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domingo, 2 de outubro de 2011

Relacionamento sim senhor!

Na semana passada refleti sobre um tema que causa inquietação e murmúrios por toda parte. O tal “casamento” movimentou minhas redes sociais e meu Blog, provando por A + B que por mais que se diga o contrário todas as pessoas precisam, gostando ou não, falar sobre relacionamentos, seja para exaltá-los ou criticá-los, o fato é que esse é um tema que nunca sai de moda.
Estive numa livraria semana passada e perdi a conta dos livros que traziam em seu título dicas para casais, orientação para pais e filhos ou passo-a-passo para relacionar-se com seu chefe. Relacionar-se é inevitável, vivemos em um mundo de relações, ora de amor, ora de poder, ora de concessões ou conquistas, mas sempre permeadas por pessoas.
Pensando nisso é possível entender o pavor de algumas pessoas ao terem que expor sua opinião em público, a angústia de uma divergência entre casais, a vergonha de falar o que se sente, o medo de contar o que se passa na relação mais íntima que conseguimos ter: aquela que é da gente com a gente mesmo.
Quando não nos aceitamos dificilmente conseguimos aceitar o outro. Quando não nos compreendemos, provavelmente entender o outro será um grande desafio. Quando não conseguimos ouvir nosso coração, raramente conseguimos ouvir um coração que se abre para nós.
Não pretendo falar sobre relacionamento entre casais, minha intenção hoje é outra, é apontar um conceito de relacionamento muito mais amplo e que pode influenciar não só sua relação com as pessoas, mas inclusive quais pessoas gostarão ou poderão fazer parte das suas relações.
Existem pessoas que fazem parte da nossa rede de relações obrigatoriamente desde o início de nossa existência, aprendemos com elas nossos primeiros passos, nossos sabores e dissabores sobre todos os “sins” e “nãos” dessa vida. Essas pessoas, as quais chamamos de família não foram escolhidas por nós, pelo menos não nesta vida e a decisão por mantermos ou não nossos laços com elas cabe apenas a nós mesmos.
Cansei de ouvir histórias de famílias rompidas, não falo aqui de separação, pois existem muitos casais que mesmo separados conseguem manter os laços familiares, falo de rompimentos que culminaram no desencontro de caminhos, na ausência de se compartilhar o que se vive, o que se sente e o que se espera da vida.
Quebrar uma relação de afinidade, quando se trata de um membro familiar, poderia ser comparado a se retirar do jogo uma carta fundamental do baralho, deixando ali um buraco, um espaço, que omite sentimentos e geralmente não assume vontades, mas um espaço que pode voltar a ser ocupado a qualquer tempo, tão logo se volte a carta ao jogo.
Creio, contudo, que de todas as relações àquelas que mais nos consomem não são as familiares, mas as escolhidas por nós, as relações de amizade, de amor, de trabalho. Relações por vezes inevitáveis, construídas por obrigação em alguns casos, por pura afinidade em outros e que cuja continuidade já não depende exclusivamente de nós. Neste tipo de relação, quando se dá o rompimento, por vezes, reatá-la é tarefa quase impossível.
Oras, mas será que é por esse motivo que por tantas vezes se parece muito mais doloroso romper com uma relação de afinidade do que familiar? Ótima pergunta...Confesso que não tenho resposta para isso, mas algumas suposições...
Quando estamos no nosso ambiente familiar podemos ser verdadeiramente nós, em nossa essência, afinal são pessoas que nos viram nascer, que sabem como somos e o que pensamos, do que gostamos e o que abominamos. Não é preciso fazer tipo para as pessoas que te conhecem tão bem. Não é preciso fingir que gosta ou que está de bom humor no único local onde você pode ser você mesmo.
As demais relações presumem conquista, confiança e para sermos aceitos precisamos nos mostrar confiantes, simpáticos, alegres, cheios de vida e de bons sentimentos. É isso que atraia as pessoas, é isso que faz brilhar os olhos e a outra pessoa dizer: nossa que garota legal. E fazemos isso inconscientemente, o ser humano por sua natureza não vive só e para tanto precisa de aprovação, precisa ser acolhido por um, dois, ou dez grupos para sentir-se útil, para sentir-se vivo.
Assim, quando se rompe um vínculo de amizade, de amor, de trabalho, a dor é por vezes pior que um conflito familiar, pois inevitavelmente se irá pensar: mas eu fiz tanta coisa por essa relação! Eu me doei, eu me desgastei, eu mudei meu jeito de ser...E agora por mais que eu queira não há meio de reatar esse laço.
Creio que todos já passaram por isso antes, e se não todos, posso afirmar também que a grande maioria se decepcionou grandemente. E aqui está o grande segredo do medo de nos relacionarmos, aqui está o motivo do tema relacionamento causar tanto burburinho: mais difícil que relacionar-se é deixar de relacionar-se.
Nossas maiores dores são por perdas, os ganhos são computados em escalas milimétricas, já as perdas...Ah! Essas assumem escalas em quilômetros quadrados. Se perdemos tanto é porque doamos demais, é porque investimos demais, é porque esperamos demais e sobretudo porque gastamos força demais.
Então me pergunto: será que já não é hora de deixarmos nossa energia para os ganhos? Será que já não é hora de pararmos de tentar agradar o tempo todo? Será que já não passou da hora de tirarmos as máscaras em nossos relacionamentos?!
Relacionamento é bom, sim senhor! É maravilhoso estar com as pessoas, saber o que elas pensam, no que elas acreditam e até discordar delas, mas isso não significa que você precisa gastar energia mudando seu comportamento, suas ideias, seus desejos para aparecer mais bonita na foto, mais inteligente no grupo, mais legal na sala de aula.
No dia em que nos sentirmos como em casa, amparados em uma zona de conforto que afasta o medo de não sermos aceitos diante de nossos amigos, de nosso companheiro, dos nossos colegas de trabalho poderemos assumir relacionamentos verdadeiros, relacionamentos pautados na única verdade que é válida nesta vida: aquela que você conta para você mesmo.
Sugiro então que sejam jogadas todas as máscaras no lixo, deixadas as capas e os sorrisos falsos no baú antes de se abrir a porta para um novo relacionamento, só assim deixaremos de ter medo de nos relacionar, pois não haverá mais testes, mais cobranças, afinal quem estará na porta da frente será você com toda sua essência, incluindo aqui o que se tem de melhor e pior, restando pouco para se descobrir e criticar.
Vamos perder o medo de nos relacionar! Vamos perder este medo da melhor maneira possível: nos relacionando! Não existe melhor hora, nem lugar, onde houver pessoas é possível se despir dos preconceitos e dos temores para colocar o primeiro livro na estante dos relacionamentos e posso garantir que quanto maior o número de títulos mais interessante será a SUA história...

domingo, 25 de setembro de 2011

Casar ou comprar uma bicicleta?!


Convivo há mais de doze anos com três pessoas que se tornaram essenciais na minha vida. São três amigos maravilhosos (a ruiva, o loiro e o moreno) que vivem me cobrando para falar deles nos meus textos e por mais que eu já tenha afirmado a presença deles em muitas histórias ainda não se contentaram.
No último mês, contudo, me sobraram motivos para escrever um pouco sobre a relação de amizade e cumplicidade que nos une, principalmente pelo fato dos três terem entrado em uma nova fase de suas vidas. No final do mês passado um deles, a minha amiga ruiva, foi pedida em casamento e o amigo loiro casou-se. Como não poderia deixar de ser, o moreno, que mora em outro país e vive em uma união mais que estável, anunciou nesta semana que vai ser papai e eu consequentemente serei titia.
As três notícias me fizeram imensamente feliz. Vibrei ao saber que finalmente minha amiga realizaria o sonho de se casar, me emocionei na cerimônia que coroou a união de um amigo que fez parte de tantos momentos da minha vida, e cheguei a chorar ao saber sobre a gestação do meu sobrinho, afinal, esses amigos são mais que irmãos para mim, são verdadeiros guardiões, meus anjos sem asa.
Nesses mais de dez anos de amizade não teve um dia sequer em que não pensasse neles, não teve uma notícia ruim ou maravilhosa que não tivéssemos compartilhado, não teve segredo, ofensa ou deslealdade e assim continua sendo: amizade verdadeira, para o resto da vida.
Na cerimônia de casamento, o quarteto fantástico (que por conta da distância e dos rumos que a vida deu a cada um de nós, se encontra bem menos do que gostaria) conseguiu se reunir e pudemos relembrar algumas histórias do início da nossa amizade, imaginar o futuro e aproveitar cada segundo do presente que nos unia mais uma vez.
O padre durante a benção aos noivos utilizou-se do texto Sermão de Casamento, de Mário Quintana para a realização dos votos e achei tal atitude brilhante. Aquela história de ser fiel na alegria e na tristeza, até que a morte os separe, já caiu por terra há muito tempo. Ninguém é obrigado a viver na tristeza esperando a morte chegar, ninguém é obrigado a suportar o desrespeito e a infelicidade só para manter as aparências e, apesar de muitas pessoas o fazerem, creio que não deveriam.
Meu último relacionamento me trouxe algumas cicatrizes, mas me ensinou que ninguém é obrigado a ser infeliz nem sequer por um dia condicionado a outra pessoa. A felicidade de um relacionamento está justamente na liberdade, no respeito à decisão do outro. O amor consiste em querer bem ao outro mesmo que longe das amarras. Foi então que notei que não precisava nem dele nem de ninguém para ser feliz. A felicidade real estava nos meus olhos, no meu querer e não precisei de muito para encontrá-la dentro de mim.
Estar com meus amigos naquele dia, escutar aqueles votos tão modernos, saber da felicidade em cada um deles e da cumplicidade que nos une, me deixou feliz. Mesmo sendo a única “avulsa” do quarteto, não me senti sozinha nem durante a dança a dois, nem durante o brinde, pois um deles sempre estava por perto, me fazendo rir e me mostrando mais uma vez que não preciso de muito para me sentir bem.
Apesar da liberdade e da felicidade que tenho sentido constantemente por poder viver só para mim e por mim nos últimos meses, me fazendo redescobrir do que eu gosto, do que eu preciso, o que eu quero e o que abomino sem medo do que os outros vão pensar ou se isso é atrativo ou não...Quando se passa dos vinte e cinco e se começa a receber convites para ser madrinha de casamento ou batismo, quando encontra colegas da escola e os vê com filhos nos braços ou aliança nos dedos, quando você encontra com sua família e a primeira pergunta que te fazem é porque você ainda não casou, algumas inquietações começam a perturbar entre elas a crucial dúvida: Casar ou comprar uma bicicleta?
Conheço pessoas que assumiram a primeira opção e estão felizes da vida, outras que fizeram a primeira escolha a deixaram de lado e hoje não pensam nessa possibilidade nunca mais, assim como têm aqueles que mesmo não seguindo o juramento na primeira escolha ainda buscam outra oportunidade de concretizar um casamento feliz. Quanto aqueles que optaram pela segunda opção pouco os vejo com anseio de assumir a primeira, geralmente estão certos de que o caminho é esse. Mas existem ainda outras pessoas que não se decidiram e hoje me encaixo nessa terceira lista.
Tenho passado dias tão felizes nos últimos meses, tenho me realizado com tanta coisa e tenho visto tantos casais brigando, tanta pressão de alguns relacionamentos que chego a me sentir sufocada por eles. Outro dia sai para jantar com um amigo e disse a ele: se você fosse meu namorado provavelmente não teríamos nos divertido tanto, pois com certeza alguma coisa para se criticar ia aparecer durante, antes ou depois do jantar.
E é exatamente assim que estou me sentindo em relação a relacionamentos. Não estou amarga, fiquem despreocupados, não desisti de me apaixonar, mas é que tem sido tão bom estar sozinha, sem cobrança, sem crítica, sem a obrigação de abrir mão disso ou daquilo pra evitar uma cara feia, uma discussão. É tão simples ser feliz! Não quero me aborrecer, então porque me incomodar com o fato de estar chegando perto dos trinta anos e estar solteira?
Pelos outros. Essa é a melhor resposta. Pela família, pela sociedade, pelos amigos, por eles que me incomodo tanto, por eles que tantas pessoas uniram-se e vivem infelizes e outras tantas estão com casamento marcado mesmo já tendo escolhido a bicicleta.
Estou disposta a não me torturar mais. Não vou fazer mais nada para agradar os outros, a não ser que seja esse o meu querer. Não quero mais namorar alguém só por me sentir sozinha, ou por ser cobrada por estar sozinha, hoje me lembro de todas as vezes que me senti sozinha mesmo ao lado de alguém e quer saber? A minha solidão hoje é saudável a outra nunca foi.
Não abandonei meus sonhos, só deixei de alimentar alguns deles por enquanto. Ainda quero ter uma família, um filho quem sabe, mas para isso eu preciso estar bem e descobri que tenho conseguido ser bem mais feliz, em um espaço bem restrito que existe entre o casamento e a bicicleta. Então, para quem ainda não se decidiu ou está repensando a escolha eu sugiro subir no muro, aqui de cima os horizontes são bem mais amplos e é possível descobrir bem mais que dois caminhos...
Suba no muro, escute seu coração, feche os ouvidos para os outros e seja tão feliz quanto puder suportar! Garanto que não irá se arrepender...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Desgraça pouca é bobagem! (Conclusão)


Finalmente chego ao final desta trilogia que de tanto enrosco estava parecendo a história sem fim. Para quem chegou agora nessa viagem, não se preocupe, adianto o ocorrido em suma e lhes convido a ler os detalhes em publicações anteriores, para entender com clareza todo o mistério que envolve essa trama de imprevistos.
Para começar, diria que se trata da descrição de um dia de caos. Dia esse que se iniciou numa manhã fria de sábado, com um fusível queimado, um banho frio, seguido por um carro atropelado por outro carro no final da noite, carro esse que pertencia a uma querida amiga (que estava apenas de passagem pela minha casa) e que estava estacionado em frente ao meu prédio, em uma rua reta. Ressalto que o infrator não tinha seguro.
Se bem me lembro, o último fato relatado foi a entrega do documento pelo motorista maluco e a bem sucedida tentativa de acionar o seguro por parte da minha amiga. Pois bem, seguro acionado era hora de pensar no que seria feito do prejuízo.
Para não torná-lo ainda maior, minha amiga decidiu ir embora com o guincho até a cidade dela e para tanto voltamos ao apartamento para organizar sua mala. Ao entrarmos encontramos a casa toda iluminada, com a televisão ligada e o telefone fora do gancho, tudo no lugar em que havíamos deixado quando saímos correndo para saber o que estava acontecendo ao ouvir a batida.
Acontece que o caos parecia longe de terminar e para nossa surpresa e descrédito, após uns dez ou quinze minutos da nossa chegada a luz do apartamento simplesmente desapareceu. Tudo parou de funcionar, nenhuma lâmpada, nenhuma tomada, nada, ficamos totalmente no escuro. Na mesma hora pensei: Maldito fusível! Contudo, ao investigar a casa toda percebi que nada funcionava, e seria impossível encontrar o problema naquela escuridão, então o jeito era terminar de arrumar as coisas dela pelo tato e descer.
Utilizamos as lanternas do celular para buscar as coisas que estavam espalhadas pelo quarto, nos assegurando de que tudo estava dentro da mala. Ao sair no corredor, percebi que o problema (feliz ou infelizmente) não era apenas do meu apartamento, mas sim do prédio todo. A luz do hall, os elevadores, nada tinha sinal. Como consequência tivemos que descer 12 andares de escada, com uma mala nas mãos, parecendo estrelas de um filme de terror de péssimo gosto.
Durante o percurso encontrei diversos vizinhos assustados, com velas nas mãos querendo saber o que tinha acontecido, mas nem me arrisquei a contar, pois se soubesse do nosso dia de caos com certeza atribuiriam a nós a culpa por ter faltado energia no prédio.
Ao chegar à calçada percebemos que a força havia acabado não só no prédio, mas no quarteirão inteiro. Pelo menos não ficamos presas no elevador, isso sim seriam uma tragédia!
De volta ao local do acidente, foram fechados os últimos ajustes do acordo para que o seguro fosse acionado e minha amiga não ficasse com o pior dos prejuízos. Conversa findada, nos despedimos do motorista maluco que ainda teve a ousadia de dizer:
- Mas já vou ter que ir embora? A companhia está tão boa!
Mal ele saiu e nós caímos na risada, mas será possível que nem nessa situação nos livramos dessas cantadas baratas?!
Já passava das dez horas da noite e nada do guincho chegar, meu estômago começou a dar sinais de que estava com fome. Deixar o carro ali não era uma boa, a porta do motorista não fechava e a última coisa que faltava era ele ser roubado e isso não desejaríamos de jeito nenhum, o jeito era ficar por ali até que o guincho chegasse.
Para amenizar a fome, fui ao apartamento e desci com dois pedaços de pizza da noite anterior, lanchinhos com queijo e requeijão e uma garrafa de refrigerante. Já que tudo de pior tinha acontecido, engordar uns quilinhos não seria nada e confesso que nunca tinha feito um piquenique no carro noite adentro, mas até que foi engraçado.
Entramos no carro batido para fugir da chuva e do frio e lá ficamos, comendo, relembrando cada minuto desse dia que pareceu mentira e pensando em como teria sido o último capítulo da novela, até o guincho chegar.
Com a chegada do guincho nos despedimos do carro e de sua dona, que deve ter pensado mil coisas na longa viagem de volta para casa, sentada naquele caminhão, levando o carro na garupa.
Quanto a mim, ganhei uma gripe daquelas e aprendi algumas preciosas lições: carro sem seguro não é seguro. Morar no décimo segundo andar nem sempre é vantagem. Nunca indique uma vaga para seu amigo estacionar. Os eletricistas cobram mais caro aos finais de semana. Nunca se deve deixar a geladeira vazia. É melhor descer doze andares de escada no escuro do que ficar preso no elevador. Sempre é prudente ter velas ou uma lanterna em casa. Para manter a calma geralmente é preciso uma terceira pessoa. Na internet você encontra todos os últimos capítulos de todas as novelas. Nunca se está livre de uma cantada barata. Um piquenique é propício em qualquer lugar onde exista fome. Amigas de verdade te fazem rir até nos piores momentos. E a principal delas: sempre tenha uma câmera fotográfica em mãos, pois tem coisas que se contar, ninguém acredita!
Estou pensando em lançar um quite para pessoas que vivem sofrendo com a ironia do destino, existem coisas que geralmente são esquecidas, mas que podem ser muito úteis em ocasiões como as que vivemos nesse sábado caótico. Agora além do guarda-chuva, do par de meias e de uma chave reserva da casa eu também vou ter uma lanterna dentro da bolsa e o telefone de um guincho e de um eletricista.
Aos que acompanharam todo o desenrolar e desfecho dessa história agradeço a paciência e informo que tudo se desenrolou bem depois do sábado sem fim, que mais pareceu o parque dos horrores. E para quem acha que prevenir não é o melhor remédio, diria que a precaução é sempre uma boa escolha mesmo diante do imprevisível, pois vai que...

domingo, 4 de setembro de 2011

Desgraça pouca é bobagem! (Parte II)

Bem, como dizia na semana passada, existem coisas simplesmente inacreditáveis e imprevisíveis. Há quem diga que consegue planejar seus dias e prever o futuro, a eles diria com garantia que deveriam abrir algum negócio, pois com certeza seria lucrativo, visto que a única coisa certa nesta vida é a morte e nem isso pode ser planejado.
Para quem não está por dentro do assunto, na semana passada comecei a contar um dia de caos compartilhado por mim e por uma grande amiga. Tendo seu início numa manhã fria de sábado, com um fusível queimado, um banho frio, chuva e por fim um carro literalmente atropelado por outro carro. Na ocasião a vítima era o carro da minha amiga que estava estacionado na rua reta, bem em frente à entrada do meu prédio.
O estrago no veículo foi grande. Depois de chegarmos ao local e verificar o tamanho do prejuízo foi hora de começar a pensar em providências. Olhei em volta e não vi sinal de polícia, as viaturas que vivem rondando o quarteirão passaram bem longe naquela noite chuvosa, o jeito era acionar um veículo:
- Polícia Emergência.
- Boa noite, aconteceu um acidente de carro e gostaria de fazer um Boletim de Ocorrência.
- O acidente foi entre dois veículos senhora?
- Mais precisamente três, um carro bateu e acertou dois veículos estacionados.
- Existem vítimas no acidente, senhora?
- Não.
- Nesse caso o B.O. pode ser feito na segunda-feira a partir das seis horas da manhã, mais alguma dúvida?
- Todas! A dona do veículo que sofreu a batida não é daqui, ela precisa acionar o seguro, fazer o B.O. hoje, não pode mandar uma viatura ao local?
- Não senhora, este serviço fica disponível a partir de segunda-feira, só mandamos viatura se tiver vítima.
Na mesma hora pensei, logo vai ter uma aqui, minha amiga vai enfartar e eu junto. Sem saber mais o que falar, passei o telefone pra minha amiga e disse:
- A polícia não vem, o B.O. só na segunda.
Ela ainda tentou insistir, mas como viu que não teria sucesso o jeito foi tentar amenizar o prejuízo falando com jeitinho com o motorista maluco:
- Você está bêbado?
- Claro que não moça!
- E como você conseguiu a proeza de acertar meu carro ali, estacionado, você colocou meu carro na calçada!
- Eu tive que desviar de uma moto, e ai perdi o controle, moça, mil desculpas.
- Você tem seguro?
- Não.
Danou-se. Pronto, agora sim a confusão ia começar a tomar corpo. O Zé mané não dispunha de seguro, nem de sorte porque acertou os dois carros de uma só vez, sendo o alvo principal o carro da minha amiga.
Depois de muita explicação e conversinha avistamos a chegada dos agentes de trânsito, preocupados com a liberação da rua, visto que o carro havia ficado atravessado, atrapalhando a passagem. Nem quiseram saber de quem era o prejuízo. Perguntei a um deles sobre a história de não poder fazer BO nos finais de semana e a informação foi confirmada, depois vi enquanto perguntavam ao motorista como havia conseguido acertar dois carros ao mesmo tempo, naquela reta, mas mais uma vez o mistério pairou no ar...Acho que ninguém nunca vai saber exatamente o que aconteceu.
Bom, depois de tirar o carro do meio da rua, foram todos os agentes de trânsito embora e lá ficamos, eu, minha amiga e uma segunda amiga que veio tentar manter o controle da situação (aliás, ela fez ótimas fotos da batida que podem confirmar essa história que parece mentira, diga-se de passagem).
Depois de quase uma hora no telefone com a empresa do seguro, minha amiga conseguiu o envio de um guincho para que o carro fosse levado até a cidade dela. Nessas horas é que vemos se o serviço realmente funciona, o que ela comprou aparentemente era mesmo “seguro”, afinal, tudo pareceu correr bem.
Seguro acionado, restava fazer o acordo com o motorista que deve ter tirado carta em algum carrinho de batida de parques de diversões e esperar o guincho chegar. O motorista parecia apesar de Mané, ser de boa fé e estava disposto a colaborar com o que fosse preciso, então fui logo ao que interessava:
- Me empresta seu RG, preciso anotar seus dados.
- O número é tal, tal, tal.
- O senhor não entendeu, eu quero ver o número do RG e a Carteira de Habilitação.
- Por quê? Você não confia em mim?
- Ah! Mudou?!
- O quê?
- O senhor bate num carro estacionado, não tem seguro e eu tenho que confiar em você? Nós nem nos conhecemos, o mínimo que o senhor faz é passar todas as informações.
Depois dessa ele entendeu que estávamos dispostas a encerrar logo aquela confusão, passou nome, telefone, endereço, placa do carro, documento, tudo e ficou nos atormentando com um discurso que estava mais para filosofia de bar do que desculpas sinceras.
Mas o resto desta história eu conto na próxima semana, ao apresentar o último capítulo que infelizmente não foi o da novela, mas teve um final bem atípico, muito diferente dos que se costuma ver nos folhetins.

Ilustração: O estado caótico - J. Victtor. Disponível em: http://blog.jvicttor.com.br/2008/12/12/o-estado-caotico/

domingo, 28 de agosto de 2011

Desgraça pouca ... (Parte I)


Até agora tento entender o que aconteceu. Lembro-me de cada detalhe e cada vez mais me pergunto como foi possível acontecer tudo aquilo. Talvez tenha sido um daqueles dias de confusão astronômica, onde o caos se instala dentro de segundos e torna tudo complicado e atípico. Se for isso mesmo menos mal, pois dizem que essa raridade acontece a cada 5 ou 10 anos, quando se faz necessário o início de um novo ciclo.
Tudo começou com a vinda de uma querida amiga para passar o final de semana em casa, a chegada programada com antecedência devia-se à necessidade de assistir uma aula da pós-graduação, mas mais do que isso serviria também para que pudéssemos colocar o papo em dia e relembrar bons tempos.
Sexta-feira foi um dia comum, jantamos juntas, colocamos o papo em dia, pudemos rever alguns amigos, ouvir boa música e chegar em casa com tranquilidade. Creio que a mudança brusca de temperatura e a chuva gelada que nos recebeu naquela noite, já poderia ser o início do caos, mas até então, nunca poderíamos prever o que seria o nosso sábado.
Acordar cedo não foi fácil, mas era preciso, a aula começava as oito e tínhamos o dia todo pela frente. Enquanto minha amiga tomava banho resolvi secar meu cabelo e eis que começa a se instalar o ciclo do caos, coisa de cinco minutos depois do secador ligado escuto ela gritando no banheiro:
- Amiga, ficou tudo escuro aqui e a água está fria.
O secador que também havia parado de funcionar, me indicava que o problema era mais grave do que eu pensava. Corri para a sala e percebi que nenhuma luz da casa acendia, nem as tomadas funcionavam. Abri a caixa de força e arrisquei trocar um fusível, sem sucesso.
O jeito foi ela terminar o banho com a água fria (lembrando que a temperatura não estava nada convidativa para isso) e eu tive que desembolsar uma grana para chamar um eletricista no sábado de manhã.
Ela foi para a aula, mais acordada do que nunca, afinal o banho frio serviu para alguma coisa, e eu fiquei esperando o eletricista. O rapaz que já havia me socorrido em outra situação me alertou que nunca, jamais, nem em pensamento, eu poderia ligar o chuveiro e o secador ou o micro-ondas ou ainda a máquina de lavar ao mesmo tempo. Por sorte tinha um fusível de reserva e foi possível restabelecer a energia do apartamento, garantindo assim o banho quente e o último capítulo da novela no final da noite.
Peguei um ônibus e fui para a aula. Não consegui chegar antes do intervalo da manhã, já que precisei aguardar dez minutos até a chegada do ônibus e enfim, depois de meia hora chegar à aula, já perto do intervalo do almoço. Fui presenteada por outra chuva fina e gelada antes de entrar na sala, mas garanti o acompanhamento da disciplina até o final.
No final da aula nos reunimos com alguns colegas de sala para colocar a conversa em dia e falar sobre as pérolas ditas na sala e tão logo decidimos voltar para casa o caos se reinstalou. A chuva voltou a cair, ainda fina, como uma garoa. Chegamos à rua do apartamento e minha amiga disse:
- Você acha que tem algum perigo caso eu decida deixar o carro aqui na rua até irmos ao mercado?
- Não tem não, quando voltarmos você coloca no estacionamento, agora é tranquilo.
Ressalta-se que a intenção era subir, tomar um banho quente, ir ao mercado comprar comida e ir à casa de outra amiga para assistir o último capítulo da novela que ambas acompanharam do início ao fim (ou quase fim). Mas enfim, continuando o diálogo:
- E onde você acha melhor estacionar?
- Estaciona ali na frente, assim podemos ver o carro da janela do meu quarto.
- Nossa, será que consigo parar nessa vaga?
- Mas é claro, olha o tamanho da vaga! Você consegue!
Ela manobrou com cuidado, parou o carro, descemos e dez minutos depois de entrar no apartamento escutamos um barulho enorme e o som de um alarme. Na mesma hora ela gritou:
- Taline, o meu carro!
Olhamos pela janela e avistamos do décimo segundo andar o carro dela na calçada, atingido por outro carro na lateral.
Abro um parêntese para informar que não moro em uma curva, meu apartamento fica em uma rua reta, com pouco movimento aos finais de semana, sem contar que a vaga onde ela estacionou, era precedida por uma lombada que garante a velocidade controlada dos veículos, ou pelo menos deveria fazê-lo.
Olhei para o rosto da minha amiga, estava pálida, assustada tentava encontrar um sapato e me pedia para descer e não deixar o motorista fugir. Ela usava um moletom azul e tentava vestir uma bota montaria por cima da calça enquanto no outro pé tentava calçar uma sapatilha 2 tamanhos menores que o número dela. O que o desespero não faz!
Olhei para ela e disse:
- Você vai assim?
Por um instante ela se observou e trocou o moletom por uma calça jeans, calçando enfim os dois pés da bota. Ajudei a procurar a bolsa e a chave do carro que pareciam brincar de esconde-esconde naquela hora e enfim conseguimos sair do apartamento.
Descemos os doze andares rezando para o motorista barbeiro não ter fugido. Chegamos ao local e a imagem era inacreditável. A lateral do motorista inteira, o para-choque traseiro inteiro e a lateral do carona parcialmente destruídos. O carro que atingiu o veículo teve o eixo quebrado e teve que sair dali com um guincho, motivo que contribuiu para que o infrator permanecesse no local.
Era uma cena tão surreal que poderia afirmar ser mais provável um meteoro atingir o carro do que o cara conseguir acertar o carro dela daquele jeito, se bobear a probabilidade do meteoro cair é maior do que um acidente daquele acontecer novamente.
Diga-se de passagem que tem um Monza azul que fica parado na mesma rua todo dia, toda noite há mais de três meses e que sempre esteve ali, inclusive no dia do acidente e adivinhe?! Pois é, com ele não aconteceu nada! Permaneceu lá, intacto. Hoje mesmo quando cheguei em casa olhei pela janela e lá estava o Monza azul, paradinho, sem um risco sequer, foi então que pensei: - Vaga maldita!
Confesso que ainda estou consumida pela culpa, ela me perguntou onde deveria parar e eu indiquei o local exato da batida, garantindo que era seguro, mas quando é que eu poderia imaginar que um maluco que não consegue andar em linha reta iria acertar o carro dela, bem o carro dela. Ai que dó, não bastasse o banho frio da manhã, mais essa ainda...
Mas calma, essa é só metade da história, ainda aconteceu muitas coisas noite adentro... Na próxima semana continuo, com as cenas do penúltimo capítulo: Ao vivo!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Liberdade! Antes que acabe...



Livre. É assim que me sinto desde a última semana. Segura, confiante, cheia de boas intenções e convicta de que terei muitas alegrias para viver e tantas histórias para contar que um livro será pouco. Tanta certeza é reflexo da minha libertação.
Livrei-me de amarras sentimentais que me deixaram estática por um longo período. Recordações, expectativas, temores que me faziam viver em uma ilusão constante e, pior que isso, me prendiam ao passado, cobrindo com um manto cinza qualquer possibilidade de um novo caminho, de um novo horizonte.
Até agora não entendo muito bem o que aconteceu. Não sei se foi uma frase, uma imagem ou quem sabe outra ilusão que me fez cair do último andar do meu sonho de princesa, me rasgar em retalhos para que hoje pudesse exibir um novo recorte. Agora, remendos grosseiros juntam-se a linhas delicadas e remodelam meu olhar.
Descobri que ninguém consegue viver hoje um amor de décadas atrás. Isso porque não era amor, era a ilusão de amar e ser amado. Na vida real os sonhos não são tão coloridos e as nuvens não parecem de algodão. A imagem que construí por anos era só uma imagem, não era real. O que era real por vez me agradou, mas não fazia parte do meu espaço, nunca poderia fazer, pelo simples fato de não querer fazê-lo.
Entendi então que não existiu erro, aconteceu o maior acerto de todos os tempos. Eu vivi e foi tudo tão bom que chegou a me enganar. Cheguei a acreditar que minha ilusão era real, mas com o passar do tempo as máscaras caíram e ninguém conseguiu ser doce o tempo todo.
Os medos, os desejos, a individualidade, o gosto da pizza, a música do show, tudo, do mais simples detalhe até os mais amplos sonhos começaram a ocupar todo o espaço de uma vida que era para ser a dois, mas tinha lugar apenas para um.
E é assim que os castelos de areia se desfazem. Achei que o fato de ter superado isso tudo tão rápido dava-se pela certeza de já ter passado por maus bocados outras vezes e ter sobrevivido, mas não... Desta vez o sofrimento não me consumiu, pois entendi que não era para ser para sempre meu. Não era para ser a minha história, apenas fazer parte dela.
Se já me apaixonei de novo?!Não... Por enquanto me policio para não reviver sensações do passado. De hoje em diante, quero o que vem pela frente, quero o que tiver de novo, quero aquele frio na barriga e a expectativa de saber tudo o que se passa em olhos que eu ainda não conheço.
Só assim poderei ter novos capítulos na minha história. Só assim, poderei evitar os mesmos erros. A carência é uma vilã destrutível. Constantemente nos remete a boas recordações que isolam o lado torto das histórias de amor, e são nessas horas que olho para dentro de mim e respirando fundo digo: liberdade é do que você precisa. Liberdade, antes que acabe sua capacidade de recomeçar.
E é assim, com essa sensação de liberdade, sem amarras, sem o peso do “talvez”, sem a incerteza do “se” e com um tiquinho de medo que me coloco na porta da frente da minha vida para mais uma vez recomeçar.


“(...) E voar onde o longe é pouco
Cruzar os muros do além
E assim pousar na Terra
E amar muito mais que poucos
Pousar a vida em tuas mãos
E assim cruzar a Terra
Liberdade vai na poesia
Trás meu destino
Que eu vou sair.”
(Liberdade - Djavan)



Música: Liberdade - Djavan. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=R5qeq8smO68

domingo, 7 de agosto de 2011

Super Ação?! Não... Simples superação!



Acabo de chegar de São Paulo, é domingo, duas horas da tarde. Sai de casa na madrugada do dia, por volta das cinco da manhã a caminho de mais um concurso público. História que se findou há exatamente duas horas, mas que vem me consumindo há pelo menos duas semanas.
Apesar de estar trabalhando em um local que me garante estabilidade nunca deixei de prestar concursos, na verdade ainda não me sinto com o coração em paz, parece que ainda não é este o meu lugar então, todas as possibilidades que surgem de um recomeçar me incentivam a fazer provas e mais provas.
Desta vez podia ter escolhido concorrer em Sorocaba, Campinas, São Paulo ou outras cidades do Estado, mas por fim acabei optando pela capital, tendo em vista o número de vagas (quinze vezes maior que os demais locais) e por estar, no momento da inscrição, querendo fincar raízes em São Paulo por um motivo pessoal.
Acontece que neste mundo nada é previsível, em menos de um mês meu motivo pessoal desfez-se e a concorrência de lá se igualou a daqui e superou Campinas, me fazendo sentir raiva por mais uma escolha errada. Desde então estive pensando se deveria ou não fazer a prova, afinal, a desmotivação foi tanta que não me dediquei a estudar e o pior, teria que realizar a prova em São Paulo, às oito da manhã de um domingo.
Ir, não ir, fazer, não fazer, desistir, me arrepender... Depois de muito refletir a decisão por encarar a prova foi tomada. Passei então a decorar o mapa de São Paulo, do metrô e de seus arredores afinal, a caipira aqui, teria que aprender a se virar na cidade grande e desta vez sem a ajuda de ninguém.
Pedi dicas para alguns colegas que moram em São Paulo, recebi convite para dormir por lá, mas estava decidida a superar meu medo e enfrentar mais este desafio: não me perder na capital!
Para muitos pode parecer ridículo, mas nunca entendi muito bem aquele metrô, fico confusa com o sentido das linhas e ir e vir, muitas vezes me parecem caminhos idênticos. Mas desta vez parecia que tinha um anjo à frente me guiando, me dando confiança e garantindo que tudo corresse da melhor maneira possível.
No dia anterior à viagem organizei com calma minha mochila, me assegurando de que estaria levando tudo de que precisava, especialmente o mapa do percurso com duas possibilidades de rota, com nome das ruas e dos serviços nos arredores em destaque, sem contar o guarda-chuva, uma blusa de frio, barra de cereal, caneta, lápis, um par de luvas e um de meias (sempre tenho um par de meias extra na bolsa).
Tentei dormir, mas fui assolada por pesadelos, ansiedade é uma coisa terrível! Por fim, achei melhor levantar, tomar um banho, um café e esperar minha carona. Fui levada para a rodoviária por um amigo que nem tinha dormido ainda e, felizmente, não se importou de me deixar por lá às quatro e meia da manhã de um domingo.
Cheguei a São Paulo por volta das seis e meia da manhã, com uma garoa fina, que cessou tão logo desci do ônibus. Subi as escadas do terminal rodoviário, parei na bilheteria e me certifiquei de que estava no caminho certo, segui o fluxo e como se já tivesse feito aquele percurso por dezenas de vezes, entrei no metrô.
A viagem foi tranquila, rápida, sem imprevistos, procurei com atenção alguém com mapa em mãos ou com livros que indicassem sua ida para o mesmo local que eu, mas não tive sucesso nessa busca, o jeito era confiar na minha intuição e no mapa que estava desenhado na minha mente e bem guardado na mochila. Desci na estação correta, achei a rua onde realizaria a prova com facilidade e caminhei tranquila até o local, certa de que tinha superado um de meus medos.
Um só não, na verdade a superação foi além do medo de ficar perdida na grande cidade, superei também a vontade de reencontrar meu motivo pessoal, que estava ali tão próximo, praticamente palpável. Mas como dizem que há males que vem para o bem, tenho passado por um momento bastante delicado nas últimas semanas que me anunciou aos berros: é hora de colocar um ponto final na ilusão, na expectativa de um “se”, de outro “talvez”, é preciso viver e “já”.
Segui meu caminho em linha reta, sem olhar para trás, disposta a deixar o passado em seu legítimo lugar e recomeçar, cheia de coragem e de ação. Estou orgulhosa de mim, e já nem me lembro mais quando foi a última vez que isso aconteceu.
O resultado dessa prova, pouco importa, pois ganhei muito mais do que um novo emprego, ganhei autoconfiança, ganhei orgulho e um horizonte ampliado, tão amplo quanto a vista da janela do metrô que me fez acreditar que ainda há muito para se fazer, muito para se conhecer, há tanto que hoje posso afirmar: não preciso viver de passado...