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domingo, 5 de abril de 2009

Ilusões e blá-blá-blá


“Quando minhas filhas eram jovens, eu adorava levá-las na praia. Enquanto o pai delas dormia, eu as deixava sair para flertar. Sempre conheciam rapazes interessantes e diziam-se apaixonadas, demonstravam vontade de se casar, de ter filhos. Hoje, eu já não gosto mais de ir à praia, nem minhas filhas. Elas se incomodam com a areia e com a maresia. Estão separadas, sem filhos e nunca mais falaram de apaixonar-se. Acho que para mim um terço daquela ilusão acabou, mas para elas, muito mais”.
Ouvi esse relato de uma senhora de oitenta anos enquanto almoçava e me coloquei a pensar sobre muitas de minhas ilusões. Sobre todas aquelas que haviam sido concretizadas e todas as outras que se desfizeram neste um quarto de século.
Quando eu era criança brincava de casinha, sonhava em casar na Igreja, em ter filhos e em ser uma ótima dona-de-casa. Quando entrei na escola comecei a odiar os meninos e alguns desses planos se desfizeram. Eles eram chatos, quebravam nossos brinquedos e só sabiam jogar bola e nos colocar apelidos. Vivia correndo atrás deles com uma mochila cheia de cadernos nas mãos, com a intenção de surrá-los para valer.
Aos poucos o ódio tornou-se afeição e fazer amizade com os meninos parecia bem mais fácil do que com muitas meninas, invejosas e cheias de frescuras, que olhavam para o mesmo garoto e usavam mini-saia para conquistá-lo. Nessa época, as amigas eram raras, mas fiéis, do tipo que sabiam mais da sua vida do que você mesma e talvez por isso, sentiam-se no direito de escolher além do sabor de seu picolé, qual garoto deveria paquerar.
Na adolescência os sentimentos confundiam-se de tal forma que você era capaz de sentir o coração sair pela boca e suspirar toda vez que o professor de história entrava na sala e falava seu nome durante a chamada, do mesmo modo que sentia as pernas tremerem quando passava ao lado do garoto do terceiro ano, que nem sabia da sua existência, mas para você, isso não importava, a existência dele já lhe era mais do que suficiente.
É ainda neste período que os primeiros planos a dois começam a surgir, muitas vezes com o garoto do terceiro ano que nem imagina fazer parte deste sonho, mas isso não tem importância, pois, nessa época só se planeja, não se pensa em como cristalizar sonhos. E isso é tão bom! Você pode fantasiar estar casada, bem feliz, com filhos, numa casa linda, e com o garoto mais lindo do colégio, sem sequer se preocupar com as contas no final do mês, com a dor de barriga dos filhos, com seu excesso de peso após a segunda gestação ou com a careca do seu esposo. Você pode iludir-se à vontade, imaginar declarações de amor em público, rosas jogadas de um helicóptero, príncipes em cavalos brancos, tudo perfeito, lindo e sem problemas.
O problema é que quando você volta para a realidade, começa a pensar no quanto de tudo aquilo poderia tornar-se real e então perde “um terço da ilusão” ou mais. Perder um terço ou metade das ilusões não me parece tão preocupante, o que me inquieta é quando algumas pessoas chegam ao ponto de perdê-las por inteiro, e o pior, o fim de muitas ilusões dá-se frequentemente na fase em que teríamos maiores possibilidades de concretizá-las, com o perdão do neologismo, na “adultescência”.
Não acham que é muito triste mudar totalmente seus planos e deixar de sonhar por não ter conseguido comprar aquela casa linda, ou por não ter podido gerar um filho, ou ainda por que aquele garoto lindo do colégio nunca olhou para você? Pois é, mas isso acaba acontecendo constantemente e nas coisas mais simples do seu dia-a-dia, até que se torna rotina. Hoje você deixa de sonhar com o homem ideal, amanhã com o carro novo, daqui a um mês deixa de lado o sonho de ser mãe e logo em seguida o de dar a volta ao mundo em sete dias, e sabe o que isso significa?
Infelizmente tenho que dizer que você não deixou apenas de sonhar, deixou, sobretudo, de viver. Quando se perde o foco, o objetivo de nossos planos, passamos a ser meros coadjuvantes em nossas vidas, onde tudo está bom, nada precisa mudar, e só nos resta vê-la passar, de qualquer jeito, sem força para transformações ou novas ilusões. Escrevo esse texto, repetindo em voz alta cada palavra, pois tenho perdido muitas ilusões nos últimos tempos e isso é triste.
É hora de resgatar o restinho de esperança que ainda existe em cada ilusão e renová-las. É hora de relembrar o passado, criar o presente e planejar o futuro, sem medo de acertos ou erros, sem temor, apenas com uma vontade de dias melhores, repleto de novidades, de surpresas, de novos sons, gestos, gostos e prazeres.
Quando criança, os meninos quebravam nossos brinquedos, corríamos atrás deles com uma mochila nas mãos e lhes ensinávamos uma lição. Hoje, os homens partem nossos corações e nós os deixamos partir com nossa esperança em suas mochilas. E isso está certo?
Antes, quando o dono do bar da esquina te entregava uma bala a menos você reclamava e ganhava duas. Hoje somos roubados diariamente e não nos damos o trabalho de reclamar, pois isso requereria uma ação transformadora. Mas isso dá muito trabalho, não é?
Há algum tempo, quando colocavam apelidos em você, você bolava um bem pior para seu colega ou brigava com ele até ser levado à diretoria. Hoje, se te colocam apelidos ou te tratam mal, você vai para casa, tranca-se no quarto, olha-se no espelho e diz: será verdade?
Creio que já está na hora de voltarmos a nos indignar com todas as coisas e pessoas que se acham no direito de romper com nossas ilusões.
Crianças felizes não podem continuar se transformando em adultos amargos. Adultos infelizes não podem viver de lembranças da adolescência. Precisamos aprender a colocar pontos finais em nossas histórias, mas, sobretudo, virar a página e recomeçar a escrevê-las, com mais indignação, com novos planos, novas possibilidades e ilusões.
Vamos permitir que a esperança dos tempos de criança domine nossos dias, tardes e noites. Vamos consentir que o sorriso de sábado à tarde e o gosto do picolé de chocolate invada nosso coração diariamente. Vamos mais uma vez recomeçar, cair, sorrir, levantar, nos indignar e seguir em frente, sempre em frente.

sábado, 28 de março de 2009

Panela de pressão que cutuca o coração



Era tarde da noite e ela ali na janela, olhava ao redor e nada de encontrar o ponto de partida daquele barulho. Um chiado constante e repetitivo que a inquietava há dias.
Saiu no quintal, olhou para o céu escuro, observou as estrelas que lá pipocavam, tantas que quase o pintavam de branco. Sentou-se em um tronco encostado na porta e imaginou, criou histórias e personagens, criou coisas e mundos diferentes onde aquele barulho poderia servir.
Imaginou um trem em alta velocidade, um garoto brincando com um chocalho, pedras raspando no chão fofo, mas nada se aproximava do chiado. Olhou fixamente para as casas vizinhas, podia ver a luz dos lampiões e sombras em seus interiores, mas não encontrou nada que poderia representar aquele som.
O ar frio começou a incomodar e ela retornou para casa, foi até a cozinha, colocou um bule no fogão a lenha e olhou hipnotizada para as brasas em chama. Transportou-se para um mundo imaginário, passou por guerreiros e princesas, andou em charretes e ouviu sinos badalarem, viu reinos incendiados e despertou com o chiado novamente: chiii,chiii,chiii,chiii.
Mas que diabos! Pensou irritada. Chegou a imaginar que poderia ser uma cigarra prestes a trocar de “casca”, ou grilos em festa, mas nada se comparava ao barulho que já lhe deixava sem dormir. Todos os dias, no mesmo horário, lá se instalava ele, iniciava tímido e logo em seguida disparava alto e constante: chiii,chiii,chiii, permanecia assim por cerca de um quarto da hora e depois sumia devagar.
Na ânsia de ouvi-lo novamente, ela ficava ali, atenta, de olhos e ouvidos bem abertos quase a noite inteira na espera de seu recomeçar, mas era em vão. O som só se ouvia uma vez, no final da tarde, quase à noitinha, quando se preparava para, assim como as galinhas, repousar.
Depois de duas semanas nessa inquietude, enquanto fazia um café bem forte para segurar-lhe o sono, não ouviu mais o chiado. Saiu no quintal, olhou ao redor, limpou os ouvidos, arregalou os olhos e nada, nem grilos, nem cigarras, nem trens, nem sinos, nem charretes, nem chocalhos, só o silêncio. Denso, tenso e triste. Preocupo-se e quis chorar.
Ajoelhou aos pés da santa no altar improvisado e murmurava o terço enquanto pedia a volta do chiado: Minha santa mãezinha, não me deixe aqui tão sozinha, traz de volta aquele barulhinho minha santinha! Repetiu a oração até adormecer, acordou exausta e com a sensação de que nunca mais ouviria aquele som.
Banhou-se demoradamente, colocou a roupa de missa, usada somente aos domingos quando se dirigia até a capela na vila e, para lá foi. Antes de iniciar a novena, passou pela casa do coronel e pediu sua ajuda. Queria por demais da conta ter de volta aquele chiadinho no final da tarde para lhe fazer companhia, repetia o som bem baixinho para não esquecê-lo: chiii, chiii, chiii.
Como nada nessa vida vem fácil, ela teria que retribuir os serviços de busca do coronel, não tinha posses, mas cozinhava muito bem, era conhecida pelos doces caseiros e pães que eram vendidos na vila. Com as vendas arrecadou pouco dinheiro, mas foi o suficiente para o início da tão esperada busca, o restante da dívida seria quitado pouco a pouco com as encomendas de pães e doces feitas pela filha gorda do coronel.
Os peões e capangas que trabalhavam para o coronel entraram de casa em casa, sempre ao entardecer, faziam as pessoas retirarem tudo dos armários, repetirem em voz alta o som e buscar nos arredores da casa qualquer coisa que fizesse aquele chiado: chiii, chiii, chiii. Mas nada era parecido com o som que inquietava aquela moça.
Ao chegar a uma das últimas casas de sua vizinhança, descobriu ali um desconhecido morador. Rapaz alto, moreno, rosto sisudo, mas de sorriso largo que lhe abriu a porta e colocou-se a disposição para ajudá-la na busca.
Enquanto os homens do coronel vasculhavam a residência, os dois sentaram-se na simples cozinha e prosearam longamente. Ela soube que ele havia passado muito tempo fora do estado, onde havia conhecido pessoas e coisas novas e voltara para continuar seu ofício em paz, dizia-se inventor. Ela interessou-se muito pela conversa, talvez mais pelo moço do que pela prosa, mas ali, atenta, despediu-se dos capangas e continuou a prosear.
A noite quase se aproximava e ele lhe mostrou diversas invenções, algumas que a ela não faziam o menor sentido, mas encantada com a eloqüência do rapaz, com seu sorriso e simpatia, ficou ali, escutando atenciosamente cada palavra, de vez em quando soltava um sorriso tímido e dizia: que engraçado, ou que interessante.
Quando já se aprontava para voltar para casa ele lhe pediu que aguardasse um pouco mais, ainda restava uma invenção, a melhor delas segundo ele. Entrou em um pequeno quarto e de lá saiu com uma panela de ferro redonda em uma das mãos e na outra uma tampa bem esquisita.
- Sabe o que é isso?
Ele deve estar de brincadeira, ela pensou.
- Claro que sei, é uma panela.
- Não, não é uma simples panela, ela é uma panela mágica.
- Mágica? Como mágica?
- Quanto tempo você demora para cozer algumas espigas de milho?
- Creio que quase duas horas.
- Pois é, com essa panela você conseguiria isso em poucos minutos.
Ela sorriu e disse:
- Acho que você começa a imaginar coisas.
- É verdade! Tenho utilizado essa panela há duas semanas para cozinhar milhos e mandiocas. Parei nos últimos dias, pois havia acabado a lenha, mas hoje posso mostrar-lhe.
Ela sentou-se calmamente e em seus pensamentos dizia: coitado, tão lindo e insano. Que desperdício!
Ele encheu a panela de água, colocou as espigas de milho dentro dela, lacrou com a tampa e sentou-se ao seu lado. Ficaram ali por uns dez minutos, observando a labareda que se fazia abaixo da panela.
Em poucos minutos a panela começou a soltar fumaça por uma das válvulas presas na tampa, e logo em seguida um som, que para ela era muito familiar: chiii,chiii,chiii.
Ela sorriu admirada, levantou-se da cadeira e começou a saltitar pela cozinha. Ele, sem entender nada, sorriu e questionou o que havia acontecido. Ela não lhe disse nada, o abraçou e com ele rodopiou por toda a casa, ao som daquele chiado que havia lhe tirado o sono e a inquietado por tantos dias.
Ela nunca mais se afastou dele, casaram-se e ela tornou-se uma quituteira famosa, ele continuou a inventar coisas, mas a panela nunca saiu daquela cozinha, era colocada para chiar todos os dias no mesmo horário, momento em que deixavam os afazeres de lado, e dançavam pela casa ao som do: chiii,chiii,chiii, daquela panela de pressão que por toda a vida cutucou seu coração.

domingo, 22 de março de 2009

Fast Cliente?


Domingo é sempre dia de preguiça, dia de pensamentos e movimentos lentos, dia em que você se levanta com sono e com a sensação de que alguém roubou seu final de semana. É quando você pensa que felizmente tem o dia todo para ficar sem fazer nada, mas que infelizmente no dia seguinte a rotina irá te devorar com suas garras e sermões.
Domingo é sempre assim. Você pode dormir até tarde, acordar, cochilar um pouco mais e esperar um convite para almoçar. Acontece que algumas vezes o convite se perde nos cinco minutinhos a mais de sono e para saciar seu estômago, que já está dando sinais sonoros de fome, te implorando um almoço bem caprichado, cabe a você tirar suas amigas da cama mais cedo do que elas gostariam e, finalmente, ir almoçar.
Outro fator importante a ser definido é o local. O ideal seria o serviço na cama, em meio aos travesseiros e a vontade de dormir um pouco mais, mas como isso ainda não é possível, sugeriu-se um local tranquilo, com ar condicionado, onde se pudesse comer sem pressa, e já que a fome sempre é muita, que a comida, fosse boa e chegasse rápido. Essas características foram suficientes para definirmos a opção: restaurante fast food, de comida italiana, com garantia de atendimento rápido e com qualidade, o ideal para três moças famintas e preguiçosas.
Local arejado, com ar condicionado, uma mesa perto da janela, vista para a rua, céu azul, crianças brincando na calçada, balões coloridos, famílias reunidas, cheiro de macarrão e de domingo na casa da avó, tudo muito calmo até que se aproximaram os garçons.
Muitos, muitos garçons, iniciantes, experientes, simpáticos, quietos, falantes, falantes, falantes, lentos, ágeis, ágeis, muito ágeis. O excesso de garçons nos fez achar que estávamos em um almoço de negócios em plena segunda-feira.
Mal sentamos e já se aproximou um com o cardápio, tivemos tempo de abrir a carta de opções e após folhear a primeira página já surgiram outros dois garçons para anotar o pedido:
- Com licença, já escolheram?
- Não, acabamos de sentar.
Tudo bem que a rede fast food prevê um atendimento rápido, mas queríamos pelo menos o sossego de domingo de volta, para podermos escolher com calma o almoço.
Cinco minutos depois e ele voltou:
- Posso anotar o pedido?
Se disséssemos que não, ele acabaria escolhendo por nós, então fechamos os olhos e apontamos o cardápio:
- Um suply al telefono para ela, uma empada de palmito para mim, outro desse para ela. Uma salada e três massas. Anotou?
- Confirmando: um “suplico telefônico” (não, ele, não disse isso, mas soou mais ou menos assim) para você, um desse para ela, outro desse para aquela, uma salada e três massas, é isso?
- Sim, é isso.
O garçon vira-se, sorrimos e começamos a melhor parte do almoço de domingo: a fofoca. Espaço aberto para compartilhar acontecimentos da semana inteira, para as risadas e para as observações alheias, espaço brutalmente invadido por outro garçon que trouxe as bebidas.
Retomamos o assunto, que mais uma vez ficou sem conclusão, pois se aproximou outro garçon com a salada. Desistimos de falar e decidimos comer. Última garfada da salada e brota um garçon do chão:
- Posso tirar os pratos?
Quase engasguei com a agilidade do rapaz. Nem tinha acabado de mastigar e ele ali, plantado ao meu lado.
Não será novidade dizer que as massas chegaram em menos de dois minutos, ao som da marcha dos garçons e dos gritos de: rápido, coma rápido, rápido, mais rápido, que já haviam invadido nossa mente. Enquanto comíamos um dos gerentes se aproximou e disse:
- Será que podem me ajudar?
Fiquei confusa nesse instante, geralmente é o oposto, eles é que perguntam se podem nos ajudar, mas enfim, nem tivemos tempo de responder e ele disparou a falar, falou, falou e finalizou com a entrega de um questionário de avaliação do atendimento.
Será que ele imaginou que éramos críticas de alguma revista de gastronomia famosa? Será que era por isso que todos os garçons pareciam estar apenas nos servindo?
Pelo sim, pelo não, preenchemos o formulário e como sugestão colocamos a redução do excesso de agilidade, do excesso de atenção, do excesso de rapidez, que nos deixou totalmente desconfortáveis, do exagero de perguntas e ofertas que nos fez perder o apetite e ter crises de ansiedade.
Cinco minutos após a entrega da avaliação, surge outro gerente e começa a justificar-se pelo atendimento, e depois dele outro responsável, e mais um, concluímos que até para desculparem-se pelo excesso eles costumam se exceder.
Algumas risadas para descontrair e logo em seguida, a sensação de estarmos cheias. Cheias de tantas perguntas, de tanta conversa, de tanta explicação. Olhamos ao redor e era nítida a rotina fast do restaurante. Correria dali, pedidos daqui, pessoas devorando sua refeição sem nem olhar para a frente ou para o lado, clientes já adaptados ao ritmo fast do lugar.
Creio que domingo não seja um bom dia para almoçar em locais deste tipo, a menos que nos assumamos como “fast clientes”, assim, talvez, seja possível superar a agilidade dos garçons e ter um tempinho para reclamar do atendimento demorado, fazendo uma piadinha do tipo: Arrá, te peguei! Acabei esse refrigerante há 2 minutos e você não me ofereceu mais nada!
Sei que no final do almoço já não estávamos mais com preguiça, nem com vontade de dormir, mas também não queríamos mais falar.
Tanto blá-blá-blá dos garçons e gerentes, nos fez perder a vontade de fofocar e a melhor parte do almoço de domingo tornou-se a saída do restaurante, onde pudemos olhar umas para as outras e dizer:
- Escuta...Ufa! Que silêncio...
Creio que da próxima vez não seja uma má idéia perder a preguiça e fazer almoço em casa, lá, pelo menos, as fofocas e risadas fluiriam. Que mundo maluco, não? Nem para almoçar no dia mais preguiçoso da semana se tem sossego...

domingo, 1 de março de 2009

Êta coração burro!




Depois de mais uma vez me declarar, dizer o que meu ingênuo e burro coração pedia, e novamente não ser correspondida, comecei a pensar em que tipo de relação existe entre a loucura, a culpa e o fim de um relacionamento. Particularmente, acredito que as três coisas se entrelaçam profundamente com uma quarta, a acomodação.
A loucura deve ser entendida como o ápice, o início de tudo, aquele ponto de partida que muda completamente nossas vidas e consequentemente a vida das pessoas que abraçamos pra viver a intensidade de um momento, muitas vezes, insano.
Pensando nisso, um impulso negativo, pode levar as pessoas a cometerem loucuras cruéis, desumanas e inacreditáveis, como por exemplo, comer aquela última colher de brigadeiro antes de avisar aos presentes que o doce se findara, ou ainda dizer-se apaixonado por alguém sem realmente sentir isso do fundo do seu coração.
Eu mesma já cometi essas loucuras algumas vezes e garanto a vocês que até hoje não me arrependi. Primeiro porque o brigadeiro estava mesmo uma delícia e porque eu lavaria a louça no final, então merecia esta recompensa. E segundo porque naquele momento acreditava mesmo estar apaixonada. E acho que é aqui que encontramos a relação entre os conceitos sugeridos acima.
Quando acreditamos realmente em algo, aquilo se torna tão forte que vira verdade, pelo menos pra nós. É como se naquele instante o seu sentimento fosse o maior do mundo e, pode apostar que ele era, porque era o único que você sentia. A intensidade era provocada por sua vontade de querer dar certo e pela forma como isso poderia trazer mudanças significativas no seu dia-a-dia.
Creio que funciona mais ou menos assim, o primeiro passo para mudar sua vida solteira para uma em união estável, é acreditar que isso pode acontecer, o segundo passo é querer que isso aconteça, e o terceiro, mais difícil, é encontrar alguém que compartilhe do mesmo desejo que você – o que no caso de mulheres heterossexuais torna-se praticamente irrealizável, pois precisamos encontrar isso tudo em um homem!
Pois bem, digamos que você encontrou essa pessoa disposta e que ela se mostre mesmo muito afim de que as coisas se ajeitem, o que você faz? Estraga tudo perguntando, no primeiro encontro, quantos filhos ela gostaria de ter, e se já pensou em algum nome. Pronto. Você acaba de deixar seu pretendente em estado de alerta, com um pé na frente e dois atrás.
É aqui que entra o conceito de culpa. Antes que comecem as críticas, quero ressaltar que não estou dizendo que nós mulheres somos as culpadas pelo fim dos relacionamentos, mas que muitas vezes não deixamos nem que eles se iniciem, com questionamentos inseguros, ilusões adolescentes, planos imaturos e principalmente, por depositarmos grande expectativa em uma pessoa que nunca se interessou nem por saber seu sobrenome.
Ok, ok, eu sei que nós mulheres costumamos perguntar, planejar e principalmente falar mais dos nossos sentimentos, creio que com a intenção de cristalizar nossos planos, inclusive e principalmente pra nós mesmas, e digo que falamos mais porque os homens também pensam nisso, só que guardam para eles, e resgatam só quando acham ser realmente a hora certa, e neste momento geralmente a frase soa mais ou menos assim: “Você gostaria de se casar comigo?”. E termina com um: “Sim”, em algum altar por ai ou diante de algum juiz de paz.
E é aqui que entra o quarto elemento, a acomodação. A acomodação dos homens em um relacionamento dá-se depois dele estar muito cristalizado, mais ou menos depois da lua-de-mel ou para alguns, depois das bodas de ouro. Para as mulheres não, basta um sorriso, um buquê de rosas, um afago, um: “eu também”, depois de verbalizar um: “eu te amo”, para que ela sinta-se a mulher mais feliz do mundo e acredite que encontrou o homem de sua vida. É quando ela começa a fazer planos e a desconsiderar os piores defeitos, injustiças e indiferenças daquele homem.
E isso, muitas vezes é inconsciente. E digo isso, por mim mesma. Finalmente, hoje, caiu a ficha da ilusão que estava vivendo há quase um ano. Entre idas e vindas, lágrimas e risos, despedidas e boas vindas, encontrei minha acomodação e felizmente, o fim de um relacionamento que existiu por todo esse tempo só aqui, dentro de mim.
Percebi que é muito mais fácil, dizer-se apaixonada por essa ou aquela pessoa e não ter que olhar para os lados. Mesmo que o cara por quem se diz apaixonada não esteja retribuindo esse sentimento, só o fato dele não te deixar “livre” já é o suficiente para você alimentar uma ilusão e construir sonhos, planos e imagens de um futuro que nunca vai existir, porque além de você, ninguém mais quer cristalizá-lo.
Engraçado que comecei a escrever este texto na primeira desilusão deste relacionamento, há uns dez meses, e hoje, me deparei com as frases inacabadas e encontrei essa resposta.
Louca ficaria se me deixasse acomodar por mais um dia nesse relacionamento. Culpada seria da minha loucura. Acomodada seria deixando de viver um dos mais belos e nobres sentimentos que conheço.
E é isso. É o fim. Finito! Enfim livre, sem culpa, sem loucura ou acomodação. Livre para esquecer e recomeçar. Livre para gostar de quem gosta de mim... Isso, é claro, se esse coração burro permitir...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A cidade das lembranças


Não costumo assistir televisão, não sou de acompanhar noticiário, nem novela, muito menos minissérie. Creio que perdemos muito tempo quando sentamos em frente à televisão e esquecemos do resto do mundo. Mas quando se mora sozinha, chega uma hora em que você já ouviu todas as músicas que queria ouvir, cansou-se de ficar horas na frente do computador fazendo seja lá o que for, já ligou para sua mãe, suas amigas e o silêncio começa a incomodar, é , então, a hora de ligar a tv.
Sou do tipo de telespectadora que fica trocando de canais, o tempo todo, em busca de comerciais. Sim, isso mesmo, não troco de canal na hora do comercial, troco de canal em busca de comerciais. Acho que a parte mais interessante da televisão são suas propagandas.
Sou fanática por comerciais, assisto todos e procuro na internet curiosidades sobre suas gravações. E tem muita gente que não gosta, mas na verdade acho que é porque não conseguem observar, prestar atenção aos seus detalhes. É claro que comercial de supermercado só é bom para saber onde economizar e não tem lá muita graça, mas existem alguns que me fazem pensar.
Ultimamente poderia citar uma série deles, e cogitei inclusive a possibilidade de comentar alguns comerciais neste espaço, mas hoje me prendo a apenas um.
Chamou-me a atenção pela fotografia, pela música – que me lembra muito um dos meus filmes prediletos, pela roupa dos figurantes, pelos detalhes, mas principalmente pelo texto: “Essa é a cidade da lembrança. A minha cidade. Um lugar onde ninguém se esquece de nada. Esse é o prefeito, ele não esquece o nome de nenhum morador, sabia? Essa garçonete não esquece o prato preferido de nenhum cliente da lanchonete. Os taxistas da cidade da lembrança sabem onde todo mundo mora. Aqui, até os animais nunca esquecem o que aprendem, e o elefante é o símbolo da nossa cidade...”.
O narrador do texto, um menino de seus doze anos fala com orgulho das características de sua cidade, como se lembrar-se de todos os acontecimentos, pessoas e coisas fosse a melhor coisa do mundo. Eu não entendi assim. Vieram-me outros tipos de pensamentos e sensações que agora compartilho com vocês.
Creio que muitos de nós temos boas coisas para recordar, mas com certeza inúmeras coisas a esquecer ou simplesmente não resgatar do fundo do baú de memórias. Pensando assim, imagino o quanto deva ser difícil morar nesta cidade, que felizmente, é só imaginária.
Pense em todos os erros do seu passado, em todas as vezes que deixou de perdoar e ser perdoado, em todas as vezes que se feriu e sentiu dor, em todas as pessoas que perdeu e nas lembranças que te fazem chorar, pense no gosto amargo daquela comida exótica e nas vezes que já se sentiu ridículo na frente de outras pessoas. Assim como as boas coisas, todas essas também seriam lembradas, não é?
E as contas que evitou pagar, fingindo-se esquecer, e as promessas que fez e deixou de cumprir, e aquela pessoa que você jurou esquecer para sempre, tudo isso seria lembrado. Acho que quem fez esse comercial não pensou nisso e muitas pessoas certamente não observaram a realidade por este ângulo, mas se a intenção do propagandista era me animar, me motivar a levantar do sofá e fazer minha inscrição em um curso de inglês, ele não conseguiu.
Diria que, no mínimo, esse comercial me angustiou. Cheguei a imaginar como seria viver nessa “cidade das lembranças” e senti medo. Tantas dores apagadas, tantos rostos esquecidos, tudo seria revivido o tempo todo, todo o tempo.
Tempo. Acho que aqui está o segredo. Na cidade das lembranças o tempo não deve existir. Sem tempo as pessoas não se magoam, não se julgam, mas também não se conhecem. Sem tempo todos os cheiros e gostos são os mesmos e não há do que discordar. Sem tempo não há do que esquecer, nem o que curar, tudo segue, ali, como sempre foi.
Ainda prefiro o tempo e seus ponteiros que cortam o espaço para nos amparar e nos reerguer, não sei quanto a vocês, mas de lembranças me chegam as do meu baú de recordações que guardo com muito cuidado, uma cidade cheinha delas, creio que seria aterrorizante demais. Ou não.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Bons ventos para nós..."


Dentre inúmeras coisas que gosto de fazer, existe uma que me agrada de forma singular, é ela que me leva a direcionar muitas de minhas ações, controlar meus sentimentos, pensar, encontrar respostas para muitas perguntas e inspiração para escrever.
Adoro observar. Observo tudo e o tempo todo. Procuro olhar cada acontecimento com os olhos da alma e isso me dá a chance de conseguir ouvir uma conversa no ônibus e fazer com que isso se transforme em uma lição de vida, ou olhar um hidrante jorrando água e fazer disso poesia.
De tanto observar as coisas simples, não me surpreendo quando mesmo com os olhos fechados consigo descrever minuciosamente qual a cor do céu, a sensação de brisa fresca, o formato das nuvens que escondiam o sol e até mesmo os pássaros e flores vistas ao longo do dia.
Foi observando que comecei a me dar conta do quanto dou importância a coisas sem importância. Confuso? Pode parecer, mas não é. Tenho passado por uma fase bem complicada ultimamente, com muitas mudanças, e não é que reclame das mudanças, pelo contrário, não gosto é de rotina, mas muitas mudanças ao mesmo tempo me fazem desacreditar do meu poder de decisão e isso me deixa insegura.
É como se em um piscar de olhos a vida te lembrasse do quanto você é insignificante. E por mais que você queira viajar nas férias, ou comprar um carro ou ainda mudar de cidade, você não vai conseguir isso de forma tão simples. Eis que surgem os obstáculos e muitas vezes não os compreendemos.
Ainda hoje, depois de um mês dos encarrilhados acontecimentos tento entender o porquê de tudo isso, e como não encontrei nenhuma resposta pronta, me limitei a observar. Confesso que o empurrão crucial para esta atitude partiu de minha mãe. Depois de me ouvir lamuriar no telefone por quase uma hora ela soltou a sábia frase: “Pare de reclamar, você tem saúde, tem um bom emprego, logo tudo se ajeita”.
Não, eu não me calei. Naquele momento só queria colo e ainda tive a tola coragem de retrucar: “Mas não é porque eu tenho isso tudo que eu preciso me sentir realizada, tenho o direito de querer mais, de acreditar em coisas melhores”.
Ela não retrucou e eu, bem, eu me senti uma idiota. Foi, então, que comecei a olhar os meus problemas com outros olhos, foi ai que comecei a observar mais, ouvir mais, falar pouco e reclamar bem menos.
Ainda acho que não preciso me contentar com o que tenho e que tenho todo o direito de buscar coisas melhores, mas havia me esquecido de agradecer. Agradecer minha vida, minha saúde, minha família, meus amigos que tornam aquele monte de problemas, meramente insignificantes.
Acho que o maior problema está em nossas mentes, que não aceitam as contrariedades da vida. Acho ainda que se aceitássemos os acontecimentos tudo se resolveria de forma bem mais simples.
Parei de reclamar, não me lamento tanto, continuo tentando buscar soluções, e o segredo é não perder a esperança, afinal, dizem por ai que cedo ou tarde tudo segue bem. Concordei com essa afirmação no dia seguinte ao diálogo com minha mãe, após presenciar um acontecimento no mínimo intrigante.
No caminho para o trabalho, observei um pássaro chocar-se com o vidro do ônibus, bem ao meu lado. A sensação foi de que se não tivesse o vidro ele teria entrado pelo meu ouvido, mas tendo ali aquela barreira transparente tive a certeza de que ele havia morrido.
Qual não foi minha surpresa quando o vi voar rente ao ônibus uma vez mais e bater asas para longe dali, desta vez em sentido contrário ao que fazia quando se chocou com o ônibus, comigo e com os meus sentimentos.
Percebi então, que muitas, mas muitas vezes é preciso cair, bater a cabeça, se esborrachar, para depois parar, respirar bem fundo, levantar as asas e buscar coragem para redirecionar seu caminho...
Creio que esta seja uma tarefa muito complicada, e que para o pássaro provavelmente tenha sido bem fácil, talvez por não se importar com os olhos de pena dos passageiros, ou ainda, com o pensamento de que ele não iria conseguir. Talvez por seguir apenas seu instinto e lutar por sua sobrevivência, ou quem sabe por acreditar que ainda valia a pena um novo bater de asas, um novo fôlego, mais um suspiro.
Independente de suas razões, aquele pássaro me fez pensar, e mais, me fez acreditar que, realmente, logo tudo se ajeita, pois, se ele conseguiu, eu também consigo e você também, e todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena dar uma nova chance ao destino e viver todos os dias intensamente, mesmo que para isso seja necessário, em alguns momentos, voar para bem longe...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Bozo sim senhor!


Era sexta-feira, a última do mês, marcada por ser um dia repleto de obrigações, fechamentos, relatórios e visitas inusitadas. Uma sexta-feira que mesmo não sendo treze, mostrou-se atípica desde seu início. Na volta do trabalho, outro acontecimento estranho. Ele sentou-se ao meu lado, e as banalidades nos levaram a falar sobre o final de semana. Ter recebido um número de telefone e um desafio enquanto ele descia do ônibus e se despedia afoito seria apenas o início das estranhezas deste dia.
- Costuma sair muito aqui?
- Saía mais, agora estou mais caseira, mas de sexta-feira é sagrado.
- Hoje vai sair então?
- Com certeza.
- Aqui está.
- O que é isso?
- O número do meu telefone, tem coragem de me ligar?
- Por que não?
- Quero só ver.
O conheço a pouco mais de um mês, trabalhamos em prédios próximos, viajamos no mesmo ônibus todos os dias, nem sempre nos sentamos juntos, na verdade geralmente as conversas resumem-se a um “bom dia” ou “ainda bem que já é sexta-feira”. Desta vez conversamos um pouco mais e recebi esse desafio, logo eu que vivo desafiando o destino, não deixaria passar a oportunidade de conhecê-lo um pouco mais.
Liguei e fui convidada para ir a um jantar que ele não sabia onde seria, nem com quem, convite negado, ele decidiu juntar-se a mim e a meus amigos. Encontramo-nos e decidimos o destino da noite.
A primeira opção estava fechada, de lá nos dirigimos a outro local, mais uma mudança de planos e enfim o bar.
Éramos cinco pessoas. Três mulheres, um homem e o Bozo. Não, este não é o apelido dele, nem indica alguma característica física. Ele simplesmente é o cara mais engraçado que já conheci.
Apesar de dizer-se tímido, fez piada com todo mundo, apresentou-se, enturmou-se e fez com que déssemos grandes gargalhadas. Piadas não faltaram e intromissões nas nossas conversas também não, tudo ia muito bem até o momento em que ele colocou uma batata frita no nariz. Foi, então, que tive a certeza de estar sentada ao lado do Bozo.
Ele ali, com a batata no nariz continuou conversando com meus amigos e tomando cerveja, algum tempo depois a batata se foi, mas o Bozo não.
Não conseguia acreditar que podia existir alguém tão engraçado e simpático, ainda mais nesta cidade esquisita, onde as pessoas não se misturam e adoram julgar pelas aparências. Mas é claro que essas surpresas boas geralmente têm data prevista para acabar, ainda mais comigo.
Algumas cervejas a mais fizeram o Bozo transformar-se no Sérgio Malandro. Foi então que percebi que tinha caído em mais uma pegadinha de Santo Antônio, que com certeza é afim de mim.
Procurei pelas câmeras escondidas e já começava a ouvir: ”Rá-rá! Salsi-fu-fu! É pegadinha do Malandro!”, quando decidi voltar para minha realidade e para casa, afinal, brigar com um bêbado e com idéias machistas nunca valeu a pena:
- Você não vai me dar um beijo?
- Não.
- E por que não?
- Chamei você para sair comigo e com meus amigos para nos conhecermos, isso não quer dizer que vou beijar você, as coisas não são assim.
- Não acredito que eu deixei de ir no jantar com meu amigo, para vir aqui com você e você vai me ignorar.
- Sinto muito se você acha que perdeu seu tempo, estávamos nos divertindo com você, e achei que você também estava gostando de estar aqui, mas se não está é melhor ir.
- Não acredito que você vai fazer isso comigo
- Sabe o que não suporto em vocês?
- Em nós?
- É, nos homens. Vocês sempre precisam de algo em troca. A companhia, uma boa conversa, o estar presente não basta, sempre precisa ter algo mais para ter valido a pena. Isso é ridículo!
- Você está me chamando de ridículo?
- Não, você é que está se ridicularizando.
Não encontrei as câmeras, mas tive certeza que estaria nas telas do programa Silvio Santos no próximo domingo. No dia seguinte ele me ligou e perguntou o que havia acontecido, falou que estava de ressaca e com amnésia.
A amnésia é uma boa desculpa para esconder a ressaca moral, mas tudo bem, eu já tinha visto e escutado o suficiente, já estava satisfeita e não perderia meu tempo relembrando aquela tola conversa.
Creio que as conversas no ônibus, provavelmente, serão resumidas a um “olá” ou “até amanhã”. Uma pena, pois fazia tempo que um homem não me fazia rir tanto e tão espontaneamente...