amor-próprio.
O resgate desde sentimento nobre, lhe permite ser nobre com outros sentimentos, inclusive com um bem famoso, um tal de amor, que você já deve ter ouvido falar.
E foi assim, resgatando meu amor-próprio, me deixei surpreender. Foi neste resgate que deixei de escolher, de tentar otimizar para simplesmente deixar acontecer. E foi nesse momento que fui escolhida.
- Eu escolhi você.
- Me escolheu? Como assim?
- Te escolhi pra te fazer feliz.
- Isso é uma promessa?
- Sim.
- Então vou te cobrar até o último dia da minha vida.

Engane Murphy e seja feliz!



“Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará”, ou seja, se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível, já dizia o engenheiro Edward A. Murphy Jr., em 1949.
Remeto-me a Murphy novamente, pois, depois de publicar minha primeira crônica em um jornal, recebi e-mails de amigos que sugeriram algo menos pessimista ou até mesmo uma continuação da crônica com um final: felizes para sempre.
Depois de muitas decepções e desilusões pessoais comecei a ver a vida de outra maneira, com um olhar bem mais Murphy e bem menos conto de fadas, mas posso afirmar, sou muito mais feliz assim!
O fato de algo em sua vida dar errado, e da pior maneira possível é muito positivo, pois, se você consegue dizer que algo foi muito ruim é porque você tem algo muito bom que lhe sirva de referência, desta forma, a vida nunca será sempre um horror, ela será um misto de bons e maus momentos, de críticas e construções, de alegrias e tristezas.
Culpar Murphy é uma forma de ilustrar o quanto é mais simples continuar o ciclo de tragédias a rompê-lo, então aí vão algumas dicas para construir um final feliz para a sua história:
Se seu despertador faz um barulho ensurdecedor e te irrita todas as manhãs, compre um galo, acorde com o som da natureza, regresse ao mundo bucólico dos poetas franceses e sinta-se revigorado! Afinal, o galo não é cor-de-rosa, não quebra e pode acordar aquela sua vizinha chata que te irrita toda noite com o som alto.
Acabou de se levantar e levou um tropeção? Tudo bem, aproveite o quase tombo pra treinar aquele passo da aula de dança, saia girando pelo seu quarto, requebre até o chão na frente do espelho e siga para o banho.
O chuveiro está frio? O shampoo acabou? Sem problema, lembra-se do galo? Nos tempos bucólicos era muito comum banhos em tinas, e hoje eles são chiques e caros, à venda em clínicas de estética de todo o mundo. Esquente água e tome seu banho de “tina”, quanto ao shampoo, use o sabonete e depois capriche no creme para pentear, afinal essa invenção deve ter alguma serventia além de ensebar os cabelos.
Suas roupas estão sem passar, você coloca aquela blusa branca de sempre e consegue sujá-la antes de ir para o trabalho? Ok, não precisa se descabelar e nem tente limpar, porque não vai adiantar, o melhor é usar aquela blusa que você comprou ontem e estava guardando para o final de semana, garanto que sua auto-estima será elevada e o ciclo de tragédias será rompido instantaneamente.
Já ouviu falar em testar a paciência? Levar uma bronca no trabalho, ouvir um desaforo de alguém na rua, ou receber um café frio de uma cantina são ótimas oportunidades de fazê-lo. Teste seu poder de fingir que entende, ouça e finja que não ouviu, e finalize com um sorriso bem amplo e um muito obrigado! Você vai ver como as coisas melhoram. A melhor vingança para um desaforo é a indiferença, ela causa incômodo porque mostra que você é muito melhor e mais importante que qualquer palavra mal-educada.
Tomar um banho de chuva forçado porque esqueceu o guarda-chuva não é o fim do mundo, aproveite pra sentir cada pingo em sua pele, ouvir o barulho das gotas caindo em cada estrutura, respire fundo, sinta o cheiro da terra molhada e cante: “I’m singing in the rain; Just singin’ in the rain; What a glorious feeling; I’m happy again…”.
E quanto ao atraso, bem, ele é constante na vida de muitas pessoas, atrasar-se, perder um ônibus, ter que esperar 30 minutos em um terminal, ou em uma estação rodoviária, pode ser algo muito enriquecedor. Outro dia mesmo estava em São Paulo e enquanto aguardava meu ônibus no terminal rodoviário, pois tinha perdido o anterior, uma mulher sentou-se ao meu lado, abriu um livro e continuou a lê-lo, quando concluiu a última página me olhou e disse: Que lindo! Quero te dar esse presente hoje, leia isso aqui.
Eu li, e era a última página do livro “Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres”, do autor Augusto Cury, e aquelas palavras me marcaram, talvez porque era o dia do meu aniversário e estava sozinha em uma cidade estranha depois de prestar um concurso público, ou simplesmente pelo fato de ter aprendido algo mais naquele dia. Quando aquela mulher se levantou e despediu-se ela não disse até logo, ela disse: uma feliz vida para você. Obrigada, eu disse, e sorri.
Assim, finalizo com a seguinte reflexão, as coisas sempre podem piorar e a intensidade dessa situação irá depender da sua imaginação e dos seus atos, da mesma forma que um simples sorriso, uma piada sem graça ou o cantarolar de uma música pode quebrar o ciclo de tragédias e deixar tudo melhor. Afinal, ao contrário do que diz aquele ditado ridículo, eu acredito que “se melhorar, melhora” e não estraga como dizem por ai...Então, crie seu final felizes para sempre e carpe diem!